Eu faço viagens de carro desde bebê. Nasci em Salvador e morei em vários estados do Brasil, antes de nos mudarmos para a Tijuca, quando eu tinha 6 anos.
Meus pais eram jovens e estavam sempre dispostos a colocar o pé na estrada para visitar nossa família no Rio, com muita frequência. Nos anos 70, viajar de avião era coisa de rico e, na época, meus pais eram da classe trabalhadora, então a nossa opção era passear de carro mesmo. Eu sempre curti e levei esse prazer para a vida adulta.


Verdade que depois que eu e minha família mudamos de vez para o Rio, em 79, as viagens de carro cessaram. Mas, quando mudei para os EUA, eu resolvi aproveitar a estrutura das estradas locais e coloquei o pé na estrada, inclusive numa road trip, onde atravessei o país de Nova York a LA, dirigindo pela famosa rota 66, que foi uma experiência inesquecível.
Para promover a indústria automobilística, os EUA construíram boas estradas, com paradas com uma infraestrutura excelente (hotéis baratos, restaurantes, lanchonetes, posto de gasolina e até outlets) para as famílias que viajavam de carro. Essa também foi uma estratégia inteligente de manter os estadunidenses dentro do país, o que além de representar uma vantagem para a economia local, também mantinha o povo na bolha, que os ensina que esse é o melhor país do mundo.

Essa lavagem cerebral trouxe sérias consequências para a sociedade estadunidense, como estamos experienciando atualmente, contribuindo para a extrema direita no poder. Os sinais do conservadorismo estão por toda a parte, inclusive na Califórnia, um estado democrata e progressista.
A maioria dos turistas de outros países visita cidades e pontos turísticos mais badalados dos EUA – Disney, Nova York, Miami, LA e Chicago – e tem uma impressão do país diferente da realidade. Mesmo quem mora em LA, como eu, só vai conhecer mesmo a “América” se viajar de carro pelo interior.
Inspirada pelas viagens com os meus pais, que marcaram minha infância cigana, coloco o pé na estrada sempre que posso. Nessas viagens me deparo com belezas naturais do país e com pessoas e paradas que parecem mais um cenário de filme.
Me sinto a própria “Thelma e Louise”, quem é da minha geração ou quem ama filmes clássicos vai entender porque me refiro à obra espetacular protagonizada pelas divas Susan Sarandon e Geena Davis, em 1991.
Em minha última aventura “pé na estrada”, em julho, fui com as amigas visitar um santuário de lobos no deserto, no centro da Califórnia e, na sequência, subimos a serra rumo a Lake Arrowhead.




No caminho, nos deparamos com o belo Silverwood Lake, cercado de montanhas áridas, o que contrasta com as árvores verdinhas nas curvas da estrada. Os lagos, tanto o Arrowhead, como o Silverwood, não são naturais, mas foram construídos como reservatórios e hoje servem como áreas de lazer.


Fiquem ligados que vou contar em detalhes as nossas aventuras em Lake Arrowhead e no santuário, onde nos sentimos as verdadeiras “Mulheres Que Dançam Com Os Lobos”, de Clarissa Pinkola Estes, nos próximos capítulos desse diário de viagem.




Pra começar bem, entre no carro com a gente e explore as maravilhas das estradas da bela Califórnia, o único estado dos EUA que tem mar, deserto, montanhas verdes, neve e lagos.
Aproveite esse passeio pelos EUA que poucos turistas conhecem!

