Foi Apenas um Acidente e Sirât estão em nossa lista de boas surpresas nas indicações ao Oscar

Esse ano, os filmes indicados ao Oscar na categoria filme internacional estão entre meus filmes favoritos de 2025.

Já falei aqui sobre o nosso “O Agente Secreto”, “Valor Sentimental” e a “Voz de Hind Rajab”.

Para concluir essa categoria nota 10, compartilho, sem spoilers, minhas impressões sobre “Foi Apenas um Acidente”, dirigido pelo premiado diretor iraniano Jafar Panahi, e o espanhol “Sirât”, que foi um dos filmes que mais me surpreendeu nessa temporada.

 

Foi Apenas um Acidente

 

 

Em “Foi Apenas um Acidente”, um grupo de cidadãos organiza um plano de vingança contra um homem que eles acreditam ser seu torturador. Um mecânico chamado Vanid foi, certa vez, aprisionado pelas autoridades iranianas, interrogado de olhos vendados e torturado sem escrúpulos. Um dia, anos após os traumas do seu passado, um homem chamado Eghbal entra na oficina onde Vanid trabalha. Um acidente envolvendo um cachorro danifica o carro de Eghbal e o coloca no caminho de Vanid, numa artimanha do destino que irá mudar por completo a vida de ambos. Vanid reconhece Eghbal como o seu torturador pelo som da perna protética que ele ainda ouve nos seus pesadelos. Determinado a se vingar do sujeito, o mecânico busca ajuda de outros prisioneiros para tentar descobrir se o homem com quem cruzou é, de fato, o agente do Estado que o dilacerou emocional e fisicamente. Fonte: AdoroCinema

 

 

Eu sou fã de um roteiro original e “Foi Apenas um Acidente” mereceu mesmo a indicação ao Oscar nessa categoria. O roteiro é sensacional. Eu também admiro muito o trabalho do diretor iraniano Jafar Panahi, um ávido crítico do regime do país.

 

 

Acredito que esse filme é um dos seus trabalhos mais brilhantes, criativos e um atestado de resistência. Panahi filmou “Foi Apenas um Acidente” em segredo, sem autorização da República Islâmica. Inclusive, as atrizes do filme nem sempre usam o hijab, que é obrigatório para as mulheres segundo a lei iraniana.

O filme é uma coprodução Luxemburgo e França e está representando a França no Oscar. No festival de Cannes ganhou o the Palme d’Or e foi o primeiro filme iraniano a ser indicado ao Globo de Ouro nas categorias melhor filme drama, melhor diretor e melhor roteiro original.

 

 

O cineasta foi preso várias vezes e usa seu talento e suas plataformas na luta contra o regime de seu próprio país o que, na minha opinião, é a função mais importante da arte.

 

Sirât

 

 

“Sirât” apresenta a história de um pai (Sergi López) e um filho (Bruno Núñez) chamados, respectivamente, Luis e Esteban, que viajam até o Marrocos atrás de uma rave no meio das áridas montanhas do deserto. A dupla está em busca da filha e irmã, Marina, que desapareceu meses atrás em outra dessas grandiosas e excessivas festas. Eles distribuem a foto da jovem pelos festeiros que se movem ao som da música eletrônica com uma liberdade que o pai e o filho menor desconhecem. Movidos pela esperança e pelo destino, os dois decidem seguir um grupo que está à procura de uma última festa que acontecerá no meio do deserto. Os cinco amigos tentam convencer Luis e Esteban a não segui-los, mas a dupla insiste e os sete acabam formando um forte laço e compartilhando histórias de vida e obstáculos pelo caminho até a rave. Lá, esperam encontrar a jovem Marina. Fonte: AdoroCinema

 

 

Eu fiquei completamente passada, supresa e emocionada com a virada do filme, que ganhou o prêmio do Júri, em Cannes e está representando a Espanha com a indicação ao Oscar, na categoria melhor filme internacional. “Sirât” também recebeu uma indicação na categoria melhor som.

 

 

Sinceramente, o filme reafirmou minhas teorias de vida que, por mais clichês que pareçam, são absolutamente verdadeiras. “Sirât” mostra como os nossos planos podem ir por água abaixo em um segundo e como a vida é mesmo mais sobre a jornada, do que o destino.

Eu não sabia absolutamente nada sobre o filme quando comecei a assistir e sugiro que você veja sem ter muita noção do que se trata.

Compartilho aqui algumas curiosidades que vão tornar sua experiência ainda mais interessante, sem dar nenhum spoiler.

O filme foi rodado na Espanha e em Marrocos. A música é um personagem importante na narrativa e o som é fantástico.

 

 

Além do protagonista Sergi López e do antagonista Bruno Núñez, nenhum dos integrantes principais do elenco eram atores profissionais. A seleção de elenco, liderada pela figurinista Nadia Acimi, frequentadora de raves, foi realizada em eventos e nas cidades da Europa. Jade Oukid, fotógrafa francesa, cineasta amadora e costureira, foi descoberta em um festival em Portugal. Tonin Janvier, artista de rua francês, passou boa parte da vida na África Ocidental e perdeu uma perna em um acidente de moto. Stefania Gadda, rancheira italiana que vive isolada da sociedade, foi encontrada na cidade espanhola de Órgiva por recomendação de moradores locais.

Eu acho que o elenco de não atores, que usam seus próprios nomes no filme, foi fundamental para a forma brilhante como a narrativa foi contada. Sigo refletindo sobre “Sirât” e sobre as lições que aprendi com o filme, que também reafirmou a forma que eu optei por caminhar na vida. O presente é o lugar onde moro.

Tanto “Foi Apenas um Acidente”, como “Sirât” são filme imperdíveis que vão além do entretenimento, nos ensinam sobre o mundo, sobre seres humanos, sobre política, sobre o tempo, sobre o que buscamos e como vivemos. Sobre a liberdade em todos os sentidos. Dois filmes que me ensinaram muito sobre a minha própria jornada. Geniais e imperdíveis!

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