ATX Festival: Série Sex/Life aborda a sexualidade feminina após o casamento

A criadora de Sex/Life, Stacy Rukeyser, não estava brincando quando disse, no painel do ATX Television Festival, que a série iria mostrar um outro lado da vida dona de casa, da classe média branca nos EUA. “Assim como Billie (a personagem principal) eu vivi em Nova York antes de casar, e aproveitei muito minha vida de solteira. Mas a sociedade impõe a nós mulheres que depois que casamos e temos filhos, o nosso passado deve ser apagado como se nunca tivesse existido, o que é um erro, porque aquela pessoa que éramos (e que eu fui) vai fazer parte da gente pra sempre. A trajetória da protagonista da nossa série mostra isso claramente, o que me deixa feliz”.

“É uma reinvenção da heroína, feminina, sexy, humana, que não deixou de ser a mulher que é porque casou e teve filho”, complementa Dale, o produtor executivo.

A série estreou no último dia 25 de junho na Netflix. Protagonizada por Sarah Shahi, que interpreta Billie Connelly, uma dona de casa que tem dois filhos pequenos e mora em um subúrbio de Connecticut. Casada com o bem-sucedido e carinhoso Cooper (Mike Vogel), sua vida era praticamente um comercial de doriana, mas seu passado era o retrato da boêmia e não ficou completamente apagado depois que ela deixou Manhattan, onde fazia noitadas épicas com sua melhor amiga Sasha (Margaret Odette) e viveu uma tórrida história de amor com seu ex-namorado Brad (Adam Demos), um sedutor produtor musical.

Sarah revela que esteve no lugar de Billie, foi casada e tem filhos, e afirmou que isso a ajudou a entender os conflitos que a personagem estava passando, “eu me reconheci na jornada de Billie, isso tornou esse trabalho ainda mais atraente. Sem contar que acham que a maternidade anula todos os outros sentimentos de uma mulher, o que eu posso dizer por experiência própria é um engano. Uma mulher se torna mãe, mas continua tendo os desejos e anseios sexuais, pessoais e profissionais que nasceram com ela. Acho que a maternidade só ajuda a florescer o que temos de melhor e sexo é uma coisa boa. Essa personagem deixa isso claro, a gente quer e pode sim ter tudo que sonha”.

Sarah Shahi

Margaret Odette, que deu vida à Sasha, fala sobre sua personagem que tem alma livre e representa muitas mulheres que são criticadas por adotarem um outro estilo de vida, “interessante que a sociedade acha normal um homem sair com os amigos, se divertir, fazer sexo com quem quiser, quando se trata de uma mulher, preta então, aí não pode. Acho que a série desmistifica esse conceito e até a amizade entre as duas mulheres, a forma como são tratados os conflitos entre elas é muito inteligente, madura, diferente. Não é sobre rivalidade feminina, mas o amor que une essas duas amigas”.

Margaret Odette

Adam Demos, o super sexy ex Brad, na vida real namora Sasha, mas o ator afirma que nem por isso as cenas de sexo ficam menos desconfortáveis, “é sempre um desafio, talvez ainda maior. Mas essa equipe é incrível e todas as cenas existem com o propósito de ajudar a contar a estoria desses ricos personagens. A jornada do Brad, por exemplo, é fascinante e o melhor é que seus problemas familiares não são usados para justificar seus erros. Isso sim é um bom roteiro”.

Adam Demos

Mike Vogel é o marido dedicado e competente de Billie, o ator não só concorda com o brilhantismo do roteiro, como diz que é refrescante assistir um seriado que prestigia as mulheres de uma forma não vista antes, “o comportamento do meu personagem no piloto retrata perfeitamente o homem, branco, provedor, nesse país. Por isso essa estoria deve ser contada, Cooper pode servir de exemplo pra muita gente repensar se já se deu ao trabalho de realmente conhecer a sua esposa e rever a forma como está se comportando dentro do seu casamento. Uma lição”.

Mike Vogel

Confesso que comecei a maratonar a série sem muita expectativa mas, depois do papo com o elenco, me animei e não consegui parar até o último episódio, que me surpreendeu positivamente. A produção não é nenhum espetáculo, tem momentos folhetinescos inclusive, mas, mesmo não sendo casada, não tendo filhos e não sendo uma branca estadunidense, eu me senti representada. Afinal, não é sempre que a gente assiste uma série onde a sexualidade da mulher é explorada de uma forma respeitosa e contada pelo ponto de vista de uma mulher tanto na frente como atrás das câmeras. Curti muito. Achei inspirador e indico!

 

 

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