Quando eu cheguei em San Juan para passar o réveillon, eu tinha planejado meus passeios históricos e de barco até a ilha de Culebra, mas eu não tinha ideia do que fazer na noite da virada.
Depois de visitar os castelos, aprender tudo sobre Porto Rico, mergulhar nas águas quentinhas e claras do Caribe e curtir até um banho na piscina de água salgada na Casa Lucienne, onde fiquei hospedada, era hora de me preparar para a chegada de 2026.

Em San Juan, tem show de fogos de artifício e várias atrações para celebrar o ano-novo no Distrito T-Mobile, onde a maioria dos turistas passa a virada.
Mas eu e minha amiga não queríamos fazer um programa turístico, a gente queria passar o réveillon com os locais, o povo de San Juan, os porto-riquenhos.
Seguimos a dica de um jovem bartender, que conhecemos quando fomos tomar drink no La Mallorquina, o restaurante mais antigo de San Juan, e partimos para a “La Placita”, que é combinação de Lapa com a feira de São Cristóvão, no Rio.
Durante o dia “La Placita de Santurce é um farm market, ou seja, um mercado que vende verduras, frutas, carnes, flores, fundado em 1910, fica no bairro Campo Alegre. Levamos uns 15 minutos de carro da antiga San Juan, onde estávamos hospedadas até esse cantinho que é bem tradicional, embora agora esteja no meio da “moderna” San Juan, que parece com Miami, já que a cidade cresceu envolta do local.
Mas a originalidade da “La Placita Santurce” permanece intacta. Quando cai a noite e os bares e restaurantes, que ficam nos quarteirões que cercam o mercado, abrem, as ruas fecham para os carros e viram uma pista de dança, com barraquinhas. Na maior delas, rolam shows e DJs, nas demais, a gente pode comprar bebidas e comidinhas, o me lembrou as quermesses (festas de rua) que eu frequentei no subúrbio carioca e nas cidades de praia, como Araruama e Saquarema, quando eu era criança, no final dos anos 70 e início dos anos 80.
De cara, compramos cerveja de US$ 2, a mais barata que tomei na última década, e fomos dançar os hits de Bad Bunny que tocavam em todos os bares. Na rua principal, em frente ao mercado, que já estava fechado, uma banda e um DJ animavam a galera com clássicos porto-riquenhos. Diferente dos EUA, em Porto Rico – que é um território que pertence ao país, mas não é um estado – podemos consumir bebidas alcoólicas na rua. Liberdade total!




Essa noite foi realmente um presente que dei pra mim mesma. Há anos não passava o réveillon de vestido branco de alcinha e chinelo havaiana, na rua, com um drinks na mão, sentindo a brisa do mar e o cheiro de maresia, numa vibe bem Fortaleza, sem multidão, sem perrengue, sem luxo, cercada do povo, não de turistas, gente de todas as cores e idades, feliz e relaxada, tomando cerva gelada, bons drinks, com música animada e fogos de artifício providenciado pelos vizinhos do bairro.



Me senti em casa e radiante por não ter planejado antes a noite do réveillon e ter seguido a sugestão do bartender que, por sinal, encontramos novamente trabalhando nos bares em “La Placita”. Aliás, os jovens prepararam os melhores e mais fortes drinks da noite pra gente!
Antes mesmo de Bad Bunny, no halftime show do Super Bowl, nos lembrar que a América é uma só e todos somos americanos, eu já tinha visto que Brasil e Porto Rico têm inúmeras coisas maravilhosas em comum, incluindo o povo festeiro e acolhedor e um réveillon pra lá de alto astral, em clima de verão (a estação oficial é inverno, mas no Caribe o sol brilha o ano inteiro).
Gostei tanto, mas tanto que estou considerando repetir a dose esse ano, se não no réveillon, no meu aniversário. Certamente, essa foi a melhor virada que passei nos “EUA” desde que me mudei pra cá. Fato que comecei 2026 com a energia que eu precisava para enfrentar os desafios e curtir com mais entusiasmo as delícias da jornada!
Não deixem de conferir as aulas de história nos tours que fiz na terra de Benito e o belíssimo passeio de barco em Culebra:





