O premiado I swear aborda a complexidade da Síndrome de Tourette

“I Swear” é a poderosa história real de John Davidson (Robert Aramayo), ativista na luta pela conscientização sobre a Síndrome de Tourette. Dirigido por Kirk Jones, o filme é um relato divertido e comovente de suas experiências, ao acompanhar John ao longo de sua adolescência e início da vida adulta, explorando uma condição que era pouco conhecida e totalmente incompreendida na Grã-Bretanha dos anos 1980.

 

 

Eu não tinha ideia do que era a Síndrome de Tourette até ler sobre o filme e assistir a uma sessão especial que contou com a presença do diretor, Kirk Jones e do protagonista Robert Aramayo, em LA.

 

 

No papo após o filme, Kirk e Robert comentaram sobre a jornada do projeto, a relação deles com John, a excelente recepção desse trabalho que rendeu a Robert dois BAFTAs (prêmio que corresponde ao Oscar na Inglaterra), nas categorias melhor ator, melhor ator estreante. O filme também levou a estatueta na categoria melhor elenco.

 

Compartilho abaixo os destaques da conversa:

 

Kirk Jones:

Porque fazer o filme:

“Eu vi o documentário e soube do trabalho que o John estava fazendo para educar as comunidades sobre a Síndrome de Tourette e propus a ele fazer o filme com o compromisso de não transformar a história dele em um drama hollywoodiano. Por isso, foi tão importante contar com a presença dele no set. Inclusive o John é produtor executivo do filme e esse título não é só um crédito, ele foi fundamental para o filme ser o que é e teve a palavra final no roteiro, ajudou o elenco, a equipe e me orientou na direção. Todas as mudanças que ele sugeria, eu fazia, porque eu queria retratar com respeito a história da comunidade portadora da síndrome.”

 

 

A produção:

“Foi um filme independente, tínhamos pouquíssimo dinheiro. Mas, além de ter sido um aprendizado pra mim, foi o filme que tive mais liberdade em todas as decisões criativas até hoje. Não tinha que dar satisfação para um estúdio ou uma produtora. Eu e minha esposa vendemos a nossa casa pra fazer esse filme e foi uma decisão acertada. Eu sentia isso desde o começo pois é o meu trabalho mais relevante até o momento, o mais gratificante pra mim também.”

 

 

A recepção:

“O nosso objetivo era justamente mostrar a seriedade da Síndrome de Tourette e as dificuldades que os portadores enfrentam, queríamos educar a sociedade sobre esse assunto tão sério e ver o filme ser tão bem recebido foi uma felicidade pra todos nós. Pra mim, a opinião mais importante era da comunidade, os portadores da Síndrome de Tourette e familiares, incluindo o John, e eles apreciaram o filme, se emocionaram, se viram na telona e isso é o maior prêmio pra mim. Valeu a pena todos os sacrifícios que fizemos para realizar esse projeto.”

 

 

Robert Aramayo

Sobre o personagem:

“Esse trabalho foi realmente muito especial e o John foi fundamental para a minha performance. Passamos muito tempo juntos, aprendi muito com ele, não só sobre a Síndrome de Tourette, como sobre a vida. Ficamos muito próximos e tenho a alegria de dizer que ele é meu amigo. Esse personagem, realmente, mudou a minha forma de enxergar a vida. Sou uma outra pessoa depois desse trabalho.”

 

 

A produção:

“Foi uma honra participar desse filme e trabalhar com o Kirk. A paixão dele por esse projeto foi contagiante. Toda a equipe deu o sangue para que esse filme fosse autêntico e seguisse a visão do Kirk e do John. Foram poucos dias e longas horas, mas o talento de todos os envolvidos está nos detalhes dessa produção.”

 

 

O elenco e os prêmios:

“Foi muito legal contracenar com atores portadores da síndrome. A minha atuação foi o resultado desse elenco mágico que o Kirk escalou. Fiquei muito feliz e surpreso com o reconhecimento que recebi no BAFTA, e ainda mais orgulhoso pelo prêmio que a produção de elenco recebeu. Merecido!”

 

 

Esse filme é necessário, ri, chorei, me emocionei profundamente e aprendi muito. É o cinema cumprindo a função de entreter e ensinar ao público sobre assuntos relevantes como a Síndrome de Tourette. Esse é um daqueles filmes que eu saí do cinema, mas vou carregar comigo por muitos anos. Sem contar que o Robert mereceu todos os prêmios, ele está brilhante. Simplesmente imperdível conferir!

 

 

A Síndrome de Tourette (ST) é um transtorno do sistema nervoso caracterizado por movimentos e sons involuntários e repetitivos, conhecidos como tiques motores e vocais (por exemplo, piscar os olhos, encolher os ombros, pigarrear). Os sintomas geralmente surgem entre os 5 e os 10 anos de idade, frequentemente diminuindo de gravidade na vida adulta. Embora seja causada por fatores genéticos e ambientais complexos, e não tenha cura, tratamentos como a terapia comportamental (CBIT) e a medicação auxiliam no manejo dos sintomas, que frequentemente estão associados ao TDAH, ao TOC ou à ansiedade.

Os tiques são classificados como simples ou complexos e são, frequentemente, precedidos por um “impulso premonitório” — uma sensação que precisa ser aliviada.

Tiques Motores: Movimentos involuntários, como piscar os olhos, fazer caretas, sacudir a cabeça, encolher os ombros e tocar em objetos.

Tiques Vocais: Sons involuntários, como pigarrear, fungar, grunhir, latir ou tossir.

Tiques Complexos: Raramente, estes incluem o uso involuntário de palavrões (coprolalia), a repetição das próprias palavras (palilalia) ou a repetição das palavras de outras pessoas (ecolalia).

Características: Os tiques podem piorar com o estresse ou a ansiedade, são involuntários (embora, por vezes, possam ser temporariamente suprimidos) e persistem por mais de um ano.

 

 

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