Orgulho do cinema brasileiro com o filme “Alguma Coisa Assim” em cartaz no Brasil

A primeira coisa que pensei quando assisti ao trailer do filme “Alguma Coisa Assim” foi em Richard Linklater, diretor e roteirista dos filmes “Antes do Amanhecer”, “Antes do Pôr-Do-Sol” e “Antes da Meia Noite”, que tanto marcaram a minha juventude e a minha vida. E fiquei radiante pois, finalmente, a nova geração teria a chance de ver um filme brasileiro, produzido pelo meu amigo Fernando Sapelli, tão inspirador como a obra de Linklater, que também incluiu o espetacular “Boyhood – Da Infância à Juventude”.

Em “Alguma Coisa Assim”, Caio e Mari são dois jovens adultos cujo relacionamento está além de qualquer definição. Ao longo de 10 anos, o enredo transita entre 3 momentos marcantes em que seus desejos estão em conflito e seu relacionamento é posto à prova. Entre São Paulo e Berlim, acompanhamos a transformação das cidades e dos personagens, vivendo as dores e as delícias de uma relação sem rótulos.

Desenvolvido a partir do curta-metragem homônimo premiado em Cannes, em 2006, o filme chegou aos cinemas no dia 26 de julho, em várias cidades do Brasil.

O roteiro não tem nenhuma ligação direta com os filmes de Richard Linklater, mas a intenção é semelhante, pois através dos dois personagens e de três momentos, “Alguma Coisa Assim” mostra uma geração que busca representatividade através dos próprios questionamentos. E enquanto o curta acompanhava Mari e Caio – um jovem casal de amigos explorando a noite de São Paulo, descobrindo diferentes aspectos de sua sexualidade e o que cada um sentia pelo outro – o longa expande a história dos protagonistas e vai até a cidade de Berlim, na Alemanha.

Certamente um programão de final de semana, pegar um cinema e assistir não só a um romance ou drama, mas uma história de vida com a qual você se identifique e que, de certa forma, pode te ajudar a mudar a sua própria jornada. Imperdível conferir!

Sem contar que a trajetória da produção do filme é a prova que é possível fazer cinema de qualidade no Brasil, se tem criatividade e paixão:

Esmir e Mariana reuniram-se em 2013 com o objetivo de dar sequência à história de Caio e Mari, captando o reencontro dos personagens, vividos pelos mesmos atores, em São Paulo e, posteriormente, num novo momento, em Berlim, em 2016. O resultado dos três encontros ao longo de uma década é o longa-metragem que mergulha na transformação da relação entre os dois através dos tempos e propõe uma reflexão sobre temas atuais, como sexualidade, rótulos, aborto e novas formas de família.

“A realização do curta em 2006 gerou um encontro único entre nós (atores e realizadores). Transformou nossas vidas – pessoais e profissionais – e o resultado na tela foi uma recepção muito positiva de público e crítica. Ficou claro que essa experiência tinha combustível pra mais que 15 minutos. Ela seria bem-vinda novamente de qualquer ponto de vista. Deu vontade de entrar de novo no mundo de Mari e Caio, entender o que teria acontecido com aquela relação tão particular, agora com os dois mais maduros, em outro momento da vida, com novos conflitos”, revela Mariana.

Segundo o diretor, o reencontro entre equipe e elenco funcionou tão bem que eles decidiram mergulhar fundo naquela relação e trazer mais complexidades. “Desenvolvemos o roteiro do longa que se passaria em Berlim/2016, onde um novo encontro dos dois fosse a espinha dorsal da história, usando as imagens que havíamos captado dos outros anos para costurar os momentos que viveram juntos. Portanto, ao longo de 10 anos, contamos uma história de amor, amizade e, acima de tudo, parceria, entre um rapaz e uma garota, ambos fluídos em sua sexualidade, lidando com as dores e delícias de um relacionamento sem rótulos. Acho que o mais lindo do filme é ver os atores com 17 anos, depois com 24 e por fim 28. A gente nota o amadurecimento não só dos personagens como da interpretação. E claro, da direção também”, completa.

Para contar o desfecho da história, 10 anos depois, o elenco original voltou à cena. Caroline Abras, que começou a carreira exatamente com o curta homônimo, hoje é a protagonista da série “O Mecanismo”, de José Padilha. André Antunes é, além de ator, psicanalista e professor. Interrompeu sua carreira após a realização do curta em 2006 e retornou ao cinema através do longa homônimo, em 2016. “O André trouxe para o filme uma visão ampla de como trabalhar com um personagem em constante conflito psicológico e atribuiu seu conhecimento em outras áreas para enriquecer a dinâmica entre os personagens”, comenta Mariana. Conhecido internacionalmente por trabalhos como “007 – Cassino Royale” e “Praia do Futuro”, o ator alemão Clemens Schick completa o elenco.

O filme teve sua estreia no Festival de Cinema do Rio de 2017, no qual saiu premiado como melhor montagem. Foi vencedor de dois Coelhos de Prata no Festival Mix Brasil – melhor roteiro e melhor interpretação para Caroline Abras. Depois foi exibido nos Festivais de Guadalajara, Outshine Film Festival e Portland Film Festival, entre outros.

 

 

FICHA TÉCNICA

ALGUMA COISA ASSIM
Ficção | 2017 | 80’ | Brasil-Alemanha
Direção e Roteiro: ESMIR FILHO e MARIANA BASTOS
Elenco: CAROLINE ABRAS, ANDRÉ ANTUNES, CLEMENS SCHICK, JULIANE ELTING, KNUT BERGER e Participação Afetiva LÍGIA CORTEZ e VERA HOLTZ
Produzido por: ESMIR FILHO, THEREZA MENEZES e FERNANDO SAPELLI
Coprodução: JELENA GOLDBACH
Direção de Fotografia: JUAN SARMIENTO G. (Berlim), MARCELO TROTTA (São Paulo)
Montagem: CAROLINE LEONE
Direção de Som: MARTÍN GRIGNASCHI
Direção de Arte: SANDRA FINK (Berlim), MARCELO ESCAÑUELA (São Paulo)
Figurino: JULIANA ZANETTI/ MARIA BARBALHO (São Paulo) RENATA GASPAR/ SANDRA FINK (Berlim)
Trilha Sonora Original: LUCAS SANTTANA e FABIO PINCZOWSKI

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