Eu sou fã da Patrícia Clarkson, vi praticamente todos os filmes. Diva do cinema independente, Patrícia interpreta personagens dramáticos com maestria, mas devo dizer que ela é uma pessoa hilária. Já tinha estado com a atriz em outros eventos e tive a oportunidade de reencontrá-la na sessão especial de seu novo filme, “Lilly”, na agência CAA, em Los Angeles.

O filme é baseado na história real de Lilly Ledbetter (Patrícia Clarkson), uma mulher da classe trabalhadora, supervisora de uma fábrica de pneus no Alabama, cujo único objetivo é melhorar o padrão de vida de sua família. Tendo crescido na pobreza, Lilly suporta um ambiente de trabalho tóxico e abusivo em busca de um salário melhor. À medida que a aposentadoria se aproxima, Lilly descobre que o sistema a tem enganado, pagando-lhe quase metade do que os homens com os mesmos cargos estão ganhando. Indignada, ela luta contra essa injustiça na Suprema Corte, nos corredores do Congresso e, eventualmente, na Casa Branca, enquanto forças poderosas tentam calá-la. O filme acompanha a batalha dessa cidadã comum e mostra o impacto que uma mulher única e corajosa pode ter na sociedade.

Apesar de morar nos EUA, eu não conhecia Lilly e acho de extrema importância a sua excepcional trajetória estar nos cinemas, pois é uma jornada emocionante e inspiradora que merece ser apreciado por mais gente. Eu acho que propagar histórias como a de Lilly Ledbetter é mesmo uma das funções da sétima arte.
Verdade seja dita, a jornada de Lilly Ledbetter, que se torna uma ativista na luta pela igualdade salarial e de critérios remuneratórios entre mulheres e homens, é mais poderosa do que o filme em si.

O elenco é excelente, o roteiro e a edição deixam um pouco a desejar, mas nada que atrapalhe o público que vai se identificar com essa mulher que deu nome à lei de igualdade salarial, assinada pelo Presidente Obama.
Lilly é um exemplo de como qualquer um de nós pode fazer a diferença em nossa comunidade e na sociedade como um todo, se formos persistentes na luta pelos nossos direitos. A sua caminhada foi muito desafiadora, como é para todas as pessoas comuns, que não têm dinheiro e nem influência, mas a sua conquista mudou a vida das mulheres que trabalham nos EUA.
Chorei em vários momentos assistindo a performance de Patrícia Clarkson na telona e gargalhei com ela pessoalmente. Destaco abaixo os melhores momentos do papo que contou também com a presença da diretora/co-roteirista Rachel Feldman e o ator Thomas Sadoski, que interpreta o advogado de Lilly, Jon Goldfarb.

Rachel Feldman
Sobre o projeto
“Eu lembro do dia que vi na TV uma matéria que mostrava o Obama assinando a lei de igualdade salarial, ao lado de Lilly, foi uma das primeiras leis que ele assinou quando assumiu a presidência, isso há mais de 15 anos. Eu, como uma mulher que trabalha, fiquei interessada na história e fascinada pela conquista da Lilly, depois de tanta luta.
Em 2013, a Lily lançou o livro contanto a trajetória dela e aí foi o início das nossas conversas sobre a adaptação para o cinema. Foi uma luta fazer esse filme, de forma independente, sem recursos de estúdio ou streamers. A gente estava quase lá, veio a pandemia e colocou o mundo em pausa, mas como Lilly, nunca desistimos, seguimos determinados e conseguimos finalizar esse projeto. Claro que a ajuda da Patrícia e de todo o elenco e a equipe foi fundamental. Essa é uma noite de glória pra todos nós. Estamos muitos felizes.”

O que Lily achou do filme
“Lily viu o primeiro corte do filme. Ela gostou, mas disse que tinham poucas cenas de dança e ela adorava dançar. Então reeditamos e incluímos as cenas de dança, que está na versão que vocês assistiram. Ela já estava internada e bem debilitada quando estreamos, mas a filha dela foi à première e quando saiu da festa foi direto ao hospital e contou pra ela da recepção calorosa que o filme recebeu. Lily faleceu logo depois, parece que ela só estava esperando o filme estrear. E eu fico tranquila porque eu sei que ela adorou e ficou feliz ao saber que a sua maravilhosa trajetória está registrada pra sempre no nosso filme. Ela merece ser celebrada dessa forma.”

Patrícia Clarkson
Sua relação com a Lily
“A Rachel me apresentou essa história e eu também fiquei fascinada e achei que era importante compartilharmos a vida da Lilly com o mundo. Mas, eu quando interpreto uma pessoa real, não costumo ter muito contato com a pessoa antes. Eu prefiro manter a distância, porque a minha ideia é construir o personagem baseado na pessoa, lógico, mas incorporando as minhas características. Evito a possibilidade de se tornar uma imitação. Com a Lilly não foi diferente. Eu li o livro, o roteiro também tinha todos os elementos que eu precisava para criar a minha versão da Lilly. Eu a vi algumas vezes rapidamente, quando ela foi visitar o set, vi as entrevistas dela, a matéria na TV que a Rachel mencionou. Ela foi notícia, então tinha muito material, mas não conversei diretamente com ela não, só depois que terminamos de rodar o filme. E quando ela assistiu, ela disse que gostou do meu trabalho. Graças a Deus, imagina se eu tivesse vacilado? Risos! Essa é sempre uma preocupação quando interpreto pessoas reais.”

A produção
Quando a gente faz filme independente – e eu já fiz vários – a gente tem pouco tempo pra rodar o filme inteiro, por conta do baixo orçamento mesmo. Esse projeto foi uma loucura porque atravessamos várias décadas da vida da Lilly. Mudávamos a caracterização a todo o momento, porque rodamos fora da ordem cronológica. Tinha dias que gravamos 3 décadas quase ao mesmo tempo e eu ficava tão doída que tinha que gritar pra Rachel pra ver em que década eu estava, quantos anos eu tinha naquela cena, porque tava perdidinha. Uma loucura! Risos
Isso sem contar que ainda tive que aprender a dançar direito – Patricia estava com pé imobilizado no Q&A, ainda assim arrancou gargalhadas de todos quando levantou e dançou pra gente e disse, “tô fera agora”!
Agora, a verdade é que a gente fez milagres pra que esse filme saísse com pouco dinheiro, uma pandemia, foram vários desafios vencidos mesmo! Graças à paixão da Rachel, de todo o elenco e equipe pela história da Lilly.”


Thomas Sadoski
O projeto
“Essas duas mulheres maravilhosas – se referindo à Rachel e à Patricia – me convidaram para fazer parte do filme. Respondi sim, sem mesmo saber os detalhes, porque eu faria qualquer coisa com elas. E foi uma experiência incrível. Ralamos, mas nos divertimos também. Me senti honrado!”

O personagem “Ao contrário da minha amiga Patrícia, eu conheci o Jon, o advogado que interpretei no filme. Conversamos bastante, até porque ele teve um papel importante na trajetória, além de ter sido um grande aliado na luta da Lilly. E eu queria entender melhor até a parte legal. Foi bom pra mim. Sem contar que o Jon é muito gente fina, me deixou muito a vontade. Só disse pra que eu não fizesse dele um bobão. Risos. Depois que ele viu o filme, eu perguntei o que ele achou e ele me disse que aprovou. Ainda bem! Fiquei aliviado e contente.”
Conheça mais detalhes do filme e da saga de Lilly para conquistar os direitos que afetam tantas mulheres nos EUA e no mundo:
