Tour em mina de ouro é programa diferente para conhecer a história da Califórnia

Eu nunca tinha visitado uma mina de ouro, quando estive na The Eagle Mining Co., na charmosa cidade de Julian, que fica a aproximadamente 1 hora e 15 minutos de San Diego. Foi meu programa depois da San Diego Comic Con, em julho desse ano.

Para entender a importância das minas de ouro na Califórnia, que é chamada de “Golden State” (estado de ouro), é importante dar um contexto histórico.

 

 

Em janeiro de 1848, o carpinteiro James W. Marshall encontrou pepitas e flocos de ouro no rio American River enquanto inspecionava uma serraria de John Sutter, em Coloma, na Califórnia central, perto de Sacramento, que se tornou a capital do estado.

A população explodiu, pequenos povoados, como São Francisco, viraram cidades prósperas rapidamente, permitindo que a Califórnia virasse o 31º estado americano em 1850.

No auge da corrida do ouro, em 1849, a alta concentração de ouro na areia da Califórnia, permitiu que inicialmente se necessitasse apenas utilizar uma bateia, para obter um concentrado de ouro nos rios e correntes de água. Como não era possível fazer essa operação em grande escala, os mineiros começaram a projetar máquinas que os auxiliariam a processar grandes volumes de cascalho.

 

 

Na etapa seguinte, até 1853, tiveram lugar as primeiras operações de mineração hidráulica. Esta técnica foi utilizada em leitos de gravilha que havia nas colinas dos campos de ouro, dirigindo uma corrente de água de alta pressão até as jazidas de ouro, soltando a gravilha que é recuperada em canais, onde o ouro se sedimenta.

Em finais do século XIX, a tecnologia de dragagem era bastante econômica, e começou a ser usada para a exploração mineira na Califórnia. E foi no inverno de 1869 que o ouro foi descoberto na região que hoje é a cidade de Julian, por Fred Coleman, desencadeando a única corrida do ouro do Condado de San Diego.

A mina que visitamos foi estabelecida por volta de 1870. Os túneis de mineração em rocha dura, que estavam abandonados, foram restaurados ao seu estado original da década de 1870 por Ed e Ellen Sprague, após adquirirem a propriedade em 1967; o local continua sendo administrado pela família até hoje. O tour guiado custa US$ 20 por pessoa e leva aproximadamente 1 hora.

 

 

The Eagle Mining Co. é a mina mais próxima do centro de Julian, fica a 5 minutos de carro, em um refúgio montanhoso de belas paisagens.

O tour é interessante, caminhamos nas profundezas da mina, onde estão equipamentos de mineração antigos preservados e exposições de peças de época. Fazemos uma viagem ao passado e o que mais me impressionou foi que os mineiros abriram o buraco na rocha com as próprias mãos e ferramentas básicas. Além de usarem velas na escuridão, pois não tinham luz elétrica ainda. Realmente é um trabalho fascinante, considerando que foi realizado sem a tecnologia que temos hoje.

 

 

Eu que moro na Califórnia há anos e já tinha ouvido muitas histórias sobre a corrida do ouro, inclusive visitado várias cidades-fantasmas, que foram abandonadas quando o ouro acabou, achei bacana visitar uma mina pela primeira vez. Realmente é um programa interessante, especialmente em Julian, que é uma cidade que nasceu graças à corrida do ouro e sobreviveu ao fim dessa era. Vou contar mais detalhes e levar vocês para um tour em Julian, no post de quinta. Fiquem ligados!

 

 

Importante ressaltar que os custos humanos e ambientais da Corrida do Ouro na Califórnia foram catastróficos. Os índios nativos da região foram vítimas de doença, fome e ataques genocidas; a população nativa, estimada em 150.000 habitantes em 1845, diminuiu abruptamente para menos de 30.000 em 1870. Isso sem contar que saíram leis explicitamente xenófobas, procurando afastar os imigrantes da China e da América Latina. A quota mortal entre os imigrantes dos E.U.A. também foi severa; os índices de criminalidade durante a febre do ouro foram extremamente altos. O meio ambiente sofreu uma deterioração considerável, graças à gravilha, terra solta e químicos tóxicos empregados na mineração, que mataram animais e deterioraram habitats. Em suma, foi um fiasco que prova como o capitalismo selvagem vem destruindo o planeta e como a questão de imigração e a xenofobia são problemas que estão enraizados na cultura estadunidense desde a colonização. Visitar uma mina ou uma cidade-fantasma é uma oportunidade para refletir sobre os malefícios dessa exploração desenfreada e todos que sofreram as desastrosas consequências da corrida do ouro.

 

Tem curiosidade de conhecer uma mina? Confira:

 

 

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