Ethan Hawke lança seu longa “Adopt a Freeway” no festival SXSW 2019

Todo mundo que me conhece, e acompanha o Hollywood é Aqui, já está cansado de saber do meu profundo amor por Ethan Hawke, meu eterno Jesse da trilogia “Antes do Amanhecer”, “Antes do Pôr-do-Sol” e “Antes da Meia-Noite”.

Eu já perdi a conta de quantas vezes fiquei frente a frente com Ethan e quanto dos seus maravilhosos filmes já assisti, mas é sempre uma emoção vê-lo brilhar. Seu talento como roteirista, ator, escritor não tem limites. Ele já foi indicado ao Tony, pelas peças de teatro que fez na Broadway, e tem 4 indicações ao Oscar.

Mas devo confessar que nosso último encontro no SXSW foi especial por várias razões. Primeiro porque foi em Austin, sua terra natal, segundo que tive a chance de prestigiar a estreia mundial de seu mais novo filme “Adopt a Freeway”, escrito e dirigido por Logan Marshall-Green (que interpretou Trey, o irmão de Ryan Atwood em “The OC”) e, como se não bastasse, ainda tive o prazer de participar de um bate-papo sobre a carreira de Hawke e sua parceria com o produtor Jason Blum, dono da Blumhouse, responsável por filmes como “The Purge”, “Get Out”, “Whiplash”, entre outros, que, por sinal, é um de seus melhores amigos.

Creio que nada melhor do que estar perto de dois grandes amigos e parceiros de trabalho, que relembram que se conheceram quando Jason, que ainda era um aspirante a produtor, estava namorando uma ex-recente de Ethan, que já era famoso na época. Apesar do desconforto do primeiro encontro casual, em um café em NY, os dois se entenderam a ponto de começarem uma companhia de teatro juntos. Daí, foram inúmeros projetos, que inclui “Adopt a Freeway”, filme que eles estavam promovendo no festival.

Entre as muitas dicas que Ethan e Jason, um renomado produtor, compartilharam sobre Hollywood, está trabalhar com pessoas que você confia, seus amigos, de preferência os que têm características diferentes das suas. Enquanto Hakwe é mais criativo, Jason sabe como ninguém angariar fundos e contratar uma equipe de primeira para fazer o filme acontecer.

No caso de “Adopt a Highway”, Logan, diretor estreante, procurou Jason e disse que tinha escrito o papel para Ethan Hawke. Jason fez as devidas apresentações e, como vimos, o resultado é brilhante. Hawke mais uma vez nos surpreende, como Russell Millings (Ethan Hawke), um ex-presidiário que acaba de ser solto após uma sentença de 20 anos por um crime pequeno. Tentando se adaptar ao mundo moderno e sua nova vida, ele se vê com um novo problema quando encontra um bebê abandonado em uma lixeira.

A trajetória deste homem simples, que fica encarcerado injustamente e volta para uma sociedade dominada pela tecnologia, que ele desconhece completamente, e o seu encontro com um bebê que passa a depender de seus cuidados, é tocante e inspiradora.

“Adopt a Highway” foi dedicado a qualquer pessoa que já tenha cometido um erro, pois mostra que, contra todas as probabilidades, a redenção está ao alcance de um homem decente como Russ. O filme é ao mesmo tempo um retrato das pessoas, muitas vezes do bem, que são injustiçadas por um sistema judiciário indiferente nos EUA e é um tributo à capacidade de resistência do espírito humano. Imperdível.

Data de lançamento: em breve (1h18min)
Direção: Logan Marshall-Green
Elenco: Ethan Hawke, Elaine Hendrix, Betty Gabriel mais
Gênero: Drama
Nacionalidade: EUA

Mas, claro que uma conversa com Ethan Hawke não seria completa se ele não falasse do seu também amigo e parceiro, Richard Linklater, a mente brilhante por trás da trilogia que marcou a minha geração.


Ethan comentou como Rick, desde o início, tinha o objetivo de fazer os filmes da trilogia sem gênero. Ele queria que homens se identificassem com a Celine e mulheres com o Jesse, e vice-versa, desconstruindo o conceito que comédia romântica era coisa de menina. Aliás, segundo Hawke, ter Julie como parceira de cena e roteirista dos filmes foi um ganho e uma ideia de Linklater desde o início pois, além de talentosa, ela, com sua forte personalidade, deu um tom feminista aos filmes, discutindo questões que são tão relevantes hoje em dia, como eram nos anos 90.

E, ainda sobre Linklater, com quem Ethan trabalhou também por 12 anos em “Boyhood”, ele elogia a capacidade do diretor em fazer todo mundo acreditar que é possível fazer estes filmes, que parecem simples, bem. Hawke, às gargalhadas, disse que é muito mais complexo do que parece. Muita gente pode tentar, mas poucos têm o talento de Rick de contar estórias tão corriqueiras de forma tão especial.

Para encerrar, Ethan Hawke contou um episódio que marcou a carreira dele e de Linklater. Em uma reunião com produtores super poderosos da indústria do entretenimento, em Los Angeles, o diretor de uma agência disse, todo orgulhoso, que só investiria em projetos que falassem de assuntos super importantes, porque a empresa dele somente se envolveria com filmes que focassem em assuntos sérios, Linklater virou para o arrogante cidadão e disse que se era assim, eles iam se retirar pois, ele não falava de assuntos importantes em seus filmes. Isso foi anterior a “Boyhood”, filme espetacular que foi indicado ao Oscar em diversas categorias, inclusive de melhor filme. Afinal, nada mais importante do que contar a estória da trajetória de um jovem rapaz, desde sua infância até entrar na faculdade, pois são com estórias assim que o público realmente se identifica. O tal empresário deve ter ficado incomodado por ver o quanto chegou longe o projeto que ele menosprezou, disse Ethan, completando que espera que Linklater não o mate por compartilhar este episódio.

Assim, Ethan Hakwe, que arrancou muitos risos da plateia com seu bom humor e alto astral, e suspiros dessa que lhes escreve, deixou o palco do SXSW, que me deu de presente mais este inesquecível encontro, com um dos meus atores prediletos de todos os tempos.

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