Valor Sentimental se destaca com as delicadas questões familiares

A cena com as irmãs Nora e Agnes, interpretadas por Renate Reinsve e Inga Ibsdotter Lilleaas, respectivamente, no filme norueguês “Valor Sentimental” foi uma das cenas mais lindas que já vi no cinema.

Não é à toa que as atrizes, assim como o filme, estão entre os favoritos a receberem indicações ao Oscar, em várias categorias.

 

 

“Valor Sentimental” retrata o relacionamento conturbado entre um pai, suas duas filhas e as feridas complexas que se estendem por décadas no cerne da família. Diante do frágil laço paternal, o carismático Gustav (Stellan Skarsgård), pai distante de Nora (Renate Reinsve) e Agnes (Inga Ibsdotter Lilleaas) é um renomado diretor de cinema, que decide que seu próximo longa será o seu filme de retorno aos holofotes. Sabendo o quão pessoal e importante é o projeto, o cineasta oferece à filha Nora, uma estabelecida atriz de teatro, o papel principal da trama. Quando ela recusa a oferta, Gustav entrega a personagem para uma jovem e entusiasmada estrela de Hollywood, Rachel Kemp (Elle Fanning), quem rapidamente percebe que, sem querer, se envolveu num drama incrivelmente íntimo (fora e dentro das telas). Assim, as irmãs precisam lidar com a relação atravessada e complicada com Gustav, enquanto uma atriz estadunidense se instala no centro dessa complexa dinâmica. Fonte: AdoroCinema

 

 

Dirigido por Joachim Trier, que também escreveu o filme em parceria com Eskil Vogt, “Valor Sentimental” é um dos meus filmes prediletos do ano. Eu me identifiquei em muitos momentos com vários personagens e não consegui conter as lágrimas. Esse foi um daqueles filmes que me deixou com a estranha sensação que os roteiristas conheciam passagens da minha jornada que eu nunca contei pra ninguém.

Assistir ao filme foi intenso, emocionante e catártico. Por enquanto, eu vi apenas 1 vez no cinema, em uma sessão especial em LA, mas eu sei que vai ser um daqueles filmes que vou ver 1 vez por ano. Realmente mexeu bastante comigo.

 

 

“Valor Sentimental” é sobre família, como a jornada dos nossos ancestrais reflete na nossa. É sobre pessoas que se foram, um pai ausente tentando recuperar o tempo perdido com as filhas, uma casa cheia de lembranças, o apego, as mágoas, os segredos, a parceria, o perdão, o amor que, às vezes, a gente não sabe demonstrar e nem receber. Acima de tudo é sobre pessoas que nem sempre enxergam suas falhas. E sobre um passado que ainda está presente.

O elenco é de uma maestria que impressiona, inclusive os atores com papéis menores. Stellan Skarsgård é um ator consagrado e, nesse filme, o seu habitual show na telona ganha proporções ainda maiores. Eu sou fã de Elle Fanning, mas acredito que esse é a melhor performance da carreira da atriz até o momento.

 

 

Mas o filme é mesmo de Renate Reinsve e Inga Ibsdotter Lilleaas, a relação das duas irmãs é a que carrega a beleza e a autenticidade do filme, graças à atuação sensacional das duas atrizes. Pra mim, o Oscar desse ano iria pra Renate, como melhor atriz e Inga, melhor atriz coadjuvante.

Muito da emoção que senti ao ver “Valor Sentimental” veio delas e da direção impecável de Joachim Trier.

Estive com o diretor/co-roteirista e com o elenco, Renate Reinsve, Inga Ibsdotter Lilleaas, Elle Fanning e Stellan Skarsgård no Deadline Contenders em LA. Um presentão que ganhei nessa temporada de premiação.

 

 

 

Abaixo, os destaques do papo que me fez entender e me apaixonar ainda mais por “Valor Sentimental”:

 

Joachim Trier

“Eu cheguei naquela idade que já tenho 2 filhos e meus pais estão vivos, mas eu tenho consciência do pouco tempo que ainda temos juntos. E eu estava pensando muito em reconciliação e as coisas que a gente recebe e não recebe na nossa relação com os nossos pais. Esses foram os agentes motivadores para que eu escrevesse esse filme.

Além disso, eu queria muito trabalhar com atores, eu sou fã de grandes performances. Eu comecei a escrever o filme pela personagem da Renate, mas como a figura do pai ficou muito proeminente na estória, eu quis convidar o Stellan, porque era um sonho meu trabalhar com ele. Fui até Estocolmo e, praticamente, implorei para que ele topasse fazer o filme. Ainda bem que ele disse sim.”

 

Stellan Skarsgård

“Eu estava pronto pra negar a proposta. Risos. Não, na verdade eu já tinha decidido fazer o filme antes de conhecer o Joachim.

Mas o que mais me fascinou nos personagens desse filme é que eles não percebem seus defeitos, seus erros, isso é o mais emocionante da estória. Eles são humanos. Por isso, que eu quis interpretar esse personagem.”

 

 

Renate Reinsve

Foi interessante pra mim interpretar uma atriz no filme. Até porque a minha personagem tem uma crise de pânico antes de entrar em cena, no teatro. Isso nunca aconteceu comigo, mas aconteceu com um ator que eu contracenei e eu presenciei. Tenho que dizer que gosto de fazer cenas de pânico e achei muito inteligente do roteiro começar o filme com essa cena da minha personagem, porque diz muito sobre ela e o que está acontecendo na vida dela. Um ator tem que acessar vários sentimentos no consciente e subconsciente e a Nora sabe disso, ela é uma boa atriz, mas ela não quer acessar esses sentimentos para atuar, e daí sua crise de pânico. E quando ela chega no palco, ela finalmente se liberta, mas já mostrou ao público do filme que ela está passando por uma crise. Genial estabelecer a jornada da personagem dessa forma.”

 

 

Inga Ibsdotter Lilleaas

Esse projeto foi muito importante pra mim porque eu sempre quis trabalhar com o Joachim, então foi um sonho realizado. Eu fiz vários testes, durante uns 5 meses, e eu e ele tivemos ótimas conversas. Só esse processo já foi incrível pra mim. E, fazer esse filme foi tudo que imaginei sobre o que é ser ator, a forma como Joachim trabalha é especial. Foi um processo divertido, ao mesmo tempo, intenso e emotivo. Uma experiência que vou levar comigo pra sempre.”

 

 

Elle Fanning

“Eu também sou muito fã do Joachim e diria sim pra fazer um filme dele, mesmo que tivesse uma frase de diálogo. E ter a oportunidade de trabalhar com ele, Renate, Stellan e conhecer a Inga foi sensacional pra mim. Eu não me senti uma forasteira, como a minha personagem, muito pelo contrário, o Joachim é muito colaborativo. Esse é um filme sobre família e nós também compartilhamos nossas experiências . Foi diferente de tudo que fiz até hoje, porque ensaiamos o filme na casa onde ele foi rodado, Joachim filmava esses ensaios, e estava sempre aberto para adaptar os diálogos a cada ator, a forma como a gente é e fala. O filme é muito emotivo porque eu acho que todos nós estávamos emocionados, fomos muito transparentes, sinceros, o ambiente do set também foi especial. A melhor experiência que tive até hoje.”

A Elle Fanning tem razão, eu senti a emoção dos atores ao ver o filme e, como Inga, vou levar comigo pra sempre. Imperdível!

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *