ATX Festival 2018: gay, hetero, bissexual, seriados de TV celebram todas as identidades

Postado em 11 de junho de 2018 por Claudia Ciuffo

Por: Claudia Ciuffo

O ATX Festival não apenas celebra os seriados, seus atores e todos que trabalham por trás das câmeras para produzir nossas séries favoritas, como também promove painéis que abordam questões interessantes e importantes relacionadas ao mundo televisivo.

Uma das mais importantes palestras que estive este ano foi sobre “desconstruir o conceito binário nas séries de TV”.

Contou com a participação de uma das nossas pessoas favoritas, a atriz Aisha Dee, a Kat, de “The Bold Type”, além de Cameron Esposito (moderadora) e Rhea Butcher, ambas de “Take My Wife” que, por sinal, são esposas na vida real,  e Nico Tortorella, de “Younger”.

Para começar o que é binário? Para os espectadores LGBTQIA, a TV há muito tempo é um meio de binários – gay ou hetero; masculino ou feminino; cisgênero ou transgênero – mas, nos últimos anos, passamos, finalmente, a ver na TV personagens que não são tão facilmente definidos.  Tanto nos seriados focados no público adolescente, na TV aberta, a cabo quanto em plataformas, como a Netflix, o espectro de visibilidade cresceu para incluir personagens bissexuais e não binários, que seguem um determinado estereótipo. Personagens que estão mais sintonizados com os espectadores que representam.

Todos os participantes do painel compartilharam suas experiências pessoais, como bissexuais, heterossexuais ou sem definição de gênero e o quão importante para eles é criar séries que incluam a representação de todos os seres humanos existentes na televisão. Afinal de contas, vivemos tantos anos numa sociedade binária, que sempre nos forçou a escolher um lado ou outro, que é importantíssimo hoje termos a oportunidade de entender que nada é branco ou preto, que as pessoas têm a liberdade de se identificarem sexualmente, como são e como quiserem.

Ainda estamos na fase inicial do processo de transformação da sociedade em relação às questões discutidas neste painel. Talvez por isso, um jovem presente na plateia, logo no início, após os participantes se apresentarem, começou a fazer comentários inapropriados. Ele se levantou, se dirigiu ao palco e, inclusive, usou termos pejorativos ao se referir ao ator Nico, o chamando de “bicha”. A segurança do ATX Festival agiu rapidamente e retiraram o cidadão do recinto.

No final do painel, uma das fundadoras do festival veio pessoalmente se desculpar e agradeceu aos participantes e a nós por termos contornado a situação de forma civilizada.

Tem vídeos e fotos circulando pela internet deste momento desagradável. Mas optei por não postar aqui. Acho que temos que focar no resto do painel, onde todos conversamos de forma saudável e alto astral sobre as nossas diferentes formas de viver a nossa vida, e como o mundo é mais bonito, justamente por sermos diferentes e compartilhamos as nossas experiências de maneira respeitosa e amigável. Isso torna a nossa jornada mais enriquecedora e alegre.

Fico aliviada em ver que hoje os seriados discutem abertamente assuntos que eram tabu, porque os meios de comunicação devem ser usados de forma inteligente e responsável para educar  a população, para que acontecimentos como vimos mais cedo no painel não aconteçam com a frequência que, infelizmente, ainda vemos atualmente.

Eu acredito que a televisão e todas as plataformas de entretenimento tenham o poder de transformar a sociedade, acredito mais ainda no time de pessoas como Cameron, Rhea, Nico e Ashley que estão trabalhando arduamente para tal. E acredito em pessoas como nós, e em festivais como o ATX, que tratam este assunto com seriedade, para que um dia, essa discussão nem precise existir. Me chamem de otimista mas acho que, se trabalharmos juntos, a gente chega lá!

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