Quando eu comecei a pesquisar hotéis para me hospedar em San Juan, Porto Rico, no réveillon, eu descartei de cara os resorts e os hotéis que ficam do lado da cidade que mais parece Miami e a Barra da Tijuca, onde morei no Rio, do que a ilha caribenha.
Foquei minha busca em Viejo San Juan, a cidade antiga, e encontrei a Casa Lucienne, um hotel que tem uma história tão interessante e fascinante quanto o próprio país.










Me hospedei lá, onde me senti mais uma privilegiada convidada dos donos da casa, o casal Lucienne Dhotelle Rexach e Félix Benítez Rexach, que deixaram de herança seu patrimônio para que desfrutássemos décadas depois de sua partida.
A parisiense Lucienne Dhotelle era a musa de ouro dos salões da alta sociedade na Europa. Vivia entre artistas, escritores e visionários, uma mulher a frente do seu tempo, era uma rebelde comprometida com a liberdade.


Até que em uma viagem de cruzeiro, conheceu o arquiteto e empresário porto-riquenho, Félix Benítez Rexach. Eles se apaixonaram e Lucienne mudou para a ilha caribenha.

A casa de Lucienne e Félix, do século 19, se transformou em uma espécie de santuário onde artistas, filósofos e mentes brilhantes se reuniam longe dos olhares do mundo.
Quando abri a porta de entrada, eu não imaginava que viajaria no tempo e atravessaria o oceano até os animados salões em Montmartre, na capital francesa, através da decoração da Casa de Lucienne, que foi preservada pelos administradores do hotel. Incluindo a piscina de água salgada, no subsolo, que também nos remete aos banhos da Grécia antiga, onde Lucienne se banhava sem roupa, e eu e uma amiga, usando biquíni, tomamos aquele banho pra limpar o corpo, no último dia de 2025.

Ao mesmo tempo que parece que estamos em Paris, a gente sente a alma caribenha dos ambientes, nos jardins, fontes e palmeiras.
O meu quarto era espaçoso e irreverente, a entrada do banheiro é do lado de fora, mas tem uma janela gigante que conecta os dois ambientes. Nunca tinha visto nada parecido. Achei um luxo! Sem contar que o chuveiro é aberto para o jardim interno do hotel. Não se assuste, não é devassado, mas mantém o ambiente ventilado.







Cada cantinho da casa reflete a personalidade de Lucienne, que expressou sua paixão pela liberdade e rebeldia até na escolha da cor da fachada de seu palácio, já que é a única preta nas ruas da antiga San Juan.



No terceiro andar, na parede da saleta próxima à suíte principal, vemos fotos de Lucienne e Félix e pela vibe do casal eu imaginei as festas divertidas que rolaram naquela residência séculos atrás.


Aproveitei para curtir o terraço refletindo sobre o passado, brindando o presente e fazendo planos para o novo ano, que é exatamente o objetivo da Casa Lucienne, onde o passado persiste, o presente se desenrola lentamente e o extraordinário está escondido à vista de todos.




No hotel, que é muito maior do que a gente imagina, embora tenha poucos quartos, temos a sensação que o tempo parece passar mais devagar, perfeito para pensar, e bater-papo cabeça, como os que tive com amigos ali.
Sem dúvidas é um lugar inspirador. O piano na sala está disponível para quem quiser tocar, assim como os livros e jogos que estão nas estantes e prateleiras espalhadas pela casa. O ateliê é um charme e está aberto para quem quiser pintar. A cozinha não pode ser usada pelos hóspedes, mas está aberta pra ser admirada.




Lucienne e o marido queriam que aquele lugar sobrevivesse a eles como um espaço onde pessoas criativas, modernas, pensadores e entusiastas da cultura se reunissem em cada quarto, jardim, nos corredores que foram projetados para inspirar reflexão, conexão, um refúgio de liberdade, longe dos olhares do mundo.
As pessoas que trabalham na Casa Lucienne seguem a cartilha dos anfitriões originais e nos recebem muito bem. Café e água estão à disposição dos hóspedes o dia inteiro, no salão principal.
Foi a melhor locação que eu poderia encontrar para minha visita de estreia a San Juan e, especialmente, para passar a última semana de 2025 e receber 2026, com a energia de pessoas que viveram intensamente, sem medo e com quem eu compartilho várias filosofias de vida.
Deixo a dica de hospedagem, ressaltando que esse não é um publi post, eu paguei pela minha estadia na Casa Lucienne e esse depoimento é genuíno, baseado apenas na incrível experiência que vivi no hotel. Aproveito para fazer um agradecimento especial ao Elias, que me auxiliou, deu sugestões e com quem tive uma conversa enriquecedora e aprendi muito sobre Porto Rico.
Curiosidade:
Félix Benítez Rexach e Lucienne Dhotelle se conheceram no navio Normandie SS, durante um cruzeiro. Alguns anos depois, em 1942, o empresário construiu o Hotel Normandie, em forma de transatlântico, em homenagem a sua esposa. Um presente que deu a Porto Rico também, sendo hoje um dos marcos da cidade de San Juan.

O hotel apresenta o mesmo design Art Déco do transatlântico que o inspirou, e a placa original do telhado do hotel era uma das duas placas que adornavam o convés superior do SS Normandie, mas que foram removidas durante uma reforma inicial. É um exemplo do estilo arquitetônico que ficou conhecido como Streamline Moderne.
O Hotel atualmente está fechado e o grupo que comprou deve reabri-lo depois de passar por uma reforma, ainda sem data anunciada para reinauguração.
Saiba mais e faça a sua reserva na Casa Lucienne, eu garanto que será uma experiência inesquecível e inspiradora:

Corre aqui pra saber porque Porto Rico é um destino de viagem imperdível:

