Entrevista com o elenco de “Impulse” no ATX Festival 2018

Postado em 6 de julho de 2018 por webmaster

Por: Claudia Ciuffo

Uma das melhores coisas de trabalhar como jornalista de entretenimento é que, às vezes, a gente jura que uma determinada série ou filme não são a nossa praia e, por conta dos ossos do ofício, temos que assistir a um dos episódios e descobrimos que estávamos enganados quando pensamos que não iríamos curtir um determinado projeto. Isso resume a minha relação com a nova série do Youtube “Impulse”.

A série é derivada do filme “Jumper”, que eu jurava que não era meu estilo, mas depois de assistir aos três primeiros episódios, a fim de me preparar para entrevistar as protagonistas Maddie Hasson e Missi Pyle e os produtores David Bartis e Lauren LeFranc no ATX Festival em Austin, eu descobri que não só curti muito, como virei fã de carteirinha de Maddie. Uma atriz que facilmente será uma das mais prestigiadas de sua geração. Tive a honra de bater um papo super bacana com eles, que compartilho com vocês, mas sem spoilers já adianto que Maddie é uma estreante na indústria do entretenimento que veio para ficar, uma daquelas atrizes que daqui a alguns anos vai ter ganho muitos prêmios e eu orgulhosa vou celebrar que a entrevistei no seu primeiro trabalho.

Confiram a nossa conversa e a série que, se você gosta do gênero, já se apaixona no trailer, e se como eu pensa que não é a sua praia, assista que garanto que você vai se viciar.

Sinopse:

“Henrietta de 16 anos, também conhecida como Henry (Maddie Hasson), que descobre que ela tem a habilidade de se teletransportar. A primeira vez que ela percebe isso, ela está em um caminhão com seu Golden Boy do colegial, que tenta estuprá-la. Ela tem um convulsões e teleportes, no curso do qual ela, inadvertidamente, o esmaga, deixando-o paraplégico “. O seriado continua a “explorar a necessidade de Henry de reconciliar o que seu agressor tentou fazer com a consequência, e seus sentimentos sobre descobrir que ela pode se teletransportar com seus sentimentos sobre o ataque” Fonte: https://pt.wikipedia.org/

Trailer:

Entrevista com Maddie Hasson, Missi Pyle, David Bartis e Lauren LeFranc do elenco de “Impulse”

Oi, eu sou a Terry e escrevo para um veículo de entretenimento.
MH: É um prazer conhecê-la.

Oi, eu sou a Claudia e escrevo para alguns veículos de mídia brasileiros.
LL / MH: Que legal! Olá!

Meu nome é Melissa e eu sou de Toronto.
MP: Eu adoro o seu colar.

Obrigada!
Eu devo dizer que assisti os dois primeiros episódios e amei. Eu assisti ontem à noite e estou completamente viciada. É fantástico! Eu fiquei muito surpresa em saber que era parte do filme e dos livros Jumper, entretanto. É inspirado no terceiro livro, mas parece que só divide o título com o mesmo. Isso está correto?

DB: Temos uma adolescente no centro de tudo, mas o estúdio que fez o filme e o estúdio em que fizemos o show são diferentes, então, nós não podemos entrar nos personagens e caminhos da história do filme. Mas nós temos os direitos dos livros e amamos a série de livros… E nós gostamos do autor, o Steven Gould, que tem sido muito bom para nós. O Doug sempre lhe dirá… Ele gosta de usar este exemplo de A Identidade Bourne: ele leu o livro, amou e aí fez o filme. E, se você olhar para o livro, não se parece em nada com o filme! Então, você começa a evoluir algo e, de repente, isso se transforma em uma coisa única. Mas os dois falam de teletransporte!

Sim! Mas eu estou assumindo que… Nós vimos um pouquinho do mundo amplo através dos pulos. Isso não vai ser ligado aos personagens originais então, com base no que você disse? Entendi! (risos)
As performances são extraordinárias, certo? Estou feliz que todo mundo concorda! (risos)
Eu concordo!
Eu também!
Vocês devem estar felizes com isso.

MH: Eu não estou triste, nem um pouco!

O quão desafiante é interpretar um personagem tão complexo?
MH: Não, não é fácil. Eu estava realmente deprimida durante todo o tempo que filmamos, e eu acho que a Missi estava também. A Missi e eu estávamos tão mergulhadas neste negócio. Nós estávamos lá fora, em uma Toronto gelada, no inverno e não tínhamos nosso sistema de suporte de casa, em LA. Estávamos simplesmente imersas nessa situação. E a Henry, para mim… Eu senti como se fosse a Henry e eu acho que a Missi sentiu como se fosse a Cleo. Foi difícil, foi muito real para nós.
MP: Você está respondendo todas as minhas perguntas! (risos)
MH: Estou errada?
MP: Não, é verdade!
MH: Eu te conheço! (risos)
MP: Eu também te conheço! Nós conseguimos nos conhecer muito bem e entramos muito profundamente nestes personagens. E eu acho que o fato que tivemos que sair para ir ao Canadá, encontrar nossos próprios lugares para morar… Eu levei minha filha de dois anos e sou uma mãe solteira. Então, estava preocupada em fazer um trabalho ruim e, aí, ia para o set e ficava preocupada em fazer um trabalho ruim.
MH: E, aí, você vai para casa e se preocupa sobre ter feito um trabalho ruim!
LL: Vocês estão expressando de uma forma que parece com que foi a pior época da vida de vocês! (risos).
MH: Não, nós amamos tanto!
MP: Eu nunca vivi algo assim e nunca pensei que iria. Nunca pensei que teria a oportunidade de interpretar uma personagem tão rica, com tanta comédia. Eu amo comédia! Às vezes, parece que é um pouco tridimensional e tudo por uma risada, o que eu amo. Mas isso não se pareceu com nada de antes e eu senti que pude explorar coisas que nunca tinha vivido antes.

É isso que eu gostei mais sobre o show, porque é intenso e profundo, sabe? Você pode pensar sobre sua própria vida e se identificar com elas de tantas maneiras.

LL: Isso também foi a redação, que nos foi dada de bandeja.
MH: Sim.
LL: Eu tive muita sorte por receber um elenco tão talentoso, com a Maddie e a Missi em particular. Eu sou muito, muito sortuda porque, quando você escreve algo e espera… Você está sentada sozinha e pensa: “Isso parece certo, real, honesto. Eu espero que consiga ver isso na tela”. E, aí, o que você recebe de volta é mil vezes melhor do que qualquer coisa que tenha imaginado e você sente que tem algo especial acontecendo ali. De muitas maneiras, falamos que este show tem sido nosso pequeno segredo há algum tempo e eu estou empolgada que finalmente foi lançado. Está lá fora para que outras pessoas possam se identificar com ele, ver a honestidade e as performances incríveis que eu tive o prazer de ver pelos últimos meses.

Quando eu assisti o trailer, eu tive essa sensação, e é uma sensação que eu não tenho há muito tempo. Quais foram as impressões iniciais quando vocês receberam o script e foram abordadas para interpretar estes papéis?
MH: Eu senti pavor, porque eu li e pensei: “Deus, eu sinto que poderia fazer isso tão bem! Como eu faço para que eles me contratem?”. Porque não é como se as pessoas me oferecessem papéis… Eu não sou um grande sucesso, sabe o que quero dizer? Você faz um teste, espera uma semana, eles te dizem que você pode voltar, você volta e faz um novo teste, espera algumas semanas a mais, faz um teste de filmagem e aí espera um mês. E você cruza seus dedos e chora algumas vezes, e escreve um diário – eu posso mostrar, é realmente embaraçoso e é algo que eu não faço desde que tinha treze anos! E, aí, se der certo, você consegue.
MP: Para mim, foi muito… Eu tinha acabado de me tornar mãe, estou nos meus 40 anos e adotei uma criança porque meu corpo não estava operando para que eu tivesse a minha própria. Eu estava sobrecarregada e não queria fazer outra temporada de pilotos, porque eu tinha acabado de fazer uma e tinha sido muito difícil. E o show surgiu no outono, que não é a temporada de pilotos tradicional… E eu li e realmente pensei: “Ninguém vai me deixar fazer isso. Eu não faço esse tipo de coisa, mas talvez eu seja nova nisso e possa entrar de fininho”. Então, eu recebi uma chamada para um segundo teste e acabei conseguindo o papel, aí a série foi escolhida e eu ainda estou impressionada. Eu não acreditei realmente… Em uma conversa com a Lauren, ela disse: “A Cleo está desistindo dos sonhos dela”. Eu nunca tive uma conversa com um dos escritores de um show e foi uma conversa de duas horas. Ela falou sobre tudo o que eles fariam na temporada e eu fiquei me perguntando: “O que é isso?”. E eu fiquei tentando não chorar e pensando que ia chegar lá e fazer meu trabalho tão bem… (risos).
LL: Tipo, você estava sendo tão bem tratada!
MP: Sim, estava sendo tão bem tratada! Mas eu não conseguia acreditar. Eu tinha quase desistido do meu sonho de ser uma atriz dramática e ser desafiada assim foi muito, muito difícil. Eu chorei muito! Mas foi muito empolgante ter esta oportunidade.
DB: Mas não é um processo linear aqui, porque as duas influenciaram tanto os papéis. O Doug sempre fala que, quando ele conheceu a Maddie e descobriu que ela seria a Henry, o script evoluiu muito por conta de quem ela é o que poderia trazer para o papel. O mesmo aconteceu com a Missi. O que elas leram no começo não foi o que filmamos. Realmente mudou muito.
MH: Mudou enquanto filmávamos o piloto, todos os dias.
DB: Mudou enquanto estávamos filmando, que é o estilo do Doug. Ele muda as coisas conforme vamos seguindo, mas, geralmente, para melhor.

Eu amo como o show aborda a questão do abuso sexual de forma tão realista, e a forma com que ela muda a narrativa ao tentar superar, como tenta reescrever o que aconteceu na própria mente. E, aí, você tem o poder de pular também, que é… Os dois temas são paralelos. Como você chegou a este conceito, de pegar uma sobrevivente de abuso sexual e casar isso com uma habilidade especial? Porque eles funcionam juntos lindamente, de uma forma que eu não teria imaginado até ver.
LL: Bom, eu entrei depois que o piloto original foi filmado e vi a cena que estava lá. Eu me conectei a ela como sendo uma forma muito honesta de evoluir o poder de uma jovem mulher. Eu queria fazer com que fosse ainda mais visceral, visto da perspectiva da Henry e ainda mais doloroso de assistir. Eu achei que era muito importante ligar o teletransporte e o abuso, colocando essas duas experiências juntas em todos os passos do caminho para fazer com que fosse muito orgânico – porque eu acho que qualquer história de gênero boa é baseada em algo muito honesto e eu vi uma oportunidade lá. E, então, quando eu estava escrevendo o segundo episódio, eu comecei a escrever versões diferentes na cabeça da Henry de como ela pensaria sobre o abuso, porque eu voltei e reescrevi a cena do ataque no piloto. E, através dessa experiência, fazendo isso… Foi doloroso, tentar falar com sobreviventes e tentar ter a certeza de que era honesto e de que eu faria um pouco de justiça para pessoas que viveram algo assim. Eu tentei começar a me colocar naquele lugar e entender o que a Henry poderia ter pensado. Então, temos um momento em que a Henry se imagina na posição de poder, no qual ela está no comando e ela é mais agressiva com o garoto que acaba abusando dela. E o último momento que ela imagina – que, para mim, é o mais devastador – é o que teria acontecido se ele tivesse ouvido ao não dela. Eu acho que isso acontece o tempo todo e posso ver o show sendo tão diferente… Se ele tivesse ouvido, eles poderiam ter tido um relacionamento. Eles tiveram uma dinâmica interessante no piloto. Para mim, isso é o mais trágico e eu queria encontrar uma maneira de expressar isso.
DB: Voltando para aquela primeira pergunta, quando o Steven escreveu seu primeiro livro, tem algumas coisas que aconteceram com o personagem David que não foram para o filme. Na primeira vez que ele se teletransporta, ele está apanhando de seu pai no livro e acaba indo para o mundo amplo. Da segunda vez, ele está preso no centro de teletransporte e, da terceira, ele fugiu de casa e é atacado por um motorista de caminhão, sexualmente atacado. Todas as ocasiões de teletransporte no início daquele livro foram incrivelmente dolorosas e traumáticas, e elas não foram para o filme assim. Mas essas são as coisas para as quais queríamos retornar no show. É uma forma pouco usual de contar a história.

É tão poderosa a forma com que esses elementos são unidos na série, absolutamente. E você fez um trabalho incrível, porque eu imagino que tenha exigido muito do lado emocional e físico. Qual foi a parte mais desafiadora e a mais gratificante para você?
MH: Eu acho que a parte mais desafiadora foi a cena do abuso em si e as cenas que são ligadas a isso em sequência, porque eu acho que nós realmente queríamos acertar. Nós queríamos que fosse real e queríamos conseguir falar com as pessoas. Para isso acontecer, você realmente tem que sentir e eu realmente senti. Foi muito doloroso, mas de uma forma muito válida e gratificante, porque você sente que está fazendo algo bom. E eu acho que esta é a melhor parte deste trabalho, algo que eu aprendi com Impulse… Porque foi profundamente desafiador e, às vezes, muito doloroso, mas você sente que fez algo que importa tanto para você e que pode importar tanto para outras pessoas. Este é o tipo de trabalho que eu quero fazer daqui para frente: as coisas que machucam um pouco.

Quais são algumas das liberdades e alguns dos desafios em criar uma série para uma plataforma relativamente nova? Existe uma curva de aprendizado aí?
DB: Sim, existe!
LL: Sabe, eu trabalhei em um show do Netflix no primeiro ano em que eles começaram a fazer suas séries originais e é bem similar neste sentido. De forma positiva, é um grupo pequeno de pessoas com as quais trabalhamos e existe uma curva de aprendizado, mas, ao mesmo tempo, eu amo o quão desinibida é a plataforma – com isso, quero dizer que, em termos dos conteúdos que podemos criar e das histórias que podemos contar, eles não nos impedem de fazer isso. Eles não tentam nos censurar e abraçam as ideias. Eu acho que isso acontece, parcialmente, porque eles são jovens e muito empolgados para criar novos dramas. Eu poderia listar mil outras redes – porque existem mil lá fora – que diriam que não podemos contar essa história ou que não podemos mostrar isso. Eles pediriam: “Vocês podem fazer com que todos os atores pareçam ser mais perfeitos e mais bonitos? Arrume o cabelo de todo mundo para que não exista um fio de cabelo fora do lugar”. Foi muito importante para nós fazer com que isso fosse real. Obviamente, todo mundo é atraente e bonito no nosso show, mas…
MH: A Henry não tem convulsões bonitas, por exemplo.
LL: Não, a Henry tem convulsões e elas são muito reais. Eu não conheço outra plataforma que, honestamente, permitiria isso.
DB: Eles nunca disseram não para nada criativamente, mas, muitas vezes, fazemos algumas perguntas e eles dizem: “Nós não sabemos, teremos que responder depois”. Isso não é ruim, é só que eles nunca fizeram algumas destas coisas antes. Não somente no lado criativo, mas também na produção e datas de entrega… Às vezes, eles só não têm a resposta. Mas fica tudo certo, porque existem pessoas com as quais realmente gostamos de trabalhar lá… A Susanne Daniels, que gerencia a plataforma, tem sido minha amiga por mais de 25 anos. Existem muitos lugares em que você não pode pegar o telefone e perguntar: “Podemos fazer isso?”. Lá, você pode.
MP: Eu ia dizer que, como atriz… Nós estamos envolvidos nisso há quase um ano e meio, talvez um pouco mais. É um tempo longo para passar sem saber. Colocar toda essa energia e envolver todas essas pessoas… Pense sobre todos aqueles casacos no Canadá! Ter todas essas pessoas congelando do lado de fora por 17 horas ao dia, o grande número de pessoas necessário para fazer isso acontecer, com todo o seu talento e comprometimento… E então, de repente, está lá fora. E nós simplesmente sentamos e…
LL: E esperamos que as pessoas assistam.
MP: Sim, esperamos que as pessoas assistam!
DB: Nós também arriscamos com o Youtube porque estávamos nos preparando para tentar vender o show em outros lugares. Eles foram as primeiras pessoas a saber e a Susanne… Não havia um script e não havia nem uma ideia pronta ainda. O Doug só falou que queria fazer o show e a Susanne disse: “Eu me comprometo a produzir o piloto”. Isso é uma coisa muito boa, então, nós decidimos não procurar por outros lugares, parcialmente por este compromisso e também pelo relacionamento com a Susanne. Sentimos como se fôssemos parecer muito inteligentes por ter feito isso ou muito estúpidos! Ainda será determinado (risos).
MH: Vamos dizer inteligentes!
MP: Eu gosto disso. Parece que foi inteligente agora.

Vocês estão assistindo com uma audiência pela primeira vez?
MH: Sim, é a primeira vez que estaremos por perto quando alguém assiste.
LL: É mais fácil falar a respeito quando as pessoas já assistiram.
DB: Eu não tinha percebido isso até você dizer. Vamos assistir com uma audiência! Muito obrigado a vocês.
MH: Obrigada!


Episódio 1:

Tradução e transcrição: Raquel Zambon

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