Eu assisti “Hamnet – A Vida Antes de Hamlet” em uma sessão fechada para jornalistas e pessoas que trabalham no entretenimento em LA.

Geralmente nessas sessões, eu sou uma das poucas que choram ou gargalham, a galera é mais blasé, não ri tanto, não se emociona tanto, faz a linha “sou da indústria e estou acostumado(a)”.
Por isso, eu fiquei tão surpresa quando ouvi, desde o meio do filme, o choro da galera. Eu já estava aos prantos, praticamente desde o início e, pra minha surpresa, ninguém conseguiu conter as lágrimas na sessão privada, dessa vez.
O roteiro adaptado por Chloé Zhao e Maggie O’Farrell, do romance de 2020 de O’Farrell, é brilhante, assim como a direção sensível e precisa de Chloe, mas é a perfomance dos atores que toca tão profundamente nossos corações, especialmente Jessie Buckley e Jacobi Jupe, que interpreta Hamnet.

Em “Hamnet – A Vida Antes de Hamlet”, um dos mais importantes escritores do cânone ocidental William Shakespeare (Paul Mescal) vive uma tragédia ao lado de sua esposa Agnes Shakespeare (Jessie Buckley) quando o casal perde seu filho de 11 anos para uma das várias pragas que assolaram o século XVI. Hamnet (Jacobi Jupe) era o nome do menino e, nessa história ficcional sobre a vida doméstica de Shakespeare, Agnes é a narradora e o ponto de vista fundamental da narrativa, demonstrando o luto que acompanha o fim precoce da vida do seu herdeiro. A trama rejeita a faceta inabalável e intocável do gênio William Shakespeare, mas apresenta um artista que era influenciado, acima de tudo, pela sua vida diária. Explorando os temas da perda e da morte, Hamnet acompanha a rotina e o dia a dia de uma família, as alegrias e as tristezas de viver numa pequena vila na Inglaterra do passado e a história de amor poderosa que inspirou a criação da peça Hamlet. Fonte: AdoroCinema

O filme, que é uma ficção, fala de amor, família, perda, luto, e mostra os “bastidores” da vida do gênio William Shakespeare, e todas as dores e prazeres que inspiraram suas obras.
Todos nós passamos por situações semelhantes às mostradas no filme, por isso todos a minha volta no cinema se emocionaram. Eu mesma consegui ver a minha vida refletida na narrativa, mesmo o filme se passando no século 16.

A última cena é pura arte, um presente de Chloe, Jessie, do elenco e de todos os figurantes para os cinéfilos pelo mundo afora.
Não é à toa que “Hamnet – A Vida Antes de Hamlet” recebeu oito indicações ao Oscar (incluindo melhor filme, direção e atriz), já ganhou vários prêmios, inclusive o Globo de Ouro, na categoria melhor filme drama e Jessie levou a estatueta na categoria melhor atriz drama. Ela também é uma das favoritas a ganhar o Oscar.

Sinceramente, todos os prêmios merecidíssimos!
Quando os créditos subiram, a galera demorou a levantar e ir embora do cinema, a maioria avassaladora ainda chorava.
“Hamnet – A Vida Antes de Hamlet” é um daqueles filmes que nos fazem extravasar emoções e repensar atitudes. Uma linda obra, que pra mim também serviu como sessão de terapia. Imperdível!