The Sun Never Sets: Sessão com o elenco em LA trouxe as divertidas histórias dos bastidores da produção

Sou muito fã do roteirista e diretor Joe Swanberg, uma das figuras mais importantes do mumblecore, um subgênero do cinema independente, que foca em atuações naturalistas e improviso. Nesse movimento, os filmes têm pouquíssimo orçamento e a ênfase é no diálogo em detrimento do enredo e nas relações pessoais.

 

 

A Greta Gerwig, muito antes de receber milhões para escrever e dirigir “Barbie”, também foi uma das estrelas do movimento e trabalhou com Joe nos filmes “Hannah Takes the Stairs” (2007) e “Nights and Weekends” (2008), que marcou sua estreia como diretora.

Eu sempre curti mais filmes indies do que de estúdio e os filmes do mumblecore são praticamente artesanais, e falam de sexo e de relações amorosas de uma forma mais realista, menos romantizada, o que eu também curto muito.

Eu assisti vários filmes escritos e dirigidos pelo Joe, entre meus meus favoritos estão “Drinking Buddies” (2012) e “Happy Christmas” (2014) e, mais agora, “The Sun Never Sets”, que assisti recentemente em uma sessão privada em LA, que contou com a presença de Swanberg e do elenco que inclui Dakota Fanning (Wendy), Jake Johnson (Jack) e Cory Michael Smith (Chuck), Debbie Ryan (Lindsay) e Karley Sciortino (Sara).

 

 

O drama romântico narra as complexidades de um triângulo amoroso caótico e é ambientado no Alasca. O que me empolgou mais ainda pois quando eu soube do filme tinha acabado de fechar uma viagem ao Alasca, onde vou comemorar meu aniversário esse ano.

 

 

A história acompanha Wendy (Dakota Fanning), que acredita estar perfeitamente feliz em seu relacionamento. No entanto, seu namorado, Jack (Jake Johnson) — que é divorciado e tem filhos —, insiste para que eles deem um tempo. Ele quer garantir que ela não esteja abrindo mão do sonho de casar e ter bebês apenas para se adequar à realidade dele. Durante esse período de afastamento, o ex-namorado de Wendy, Chuck (Cory Michael Smith), reaparece repentinamente em sua vida. Chuck reacende o lado espontâneo dela e, curiosamente, demonstra o desejo de construir uma família.

 

 

O filme foi baseado em experiências do próprio Joe, além de hilário, também toca o coração e escancara as inseguranças, dúvidas e delícias que vivemos um relacionamento amoroso, sem ser piegas, pelo contrário, é bem transparente e direto ao ponto.

Eu curti e me identifiquei em vários momentos com os questionamentos e as escolhas, por vezes não bem-sucedidas, dos personagens.

No papo que rolou depois da sessão, demos ainda mais gargalhadas ao saber dos bastidores da filmagem de algumas cenas e de quanto as maiores loucuras do filme foram baseadas em fatos.

 

 

A ideia, a escalação do elenco e o Alasca

 

Joe:

“Eu tinha acabado de terminar um relacionamento e precisava colocar toda aquela depre pós término em algum lugar. Aí eu comecei a escrever o roteiro. Liguei logo pro Jake, com quem eu já trabalhei muitas vezes e de quem sou amigo e, além de afogar as minhas mágoas no telefone, eu comentei sobre a ideia do filme. Ele adorou e disse que topava fazer.

Eu sempre quis trabalhar com a Dakota e pensei nela para esse projeto. Felizmente, ela também topou e estava disponível. A partir daí, o desafio era encontrar o ator certo para fazer a terceira ponta do triângulo amoroso, e a gente achava que ia ser uma tarefa difícil até conhecer o Cory. Lembro quando conversamos com ele pela primeira vez, sacamos na hora que ele era perfeito pro papel. E ele fez um trabalho incrível, como prevemos. Assim como a Karley e a Debbie, que já tinha trabalho com o Jake e se juntou ao time. Além delas serem talentosas atrizes, também são ótimas pessoas que agregaram mais humor e alto-astral ao nosso grupo.

Quanto a rodar no Alasca, não foi planejado, na verdade foi uma amiga minha, com quem já trabalhei antes, que é produtora em Anchorage, que sugeriu que a gente rodasse o filme lá. Eu adorei a ideia porque nunca tinha ido ao Alasca e era uma oportunidade de conhecer a região e ainda conseguir rodar o filme com o nosso baixíssimo orçamento. E foi ótimo, filmamos na primavera. Deu tudo certo.”

 

 

Sobre as histórias divertidas dos bastidores e a participação no filme

 

Jake:

“Quando o Joe me ligou e falou sobre o filme e sobre o término do relacionamento dele, eu achei fantástico. Na verdade, é uma catarse trabalhar um projeto que relembra os piores e melhores momentos da sua relação, quando você quer superar a dor do amor, ainda mais cercado de amigos fazendo graça das suas tragédias amorosas. (Risos!) Além disso, eu queria muito trabalhar com a Dakota e quando ela topou foi um sinal que o filme ia ser melhor do que a relação do Joe.” (Gargalhadas!)

Dakota:

“Eu também queria muito trabalhar com você, Jake e com o Joe. E, na verdade, eu me identifiquei com o roteiro, porque, afinal de contas, todo mundo fez suas loucuras por amor. E o que não falta nesse filme são as loucuras.” (Risos)

 

 

Jake:

“Verdade! Pra vocês terem uma ideia, a cena que vocês viram no banheiro do bar, não só foi rodada no banheiro mesmo, como o bar estava aberto e as pessoas estavam usando o banheiro. A cena era uma briga. Eu e Dakota entremos no clima e improvisamos bastante, mas duro foi que o banheiro tinha um cheiro horrível. A parte mais difícil pra gente foi disfarçar o cheiro!”

Dakota:

“Olha vocês viram a gente rindo da situação que era completamente inusitada e a gente riu mesmo. O banheiro era mínimo, a gente estava apertado, o Joe com a câmera na nossa cara e a gente perguntava pra ele, cara isso não aconteceu, não é possível que um casal faz uma DR dessas em um banheiro desse tamanho com as pessoas entrando e saindo?! E o Joe só balançava a cabeça dizendo que sim, a gente riu muito. E no final, quando os personagens estão rindo, foi a gente rindo do Joe. Foi ótimo que ele deixou essa parte na edição.”

 

 

Jake:

“Eu também achei ótimo que o Joe deixou a cena da gente rindo dele. Aliás, aquela cena no estacionamento também foi uma loucura pra rodar, porque a galera estava usando drogas no mesmo estacionamento, no centro de Anchorage, até aí tudo bem, mas eles estavam gritando, bateu a onda do berro. E a gente tentando rodar a cena, começamos a berrar também. No final, estávamos todos rindo e gritando.”

 

 

Joe:

“Eu fico feliz que todos tenham se divertido com as histórias mais bizarras do meu relacionamento e parece que vocês também curtiram, então está valendo.” (Risos)

 

 

Jake:

Foi terapêutico pro Joe e também foi incrível pra mim, trabalhar com a Dakota, com a Debbie novamente, já tínhamos feito outros filmes com o Joe antes, e conhecer a Karley. Além disso, achamos o Cory, que interpretou o Chuck de uma forma muito mais interessante, sensível, divertida, do que a gente imaginou. O trabalho do Cory enriqueceu o personagem.”

Cory:

“Eu confesso que estava muito nervoso quando tive uma longa conversa com o Joe pelo Zoom. Eu queria muito trabalhar com ele, com o Jake, a Dakota, e eu adorei o roteiro, mas desde o início eu não queria ser o vilão, até porque ele não é um vilão. Eu queria mostrar o lado sensível do Chuck, que tinha feito besteira, mas tinha se arrependido. Eu não sabia se essa ideia agradaria, mas eles toparam e foi um presentão pra mim, um exercício atuar, sem parecer que estamos atuando. Esse é o propósito dos filmes do Joe e fazer parte desse elenco foi um aprendizado e uma conquista pra mim.”

 

 

Dakota:

Foi excelente a maneira como você conduziu o Chuck pois, na verdade, ele não é um vilão, vacilou, mas se redimiu. Eu adorei! Assim como a forma que a Debbie e a Karley conduziram a Lindsay e a Sara.”

Lindsay:

Eu já conhecia o Jake e o Joe e quando eles me convidaram para participar desse projeto, eu topei na hora. Eu amo o cinema independente e a forma como o Joe escreve e dirige seus filmes. E esse personagem foi diferente do que eu já tinha feito antes, aquela melhor amiga que puxa a orelha, mas também ajuda e está presente. Foi ótimo e divertido trabalhar com a Dakota também, um set muito alto astral, mesmo nos momentos mais dramáticos, a gente riu muito.”

Karley:

“Nossa, esse trabalho é um daqueles que me marcaram porque contracenar com o Jake, em um projeto dirigido pelo Joe foi um aprendizado pra mim. Já fiz vários filmes independentes, mas esse realmente foi especial. Eu estou acostumada com o improviso, mas nesse caso foi tão natural e tão divertido que, na verdade nem parecia trabalho. E a gente pode usar passagens das nossas próprias vidas, o que também foi catártico! Agora quero fazer mais filmes com eles.”

 

 

Dakota:

“Foi uma experiência realmente leve e divertida e, pra mim também, um trabalho diferente de tudo que já fiz. E só pra vocês saberem, o final não era esse inicialmente.

Aliás, tinha várias opções de finais. Eu estava torcendo por esse, porque eu acho que a Wendy merecia. Fiquei feliz quando vi que o Joe optou por esse fim também.

Joe:

“Pois é, eu relutei, talvez por conta da minha experiência pessoal, mas você tem razão, a Wendy merecia um final diferente da vida real mesmo. Pelo retorno do público, acho que todo mundo curtiu. Bom que, apesar de baseado em fatos, esse filme é ficção e na ficção a gente pode terminar a história da forma que a gente quiser.”

Eu não só adorei o filme, como também curti o final e até pretendo visitar uma das cervejarias que serviu de locação para “The Sun Never Sets”, em Anchorage. Depois compartilho os detalhes da experiência.

Enquanto isso, deixo aqui essa dica de filme que é imperdível conferir!

 

 

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