A premiada diretora Chloé Zhao ganha evento em LA e fomos aplaudir

Chloé Zhao é uma das três únicas mulheres que já ganharam o Oscar, na categoria melhor direção. Ela levou a estatueta pelo espetacular filme “Nomadland”, em 2021, sendo a única mulher que não é branca estadunidense (Kathryn Bigelow foi a primeira mulher a vencer em 2010, por “Guerra ao Terror” (The Hurt Locker) e Jane Campion que foi a terceira vencedora, em 2022, por “Ataque dos Cães” (The Power of the Dog).

 

 

Um absurdo, se considerarmos os 98 anos da premiação, mas que deixa claro o talento da diretora e roteirista que esse ano foi indicada novamente, nas categorias melhor roteiro adaptado e melhor direção, pelo seu impecável trabalho no filme “Hamnet – A Vida Antes de Hamlet”, que ganhou o Golden Globes, na categoria melhor filme drama e o BAFTA, a versão britânica do Oscar.

Tive o prazer de participar de uma noite especial celebrando a carreira de Chloé em um evento moderado pela fantástica Regina King, seguido de um coquetel animado no salão do Director’s Guild, em LA.

 

 

No papo, Regina e Chloé relembram momentos marcantes da jornada da diretora que culminaram em sua segunda indicação ao Oscar, e ficou claro que ela não é só super talentosa, mas muito divertida. Chloé arrancou gargalhadas do público, “meus trabalhos são sempre dramas, temas mais pesados, mas eu tento manter o alto astral no set, manter a leveza no ambiente de trabalho é muito importante pra mim”.

No evento tivemos uma palhinha de seu ótimo senso de humor.

 

 

A retrospectiva da carreria de Chloé alternou clipes dos filmes e curiosidades dos bastidores e do processo criativo da diretora que é considerada uma das cineastas mais talentosas da atualidade.

 

Songs My Brothers Taught Me (2015)

“Eu comecei fazendo filmes indies, sem dinheiro nenhum, com não atores. E eu me apaixonei tanto por Pine Ridge que eu fiz três filmes lá. Para escrever meu primeiro filme, “Songs My Brothers Taught Me”, eu passei anos na região, conheci a comunidade, foi uma experiência fascinante. E eu sempre fui muito fã de documentário, tem gente que me perguntou porque eu não fiz um documentário ao invés de um filme, mas eu também gosto de criar os personagens, desenvolver uma narrativa.

 

 

Por isso, eu procurei unir os dois estilos e trabalhar com não atores, o que ajuda a manter a autenticidade das histórias que eu queria contar. Mas eu estava há tanto tempo em Pine Ridge para escrever o roteiro que eu já não estava botando muita fé que a gente ia conseguir fazer o filme. Até que conseguimos o financiamento através de um programa do Film Independent (organização da qual eu faço parte e que promoveu o evento em homenagem a Chloé). Eu agradeço ao FIND até hoje, porque o apoio dessa organização mudou a minha vida, receber a verba para fazer “Songs My Brothers Taught Me”, foi o que decolou a minha carreira como cineasta.

Rodamos em muito pouco tempo, com pouco dinheiro, mas foi um grande aprendizado pra mim. A resposta do público e da crítica foi muito positiva e a comunidade gostou, os atores gostaram e isso foi importante pra mim.

Cometi muito erros também, eu mexia muito com a câmera, foi uma loucura. Quando vejo hoje, eu vejo as besteiras que fiz, e ainda faço, mas me orgulho do trabalho e de todos que contribuíram para que o projeto saísse, especialmente o povo de Pine Ridge”.

Retrato complexo da vida moderna na Reserva Indígena de Pine Ridge, explorando a ligação entre um irmão e sua jovem irmã, que se encontram em caminhos separados para redescobrir o significado de casa. Fonte: AdoroCinema

 

 

 

Domando o Destino (The Rider, 2017)

Chloé Zhao:

“Eu conheci o Brady em Pine Ridge, eu acompanhei o acidente, o processo de recuperação dele. E o “The Rider” nasceu da nossa convivência, das conversas, ele também queria contar a sua história e achou ainda mais interessante interpretar uma versão dele mesmo. Foi um trabalho muito colaborativo e bonito. Rodar em Pine Ridge é maravilhoso porque a fotografia do lugar é linda e as pessoas são sensacionais com histórias de vida incríveis. Meu papel como roteirista foi colocar um pouco de imaginação na realidade com respeito e com carinho. Era muito importante pra m honrar a trajetória do Brady, por isso, a recepção positiva do filme foi tão especial pra todos nós.”

 

 

A frustração e a angústia passam a fazer parte da rotina de Brady quando ele se vê impedido de montar em cavalos após sofrer um grave acidente no rodeio. Pouco a pouco, o cowboy aprende a domar sua impaciência e tirar maior proveito dessa experiência de profunda introspecção, refletindo sobre sua identidade e a cultura local. Fonte: AdoroCinema

 

 

Eternos (2021)- Filme do Universo Cinematográfico Marvel (MCU), dirigido e coescrito por Chloé

“Olha, eu saí de uma realidade onde fazia filmes praticamente sem verba, pra uma verba de milhões. Esse set foi surreal, tínhamos muitos recursos desde catering (comida) até os cenários gigantescos. Ao mesmo tempo, eu cometi erros de principiante porque usei a câmera e fiz takes, como nos meus filmes anteriores e esqueci dos efeitos especiais, dei muito trabalho pra equipe de pós. Poderia ter rodado com takes que facilitassem colocar os efeitos depois. Foi um grande aprendizado pra mim. O universo Marvel não tem limites e esse filme me apresentou a uma outra realidade como cineasta.”

 

 

Eternos são seres super dotados com características como imortalidade e manipulação de energia cósmica, e eles são frutos de experiências fracassadas de seu próprio criador, o Celestial Arishem, desde a criação da Terra, há milhões de anos. Destinados a salvar o mundo e a raça humana dos Deviantes, seres também criados pelo Celestial, os Eternos então derrotam tais seres e seguem caminhos diferentes, esperando que seu criador volte com boas novas. Mas, após séculos e milênios aguardando ele, o grupo de heróis imortais agora precisa se preparar para uma nova ameaça, e precisam lutar contra os Deviantes novamente para garantir a segurança da humanidade. Muitos conflitos internos podem surgir, entre o amor que sentem pela Terra e a necessidade de protegê-la acima de tudo, e a fé naquilo que está acima deles. Cada um deverá lutar pelo o que acredita, e defender o que for mais importante. “Eternos” se passa pouco tempo após os acontecimentos de “Vingadores: Ultimato (2019)”, dentro do universo MCU, inspirado nos quadrinhos, em adaptação da Marvel Studios. Fonte: AdoroCinema

 

 

Nomadland: Sobreviver na América (2020): Vencedor do Oscar de Melhor Filme e Melhor Direção

“Depois de ‘Eternos’, voltei a Pine Ridge e ao universo do cinema independente. Dessa vez, com um grupo de atores profissionais e não atores, muitos nômades que foram essenciais para a autenticidade da narrativa. Ver a interação entre eles foi muito interessante. Os não atores são viscerais na improvisação. A Frances (McDormand, que ganhou o Oscar de melhor atriz por sua performance no filme), se dispôs a trocar lindamente com os não atores. Lembro que teve uma cena que ela interagia com um e ele improvisava com um tom diferente do que tínhamos imaginado pra cena, Frances, com toda a sua experiência, tentou que ele falasse no tom combinado, mas não rolou. Risos! Sabe que no final ficou até melhor e mais natural com a forma que ele fez, diferente do roteiro até porque Frances, com seu talento, fez a cena no clima do parceiro e ela também concordou que ficou bom. No final, o equilíbrio entre a experiência na profissão e naturalidade na interpretação deu certo. Sigo gostando muito de trabalhar com não atores.”

 

 

Em “Nomadland”, após o colapso econômico de uma cidade na zona rural de Nevada, nos Estados Unidos,em 2011 Fern (Frances McDormand), uma mulher de 60 anos, entra em sua van e parte para a estrada, vivendo uma vida fora da sociedade convencional como uma nômade moderna. Fern vende a maior parte de seus pertences e compra uma van para morar e viajar pelo país em busca de trabalho. Ela aceita um emprego sazonal em um centro de atendimento da Amazon durante o inverno. Linda, uma amiga e colega de trabalho, convida Fern para visitar um encontro no deserto no Arizona organizado por Bob Wells, que fornece um sistema de apoio e comunidade para companheiros nômades. Fern, inicialmente, recusa, mas muda de ideia quando o tempo fica frio e ela luta para encontrar trabalho na área. Lá, Fern conhece outros nômades e aprende habilidades básicas de sobrevivência e auto-suficiência para a estrada. Fonte: AdoroCinema

 

 

 

Regina King:

“Eu sou sua fã e acho seus filmes brilhantes, todos me emocionaram, de formas diferentes, agora devo dizer que “Hamnet” bateu fundo no meu coração. Eu fui assistir ao filme sem saber do que se tratava direito e, não quero dar spoiler aqui, quando vi, não contive as lágrimas. Eu saí do cinema e levei o filme comigo, ainda vou pensar nele durante muito tempo. A história é poderosa, muito bem contada e os atores estão simplesmente maravilhosos.”

 

 

Chloé Zhao:

“Eu fico muito emocionada e grata a você pelo seu carinho comigo e, especialmente, com esse filme.” (O filho de Regina King, Ian Alexander Jr. faleceu por suicídio em 2022).

Realmente, o elenco desse filme foi um presente. Eu lembro do primeiro encontro que presenciei da Jessie (Buckley) e do Paul (Mescal), e onde senti ali a química entre eles. As crianças também são incríveis.

 

 

O filme todo foi muito especial, mas a cena final é a minha favorita. A gente mudou o final do livro para criar uma experiência mais cinematográfica e acho que foi uma decisão acertada. A gente queria que tivesse uma vibe de sonho e por isso contratamos uma consultora de sonhos para o elenco, a equipe, os figurantes, todas as quase 500 pessoas que participaram daquela cena. Tanto a produção, quanto a filmagem e o pós foi muito tocante pra mim como cineasta e como ser humano. Esse é um trabalho que combinou tudo que aprendi na minha carreira, enfrentando os desafios e as delícias de fazer filmes independentes em Pine Ridge, com atores e não atores, que me ajudou a trabalhar melhor com as crianças. Tudo que experienciei no filme da Marvel, onde dinheiro não era problema. Hamnet é o resultado do meu aprendizado, ao longo dos anos. Agradeço a você Regina e a todos os presentes por prestigiarem meu trabalho e esse filme que é tão especial pra mim.”

Como Regina também sou fã de Chloé e me senti honrada em participar e brindar o sucesso de sua carreira e dos seus filmes que me inspiraram e emocionaram ao longo dos anos. Já estou pronta e ansiosa pro próximo trabalho da cineasta, que venha em breve!

 

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