Porto Rico sempre esteve na mira do meu diário de viagem e fiquei ainda mas animada para conhecer, depois que um amigo carioca, que morava em LA, se mudou pra ilha e me disse que tinha clima de nordeste brasileiro.
E, tudo que eu precisava para o réveillon de 2026, era a vibe do Ceará, com as cores da Bahia e pitadas da Lapa e Santa Tereza, no Rio. Nos últimos anos, passei o réveillon no deserto e em um navio no oceano Pacífico. Experiências incríveis, mas temperaturas baixas, afinal, é inverno no hemisfério norte. Esse ano, eu queria trocar o casaco e a bota, por vestido de alcinha e chinelo e partir para uma aventura em um lugar que eu nunca tivesse ido antes.


Então, arrumei as malas e parti pra Porto Rico, em uma viagem que foi mais sensacional que eu imaginava e vai render mais capítulos do diário de viagem do que eu planejava, mas, me deixou com gosto de quero mais.
Valeu a pena enfrentar o longo voo de Los Angeles para San Juan, a capital da ilha, que fica no oceano Atlântico, perto da América do Sul (enquanto a Califórnia está do outro lado do país, no oceano Pacífico). O fuso horário é de 4 horas a mais, ou seja, no Caribe, eu estava mais perto do Brasil do que de casa. Aliás, fato que o país, além de ser lindo, é animado, e se parece muito mais com o nordeste brasileiro do que com os EUA.

Nesse primeiro capítulo, compartilho um pouco da história dessa ilha caribenha que pertence aos EUA, embora não seja um estado do país. Explico, os porto-riquenhos são cidadãos estadunidenses, mas não votam para presidente dos EUA e não têm representantes no congresso estadunidense.
Os EUA aproveitam da localização estratégia de Porto Rico, assim como fizeram os espanhóis séculos atrás.

A história da colonização da ilha começou com o assentamento do arquipélago pelo povo ortoiroideentre 3000 e 2000 a.C. Na época da chegada de Cristóvão Colombo ao Novo Mundo em 1492, a cultura indígena dominante era a dos taínos, que quase foram dizimados na segunda metade do século XVI por causa das novas doenças infecciosas transportadas pelos europeus, a exploração de colonos espanhóis e por guerras.
Em 25 de julho de 1898, durante a Guerra Hispano-Americana, os Estados Unidos invadiram Porto Rico. Como resultado da guerra, a Espanha cedeu Porto Rico, junto com as Filipinas e Guam, então sob soberania espanhola, para os Estados Unidos sob o Tratado de Paris.

Desde então, Porto Rico segue sob o domínio dos EUA. A melhor, e mais divertida, forma de entender o processo de colonização, é ouvir o espetacular álbum do Bad Bunny, DeBÍ TiRAR MáS FOToS, que fala mais verdades que qualquer livro de história e é o grande favorito a levar o Grammy, nas principais categorias esse ano.
Aliás, esse álbum foi a trilha sonora da minha viagem, que começou com um tour, que fiz a pé por Viejo Porto Rico (a cidade antiga), acompanhada de um guia, que mostrou os principais pontos históricos, como a praça com a estátua do colonizador Cristóvão Colombo e o Castelo de San Cristobal, um marco de San Juan.
Nomeado em homenagem a São Cristóvão, o santo padroeiro dos viajantes por terra, o Castelo de San Cristóbal é considerado a maior fortaleza construída nas Américas. Foi construído com o objetivo de proteger a cidade de San Juan de ataques terrestres vindos do leste. É uma fortificação com três níveis e uma extensa série de defesas externas, cuja construção levou mais de 150 anos para ser concluída.







Porto Rico tem em comum com o Nordeste a temperatura, não tem inverno por lá. Andamos pela cidade na temperatura de 30 graus. Enfrentei o calor e o sobe e desce nas rampas do castelo que, como um forte, tem terraços com vistas lindas do oceano Atlântico, túneis, e prisões secretas que visitamos no subsolo. Foi uma malhação, com muito aprendizado.









A influência da arquitetura dos colonizadores está presente tanto no Brasil, como em Porto Rico. Andar pelas ruas de San Juan é, praticamente, fazer um passeio pelo Pelourinho, em Salvador e nas ruas de Olinda, em Recife. Prédios coloridos nas ladeiras animadas por gente e música. Sem contar que, diferente dos estados nos EUA, em Porto Rico podemos consumir bebidas alcoólicas na rua. Ou seja, caminhamos carregando nosso drink, um prazer libertador, especialmente em uma viagem de réveillon.







Nesse primeiro dia eu já percebi que essa viagem seria melhor que os sonhos. E, ao longo dos próximos capítulos, vou mostrar pra vocês mais marcos históricos da cidade antiga e contar porque San Juan é uma versão caribenha do nosso nordeste, que pertence ao seu povo muito mais do que a qualquer colonizador.
Inclusive, bom saber que grande parte dos porto-riquenhos não fala inglês, só espanhol. Isso também é uma forma de resistência ao controle dos EUA sobre seu país. Aprenda mais ouvindo a obra preciosa de Bad Bunny, que só canta em espanhol, sobre sua terra natal. Aliás, na sua atual turnê, que fez residência em Porto Rico e vai passar pelo Brasil, o cantor não vai fazer shows nos EUA. Seu único show aqui será no Superbowl, o que também é um protesto ao que está acontecendo com os imigrantes latinos no país atualmente.
Vale a pena saber mais sobre o Castelo de San Cristobal. Confira aqui:

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Porto_Rico