Muita gente que eu conheço acha Nova York uma cidade movimentada, barulhenta e caótica. Outros se sentem claustrofóbicos diante dos arranha-céus e das multidões nas ruas e também não curtem a Ilha. Interessante que o incomoda algumas pessoas é a que mais me fascina na Big Apple. Los Angeles, onde moro hoje é uma tranquilidade perto de NY que me lembra mais do Rio, onde cresci e vivi até os 36 anos. Ou seja, a The City tem a energia de casa pra mim.


Minha paixão por NY nasceu na adolescência, graças aos filmes e séries. O mais fascinante é que sinto agora as mesmas borboletas no estômago, que tanto emocionaram a menina de 16 anos que visitou a cidade pela primeira vez, em 1989, todas as vezes que ando por Manhattan.



A Ilha sempre me traz boas surpresas, seja no caos do trânsito e de gente durante o dia, como no silêncio das ruas, altas horas da noite; viramos uma esquina e nos deparamos com símbolos da cidade, como o Empire State, e temos a sensação de estar em um filme ou um episódio de “Sex & The City”.


Uma característica de NYC, que é diferente das grandes cidades brasileiras, é a transformação da Ilha quando a noite cai. O “formigueiro” de turista e New Yorkers que lota as calçadas de dia se recolhe e os boêmios caminham tranquilamente, contando apenas com a companhia dos prédios suntuosos na madrugada.


Me encanta ver os arranha-céus das ruas, mas quando vejo a majestosa cidade do alto de um terraço, fico ainda mais deslumbrada. Não importa quantas vezes já estive lá ou o tempo que morei lá, volto a ser apenas a menina adolescente que aterrizou em NY nos anos 80 e se deparou com aquela magia pela primeira vez. Uma sensação única que, honestamente, eu não tenho em Los Angeles, onde moro, ou no Rio, onde cresci. Tanto LA como o RJ são cidades que amo profundamente e onde tenho as minhas pessoas, mas tenho uma relação diferente com NY, que é uma fonte de inspiração pra mim, um lugar onde vivi momentos de virada na minha jornada e onde também encontro amigos queridíssimos, que marcaram a minha história.





Pode parecer estranho ler isso, mas a minha sensação em NY é parecida com a sensação que tenho quando vou a uma floresta ou quando estou no deserto. Sinto na pele que o mundo é maior que eu, o que me faz repensar valores que dou a determinadas coisas que acontecem no meu dia a dia, e isso me traz paz.
Além de repensar a existência, a The City me proporciona aventuras únicas.
Por exemplo, nessa última visita, eu fiz vários programas fantásticos na semana que passei na cidade pra celebrar meu aniversário, mas vou destacar aqui um presente que recebi da Ilha, assistir o “Hamilton” no cinema, na companhia de adolescentes.
Eu já tinha visto o musical na Broadway e na Disney Plus, mas assistir na telona foi extraordinário. Verdade seja dita, fiquei apavorada quando os adolescentes começaram a lotar o cinema, acompanhados de professores, claramente uma excursão de escola. Quem me conhece sabe que eu gosto do silêncio sepulcral no cinema e tenho pavor de quem mastiga qualquer coisa, especialmente pipoca.

Mas, quando o filme começou, eu paguei a minha língua. Pra começar, notei que a garotada sabe comer pipoca e saboreou sem fazer barulho e sem afetar a minha misofonia.
Além disso, ver a forma como eles interagiram com o musical no cinema, me emocionou. Os estudantes eram pretos e latinos, que se identificam profundamente com o material. A genialidade do criador Lin-Manuel Miranda é tão evidente na telona, como nos palcos e na telinha e os adolescentes aproveitaram a aula de história com leveza e diversão, graças à forma como Lin e o fantástico elenco original contaram e interpretaram a vida do primeiro secretário do tesouro dos EUA, Alexander Hamilton.
Sem dúvidas, a minha experiência foi enriquecida pelos jovens que me cercavam. Eu ri e chorei com eles, aplaudi quando eles aplaudiram e cantei quando eles cantaram.
“Hamilton”, que estreou nos cinemas para comemorar os 10 anos da estreia na Broadway, é tão brilhante que mudou até a minha maneira de curtir um musical no cinema. Fato que saí da sessão me sentindo a pessoa mais sortuda do mundo por ter assistido o espetáculo com a garotada. Foi inesquecível!



Eu entendo quem não gosta do caos de Nova York, mas eu sou uma eterna apaixonada pelas buzinas, pelos prédios gigantescos e pelas aventuras que só acontecem na minha jornada quando eu estou na The City.
Eu posso até sair da Ilha, mas a Ilha segue comigo por onde eu for… desde a minha visita, que mudou a minha visão de mundo, em 1989. Fica aqui mais essa carta de amor às ruas, terraços, cinemas e experiências que vivo em NY!
Compartilho meu amor por Hamilton com os fãs e apresento Hamilton para quem ainda não o conhece. Vem conferir:

A celebração do meu aniversário mais dançante na última década, no show da Dua Lipa em NY, aumenta o som e confira:
