Show de Bad Bunny no Super Bowl mostra que a América é uma só

No Benito Bowl, em 13 minutos e 42 segundos, eu assisti ao filme da minha vida.

Eu vi Paulo, meu avô paterno, de chapéu jogando dominó na Praça das Nações, em Bonsucesso. Vi minha bisa Raquel, violinista profissional, dar um concerto.

 

 

Eu vi Ricky Martin, o primeiro ídolo da adolescência, que conheci na primeira convenção de fãs que fui no Rio, nos anos 80

 

 

Eu vi o símbolo dos apagões que vivi no Brasil, e as plantações de cana de açúcar, que representam a escravidão, que ainda é uma realidade no mundo.

Eu vi pessoas pretas, pardas, brancas, altas, baixas, cabelos lisos e enrolados, homens, mulheres e crianças que eu encontrava no metrô da Tijuca, na Lapa e no Largo da Carioca.

 

 

Eu vi um reflexo das minhas nights cariocas nas cadeiras de plástico, e dos meus dias na praia comprando água de coco e bebida nas carrocinhas. Além de sentir o gosto do melhor taco que já experimentei, em LA.

Eu vi uma loja vendendo joias como as que eu passava na minha infância, quando andava com a mamãe pelo centro do Rio.

Vi Irene, minha manicure, vi gente famosa e anônima dançando, lutando box, construindo casas.

Ouvi músicas, em espanhol, animadas e com mensagens impactantes e revolucionárias, como muita música brasileira. E vi o mascote do país, o Sapo Concho que é parte do folclore Porto-riquenho rico como o nosso no Brasil

 

 

Vi uma casa colorida como a da minha avó no subúrbio carioca. Vi um casamento de verdade ser celebrado com a alegria dos casamentos no Brasil e me enxerguei dormindo nas duas cadeirinhas de plástico.

 

 

Vi Bad Bunny que é fã de Lady Gaga, convidar a amiga e ídolo pra cantar no seu show, como eu convido quem admiro para os meus hangs. E Gaga, como uma convidada gentil, foi com um figurino que prestigia as cores da bandeira da independência de Porto Rico.

 

 

E também vi Benito se jogar nos braços do povo, como só um latino faz. Vi barbearia, lotérica e o povo com roupas coloridas se acabando de dançar no gramado com o hit de Benito que honra Nova York, onde está uma das maiores comunidades porto-riquenhas do continente estadunidense e mora seu conterrâneo Lin-Manuel Miranda, que revolucionou a Broadway com vários sucesso, incluindo o fenômeno “Hamilton”.

Eu me emocionei ao ver Bad Bunny presentear com o Grammy seu menino, como faço até hoje com a adolescente de 16 anos que mora no meu corpo de 53.

Vi o popstar mais ouvido do mundo atualmente, fazer uma belíssima homenagem ao seu país e ainda dar uma aula de geografia, minha matéria preferida na escola, para o mundo, sobre quem é a AMÉRICA, ao som de uma batida que me levou direto pra Sapucaí.

No “Carnaval” de Benito os trailers eram os carros alegóricos e as porta-bandeiras carregavam, orgulhosas, as bandeiras de todos os países do nosso belo continente!

O show de Benito, todo em espanhol, no evento esportivo mais popular nos EUA, bateu recordes de audiência e lembrou ao mundo que a única coisa mais poderosa que o ódio é o amor. Uma mensagem tão perfeita para a semana do Valentine’s Day, quanto a minha visita a Porto Rico, onde passei o réveillon.

 

 

Receber 2026 na terra de Bad Bunny foi uma decisão acertada pois se fiz uma passeio pela minha vida ao assistir o Halftime show do popstar, no Super Bowl, em Porto Rico eu me senti nas férias deliciosas que passei no nordeste do Brasil com a minha família, e aprendi que todos nós, americanos, temos muito mais em comum do que eu imaginava.

 

 

Obrigada Benito por, sem imaginar, contar a história da minha vida no seu show e, obrigada Porto Rico, por ter me acolhido tão bem!

Se você ainda não assistiu ao Benito Bowl, corre aqui.

E, se você já viu mil vezes e também se sentiu representada (o) como eu, fica o convite pra ver novamente:

https://www.youtube.com/watch?v=G6FuWd4wNd8

 

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