The North: Longa foca na amizade no universo masculino com locações de tirar o fôlego

Sou muito fã de filmes independentes com pouco diálogo, bela fotografia e atores que conseguem dizer muito sem falar nada. Acho que é o resumo perfeito do excelente filme holandês “The North”, dirigido por Bart Schrijver.

O filme acompanha o reencontro dos amigos de juventude, o holandês Chris (Bart Harder) e o espanhol Lluis (Carles Pulido). Após uma década sem se verem, eles decidem percorrer, a pé, 600 quilômetros pelas Terras Altas da Escócia (Scottish Highlands), passando cerca de 30 dias caminhando pelas lendárias trilhas West Highland Way e Cape Wrath Trail, na tentativa de restabelecer o vínculo entre ambos. Durante a jornada, percebem o quanto se distanciaram um do outro e quais laços ainda restam. Chris é pressionado por telefonemas do trabalho, sendo cobrado para tomar decisões mesmo durante suas férias. Lluis sente-se fisicamente exausto e também se incomoda com o cronograma rígido da viagem. A tensão entre os dois aumenta, e eles passam a criticar pequenos detalhes no comportamento um do outro. Apesar do desgaste, o que eles têm em comum vai ser fundamental para a reaproximação dos amigos.

 

 

A produção holandesa foi rodada em ordem cronológica, com uma equipe de apenas 8 pessoas, que fez a trilha com os atores nas belas montanhas escocesas. O orçamento foi pouco mais de 80 mil dólares, que é considerado baixíssimo para uma produção cinematográfica.

Eu assisti a première de “The North” em Los Angeles, que contou com a presença do ator Bart Harder, que interpretou o Chris e apresentou a sessão, “agradeço a presença de vocês. Esse filme foi produzido e realizado por pessoas apaixonadas pela arte de fazer cinema. Foi muito bem recebido na Holanda, o que nos deixou muito felizes e nos trouxe até Hollywood. Espero que vocês gostem, porque confesso que a caminhada de 30 dias nas montanhas escocesas não foi fácil, mas o resultado é especial para todos que participaram desse projeto. Obrigada e aproveitem”.

 

 

A fotografia do filme é, na verdade, um personagem importante já que ajuda a contar a estória. O silêncio é importante e diz muito sobre a trajetória tanto de Chris como de Lluis, como se fosse um símbolo dos 10 anos que eles não se viram e pouco se falaram. A trilha não parece fácil mesmo, mas o visual é belíssimo, nos deixa com vontade de conhecer aquele paraíso. Graças a uma direção caprichada e uma edição bem feita, o filme tem um ritmo perfeito e um tom documental bem executado Bart, o diretor.

 

 

Mas eu acho que o show maior é dos atores, Bart Harder e Carles Pulido não tiveram medo de explorar uma amizade entre homens heterossexuais, que pouco vemos no cinema. Os personagens são sensíveis e interessantes e têm dificuldade de compartilhar suas vulnerabilidades, o que é comum no universo masculino.

 

 

Achei o filme espetacular e o roteiro inovador e fique impressionada com a qualidade da produção feita com um orçamento tão pequeno. Sinceramente, muito melhor do que vários filmes que são feitos com milhões de dólares. Imperdível!

 

 

Para celebrar a estreia de “The North” nos Estados Unidos, os produtores nos convidaram para um coquetel no histórico bar escocês Tam O’ Shanter.

Fundado em 1922, foi o primeiro restaurante temático em LA e é o restaurante mais antigo da cidade administrado pela mesma família, no mesmo local, há mais de 100 anos.

O restaurante, projetado pelo cenógrafo de Hollywood Harry Oliver, parece mesmo uma casa na Escócia, com vigas de madeira escura, uma lareira aconchegante com fogo crepitante e estofamento com estampa xadrez. Sem contar com “A Grande Muralha” de whisky que conta com uma vasta coleção de mais de 700 rótulos da bebida.

Era o restaurante favorito de Walt Disney, frequentador assíduo do local, onde se reunia frequentemente com seus animadores, na sua mesa cativa de número 13, era conhecido como o “refeitório dos estúdios”.

O delicioso coquetel do filme foi em um dos espaços reservados para eventos, mas claro que, além de curtir o evento, eu também aproveitei para dar uma voltinha nesse marco de LA. Vou voltar lá com certeza para provar a famosa costela servida com purê de batata, “Yorkshire pudding”, creme de milho ou creme de espinafre, e molho da própria carne, o prato mais popular que parece ser divino.

Graças aos produtores de ‘The North”, esse sensacional filme holandês, rodado na Escócia, eu conheci o Tam O’ Shanter, que também é um dos marcos de LA.

 

Quer conhecer a Escócia sem sair de LA? Confira:

 

 

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