Eu estava super ansiosa para assistir “O Convite” na telona, um dos filmes mais badalados desse temporada de premiações, quando fui convidada para uma sessão especial do filme, que contou com a presença da diretora e protagonista Olívia Wilde, no teatro Fine Arts, em Beverly Hills.


Estrelado por Olívia, pela diva Penélope Cruz, e os incríveis Seth Rogan e Edward Norton, com roteiro escrito por Rashida Jones e Will McCormack baseado no filme espanhol “Sentimental” e no espetáculo de teatro escrito e dirigido por Cesc Gay, “O Convite” acompanha Joe (Seth Rogen) e Angela (Olivia Wilde), um casal que se vê preso à rotina da relação. Seu relacionamento está à beira do colapso, porém as coisas podem estar prestes a mudar quando eles casualmente convidam seus vizinhos Hawk (Edward Norton) e Piña (Penélope Cruz) para jantar. No entanto, o que era pra ser uma noite tranquila, se transforma em um evento repleto de reviravoltas inesperadas, ao descobrir que o misterioso casal, talvez, esteja organizando orgias semanalmente no apartamento de cima, revelando desejos reprimidos e sexualidades pouco exploradas. Fonte: AdoroCinema

Eu confesso que ainda gostei mais do filme do que eu imaginava. Ri, me emocionei, e fiquei impressionada com a performance sensacional de todos os atores, a direção da Olívia e a edição que é nota 10 e ajuda a contar a estória.
Um filmaço que não merece spoilers na matéria, pois a surpresa vai influenciar na interpretação de quem está assistindo e interferir na sua experiência com o filme.

Posso dizer que eu concordo com a interpretação de Olívia e do entrevistador; e deixo aqui um convite para quem ver o filme compartilhar com a gente as suas impressões, seja nas redes sociais ou nos comentários desse post.
Por enquanto, aqui, divido com vocês os destaques do excelente papo com a Olívia Wilde, também sem spoilers, depois da exibição do filme. A atriz e diretora se emocionou ao ver o teatro lotado e agradeceu a gente por ter ido assistir “O Convite” ali, já que foi rodado em filme (35mm) e a proposta dela é que fosse experienciado na telona.


O projeto:
Absolutamente todo mundo que procuramos para financiar e distribuir esse roteiro nos disse não. Mas eu encontrei produtores maravilhosos que acreditavam no projeto e me incentivaram a seguir em frente. Então a gente não tinha dinheiro nenhum, nosso orçamento era muito apertado. Ao mesmo tempo, a equipe, os atores, todo mundo topou participar pela arte de fazer cinema. Esse foi o melhor trabalho que fiz até hoje, se fosse meu último trabalho eu estaria radiante. Não só pelo filme em si, mas porque eu vi a dedicação de todo mundo para que o filme acontecesse. Esse projeto me fez acreditar novamente na indústria do entretenimento, me deu um gás gigantesco. Foi muito especial pra mim.

O elenco e sua personagem
Eu literalmente cheguei pra Penélope, pro Seth e pro Norton e falei, não tenho dinheiro nenhum, mas aqui está o roteiro e expliquei a minha ideia sobre a direção e cada personagem. Eles foram muito generosos com seus talentos e tempo e disseram sim, sem pensar. Inclusive esses atores, que têm uma agenda lotada, toparam ensaiar por 2 semanas, antes de rodar, o que foi muito relevante pra mim. Isso que eu falo sobre amor à arte. Me fez lembrar o começo da minha carreira, quando a gente se reunia para fazer filmes pelo prazer de fazer filmes. Eu sou cria do cinema independente, então foi um presente ver esses grandes atores abrirem suas agendas para um filme onde eles não ganharam nada, além do prazer de estarem ali fazendo cinema.
E também foram eles que me convenceram a interpretar a Ângela. Eu adoro atuar, mas eu queria me dedicar à direção do filme. Mas, conversando com eles e apaixonada pelo roteiro, eu acabei topando o desafio de acumular essas duas funções tão diferentes e importantes. Foi um desafio pra mim, mas foi uma descoberta também. Aprendi muito sobre mim mesma nesse processo. E foi uma honra dar vida à Ângela.

O set e a filmagem
O apartamento foi construído em um set por nosso super talentoso set designer, em um estúdio em LA. * Muitos Aplausos * ( Na última década muitas produções deixaram LA por conta do alto custo de gravar séries e rodar filmes aqui. O que deixou muita gente sem trabalho, por isso a alegria de todos ao saber que o filme foi rodado na capital do cinema).


Sim, rodamos o filme em Los Angeles e foi impressionante como a equipe estava feliz, todo mundo cantando, alto astral, porque eles estavam trabalhando. Isso foi tão importante para o filme. Mais uma prova de quão especial é o nosso trabalho, o que me encheu de esperança na era da Inteligência Artificial, e todas as loucuras que estão acontecendo no mundo, o cinema vai sobreviver pelo talento e pela dedicação de quem faz arte.
O apartamento era praticamente do tamanho real de um apartamento, quando eu entrei no set fiquei muito impressionada e feliz porque o apt era praticamente um personagem no filme e era essencial que o set funcionasse. Ficou melhor do que eu imaginava. Não sei se vocês repararam mas cada uma das cenas foram definidas pelo espaço. A posição da câmera em relação à posição dos personagens no apartamento ditou a estória. Os editores também arrasaram, eles deram o ritmo que a estória precisava pra ser dinâmica, com momentos engraçados, outros profundos, intensos e emocionantes. Fizeram um trabalho incrível.
O Improviso e Penélope
O roteiro excepcional escrito por por Rashida Jones e Will McCormack é a essência do nosso filme. Mas com os atores que reunimos, abrimos espaço para o improviso. A Penélope é impressionante. A cena que ela discute com o personagem do Norton, que é um cena que achamos importante incluir pois mostra uma tensão necessária entre eles, que até então pareciam viver em um mar de rosas, foi toda improvisada por ela. Fizemos o primeiro take e, no segundo, ela vira o rosto e apresenta um lado completamente diferente da personagem. A Penélope realmente mudou a expressão no rosto, e a expressão corporal, que parecia outra pessoa de verdade. Eu estava atrás da câmera boquiaberta com a capacidade dela fazer dois takes tão diferentes. Essa cena foi totalmente da Penélope.

Os roteiristas trabalham de diversas formas, alguns gostam que cada vírgula seja preservada no filme, outros estão abertos ao improviso, o que é o caso da Rashida Jones e Will McCormack, então ficamos à vontade pra improvisar e eles aprovaram o resultado.
Implorar os direitos da música “Our House” de Graham Nash sobre sua relação com Joni Mitchell, que encerra o filme
Eu queria essa música de qualquer jeito e, novamente, foi um trabalho de equipe para conseguir os direitos, pois é uma canção que nunca foi usada por ninguém, em lugar nenhum. O Nash e a Joni nunca tinham liberado. A música é sobre o relacionamento deles, quando viviam juntos, nos anos 70. Era muito pessoal. Aí um dos nossos produtores, que conhece o time deles, mandou o roteiro e eles aprovaram. Foi uma grande conquista pra gente! Porque pra mim essa era a única música que definiria bem o final do filme.


A estreia no Sundance Film Festival
Eu senti o espírito do Robert Redford (o consagrado ator foi também o idealizador e produtor do Sundance até a sua partida, em 2025) com a gente na estreia do filme no Sundance. Eu amo esse festival e queria muito que a première do filme fosse lá. Fiquei tão feliz quando rolou e, mais ainda, pela recepção do filme no Sundance. Ali eu vi que todos os nossos esforços valeram a pena porque a turma que aprecia o cinema independente deu muito valor ao nosso filme. O público e a crítica têm sido muito generosos com a gente, assim como nossos produtores, nosso elenco e nossa equipe foram desde o começo. Fazer esse filme como atriz e diretora foi o ponto alto da minha carreira até o momento, pois é o resultado do amor pela arte de fazer cinema e o reconhecimento de todos e de vocês, que vieram até aqui hoje para prestigiar nosso trabalho na telona, é um sonho realizado mesmo. Muito obrigada!”

Olívia foi aplaudida de pé e deixou o palco bem emocionada. Ninguém acreditou em “O Convite”, antes de ser produzido, mas hoje o filme está na corrida do Oscar e é um dos favoritos para receber indicações tanto na categoria melhor filme, como melhor direção.
Eu assino embaixo na declaração que O Convite é imperdível e só aumenta a minha admiração pelos filmes independentes!
Obrigada A24 pelo convite irrecusável de assistir ao filme e ao papo com a Olívia , na primeira fila, de um teatro/cinema histórico na Cidade dos Anjos. Um daqueles dias que a realidade é melhor que o sonho em LA!