Liane Moriarty Fala Sobre Seus Livros Em Encontro Com Fãs

Tudo que um fã quer escutar do seu ídolo é que você o ajudou a realizar melhor uma determinada tarefa dele. Vocês podem imaginar como fiquei histérica quando a simpática e sorridente escritora australiana, Liane Moriarty, autora dos livros “O Segredo Do Meu Marido” e “Pequenas Grandes Mentiras”, me disse que eu fui a pessoa que ela passou uma hora usando como referência na plateia durante a palestra que fez sobre a sua carreira na livraria Barnes & Noble em Los Angeles.

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Claro que eu estava sentada na primeira fila, e acompanhando atentamente cada palavra que Liane pronunciava, fã de carteirinha da escritora, li seus 7 livros publicados nos EUA em menos de 3 meses. Liane esta fazendo um tour pelo país para lançar seu novo livro: “Truly, Madly Guilty,” que ainda não foi lançado no Brasil, mas eu deslumbrada garanti minha cópia autografada e uma foto com a escritora no evento.

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Mais uma vez quem trouxe Liane para minha vida foi ninguém mais, ninguém menos que Shailene Woodley. Ela é uma das protagonistas da série da HBO, baseada no best-seller “Pequenas Grandes Mentiras”, juntamente com Nicole Kidman e Reese Witherspoon, que tem estreia prevista para 2017. Aliás, a lista de coisas bacanas que Shai me apresenta só aumenta, sem dúvidas, mas com Liane foi a mesma paixão que senti por John Green, outro grande amigo da atriz.

Amo forte todos os livros de Moriaty, mas o meu favorito é “O Segredo Do Meu Marido” que, para a sorte dos brasileiros, já tem sua versão em português. O tema principal da obra é a culpa, tratado pela escritora da mesma forma brilhante que John fez em “Quem É Você Alasca”. É imperdível e não é à toa que está na lista dos mais vendidos do New York Times, assim como “Pequenas Grandes Mentiras”, que também é sensacional.

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Melhor que os personagens e as histórias que Liane criou foi saber um pouco mais de sua trajetória. Destacamos os melhores momentos do bate-papo para compartilhar com vocês, especialmente àqueles que como nós têm o melhor dos hábitos: a leitura. E também para os amigos que sonham um dia em escrever profissionalmente. Vale conferir o trabalho desta escritora que nos mantém engajados do primeiro ao último parágrafo de seus livros, com histórias baseadas nas suas próprias experiências de vida, como ela mesma revelou para nós em nosso encontro.

“A gente não lembra de dias, lembramos de momentos” e eu lembro que desde criança meu pai nos incentivava a escrever. Ele nos pagava US$ 1,00 (um dólar) por página das histórias que apresentamos para ele. Naquela época eu escrevia muito, tinha o sonho de ser escritora. Mas, à medida que o tempo passa, as inseguranças surgem e eu não sabia se era boa o suficiente. Acabei investindo numa carreira em marketing. Até o dia que eu estava trabalhando como gerente de marketing em uma editora e minha irmã me ligou dizendo que o livro dela ia ser publicado.

Foi por conta desta ligação que eu me mexi e resolvi começar a escrever também. Eu amo de paixão a minha irmã, mas foi o ciúmes que senti dela o pontapé inicial pra minha carreira como escritora.”

A Batalha

“E assim nasceu meu primeiro livro ‘Three Wishes’ (diga-se de passagem um dos meus favoritos também, infelizmente ainda não publicado no Brasil). Mas esta profissão não é fácil, não basta termos um livro publicado, temos que correr atras para colocá-lo nas livrarias e para que a livraria o coloque num lugar visível. Foi uma batalha até eu atingir este patamar e sou muito grata por ter chegado onde estou.”

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A origem das ideias

Muitas das minhas ideias vêm ou de artigos e notícias que leio, ou de um episódio que aconteceu com algum amigo ou familiar e acho interessante, e especialmente das minhas próprias experiências de vida como no livro “The Hypnotist’s Love Story”, quando comecei a namorar meu marido ele me disse que estava sendo “stalkeado ” por uma ex namorada e uma vez nos estávamos jantando e ele recebeu uma mensagem de texto dela dizendo dizendo que eu parecia legal. Ela estava no mesmo restaurante e isso virou uma passagem do meu livro, porque pra ser sincera com vocês eu não fiquei com ciúmes, mas fiquei curiosa, achei interessante toda esta historia. E dai coloquei tudo no papel.

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“Já ‘O Segredo Do Meu Marido’ foi baseado em um artigo que li sobre confissões no leito de morte. E fiz uma pesquisa sobre pessoas que carregam um segredo a vida inteira, e descobri o peso gigantesco que elas carregam. Achei bacana escrever sobre o aspecto psicológico do segredo.

Em ‘Pequenas Grandes Mentiras’ eu tive a ideia de fazer uma ‘Trivia night’ (um baile à fantasia com jogos) porque estava fazendo um tour com uma outra escritora e ela estava procurando um colar pra usar com a fantasia da Audrey Hepburn na ‘Trivia Night’ da escola da filha dela. Achei incrível, as mulheres iam de Audrey e os homens de Elvis Presley. É por isso que a história do livro se desenrola com base na ‘trivial night’.

E o outro tema que trato no livro foi inspirado numa história que uma amiga minha me contou, também aconteceu na escola da filha dela. No primeiro dia de aula duas meninas saíram da aula com mordidas no braço, e disseram que tinha sido um menino que tinha machucado elas. A professora colocou os meninos enfileirados para elas apontarem quem era o culpado e achei esta cena fascinante, que é como começa ‘Pequenas Grandes Mentiras’. No caso das meninas da escola da minha amiga, elas confessaram que morderam elas mesmas para chamar atenção, mas no livro é realmente uma das crianças, sendo que outra é acusada injustamente, e sofre bullying, pois eu queria abordar também este assunto.”

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” ‘What Alice Forgot’ foi baseado também num artigo que li de uma mulher que estava malhando, caiu e perdeu a memória. Fiquei tão curiosa quando eu li o artigo, só imaginando qual seria a sensação da pessoa não lembrar dos próprios filhos, que foi até fácil desenvolver o livro, que vai ser adaptado para o cinema. Eu nunca vi meu marido tão feliz, como quando ele soube que Jennifer Aniston será a Alice. O sonho dele é que se realizou. Estou super contente também e ansiosa para começarem as gravações.”

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“E, finalmente, meu último livro foi baseado em um episódio que aconteceu na minha vida mesmo, durante um churrasco. Eu não quero dar spoilers, mas conta a história de 3 mulheres. Uma violoncelista, que tem duas filhas. A melhor amiga dela, que tem dificuldades para engravidar e cuja mãe é acumuladora e a terceira e uma stripper, super bem casada. Mas o tema principal do livro também é a culpa, em vários níveis.

O legal foi que aprendi bastante sobre o processo de audição de um violoncelista, pois fiz entrevistas com várias pessoas do ramo, além de ler bastante sobre os acumuladores. Agora a stripper era amiga de uma amiga. O mais engraçado de entrevistá-la era a nossa reação às histórias dela. Somos mulheres de classe média, conservadoras, e nossos comentários sobre a experiência dela foram mais loucos do que o que ela contou sobre o clube de striptease que ela trabalhava. E o nosso comportamento diante do assunto também foi para o livro.

E em geral, na maioria dos meus livros alguém tem problemas para engravidar, porque eu tive que fazer tratamento para ter meus filhos. Além disso, minhas personagens são mulheres que casam mais velhas, assim como eu, tinha trinta e muitos quando conheci o meu marido. Demorei para achar a minha alma gêmea, e sempre procuro mostrar quão desesperada uma mulher no final dos 30 anos está para casar e ter filhos, porque é meu autorretrato. E no meu primeiro livro eu tive o prazer de colocar um personagem baseado num ex-namorado muito maldoso que tive, e no livro eu o matei. Foi uma catarse.”

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Rapidinhas em resposta às perguntas da plateia:

A minha foi sobre o epílogo de “O Segredo Do Meu Marido” que é o melhor epílogo que já li até hoje. Perguntei se Liane tinha planejado terminar o livro daquela forma e para a minha surpresa, ela disse: “não, eu não faço nenhum planejamento nos meus livros, eu sabia o segredo desde antes de começar a escrever mas, de resto, só tenho mesmo um outro documento do word aberto onde vou rascunhando algumas alterações, mas eu não sabia mesmo”. E me agradeceu por elogiar o epílogo completando sorrindo: “você sabe que o meu editor detestou o epílogo e queria que eu o tirasse do livro, eu bati o pé e deixei. tem gente como você e eu também que gosta, mas tem muita gente que achou desnecessário, já me falaram várias vezes que odiaram”.

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Nossa colunista Raquel Zambon, também fã de Liane, me acompanhou no evento e fez uma pergunta a escritora sobre onde ela busca as fontes para as pesquisas:

“Eu faço pesquisas de coisas que eu acho interessante, e as pessoas estão sempre dispostas a ajudar e adoram falar de suas vidas, então quando preciso fazer pesquisa converso com as pessoas que inspiram ou têm profissões ou comportamentos dos meus personagens e ali consigo as informações que preciso para contar a história. É impressionante mas as pessoas se sentem lisonjeadas em contarem as suas histórias, ate as mais íntimas, é mais fácil conseguir informações do que a gente imagina.”

Qual o personagem masculino e mais parecido com o seu marido?

“O marido da Madeleine em “Pequenas Grandes Mentiras” é o personagem mais parecido com o meu marido. Mas ele não é muito de ler, o que é até bom porque se ele soubesse ia ficar me questionando (risos). Mas às vezes, ele chega no computador e tem alguma documento do word aberto e ele lê alguns parágrafos e diz, ‘mas como assim, você está contando a história que aconteceu com a gente pro mundo?!’ E no final, se diverte com isso.”

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Quanto tempo aproximadamente você leva para escrever um livro?

Levo mais ou menos um ano para escrever o livro. Nos meus primeiros livros, eles faziam mais adaptações nas publicações nos EUA, e pelo mundo afora, porque todas as histórias se passam na Austrália, mas agora eu já consigo defender mais as minhas ideias e eles mantêm as histórias originais.

O seu livro “Pequenas Grandes Mentiras” foi adaptado para a TV. E “What Alice Forgot” será adaptado para o cinema. Você se envolveu com os roteiros? Como você reage quando vê as eventuais alterações que fazem na sua história?

“Eu tento não comparar o livro com o filme ou a série de TV, porque é um erro, são mídias separadas e completamente diferentes. Mas, ao mesmo tempo, tento ficar por dentro e leio o script, e sei que sempre vão fazer algumas mudanças, não é fácil ver as mudanças, mas eu entendo que são necessárias. eu acho interessante ser uma espectadora, não estar diretamente envolvida no processo. Em ‘”What Alice Forgot’, por exemplo, no livro ela tem 3 filhos e no filme só dois, quando eu li o roteiro fiquei arrasada inicialmente por terem que cortar 1 deles, mas claro que para a produção do filme foi necessário e eu entendo.

Já em ‘Pequenas Grandes Mentiras’ eles me perguntaram se eu queria escrever o roteiro, mas esta não é minha praia mesmo, e quando eu li o script achei que as mudanças ficaram melhores do que eu mesma tinha escrito no livro, foram boas ideias que, na verdade, eu queria ter tido.

Para saber mais sobre o livro “Pequenas Grandes Mentiras” e a sua adaptação que vai trazer Shai Woodley de volta à telinha, confira:

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Um comentário sobre “Liane Moriarty Fala Sobre Seus Livros Em Encontro Com Fãs

  1. Já li dois livros da Liane e estou ansiosa para o lançamento de Truly Madly Guilty aqui no Brasil, uma editora já confirmou a compra dos direitos. What Alice Forgot também tem por aqui, As Lembranças de Alice se não me engano, mas esse ainda não li. Não sabia que ele seria transformado em filme, acho que terei que me apressar hahaha.
    Adorei saber mais um pouquinho do processo de criação da autora, beijos!

    (Carol)
    ourbravenewblog.weebly.com

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