6 anos em LA

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Hoje faz 6 anos que moro em LA. Às vezes ainda acordo e penso: gente não é mesmo que vim parar na Califórnia?! E quando me dou conta da vida que levo aqui, percebo que é melhor do que a que sonhava ter nas muitas tardes de domingo que fazia maratona das séries “Barrados no Baile” e “The OC” no meu antigo quarto na casa dos meus pais na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.

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Não a minha vida não é perfeita. Aliás, eu estou muito longe da perfeição. A onda da saudade bate nos dias que eu menos espero e haja fôlego para sobreviver a ela. Tive que aprender a ser mais flexível para me adaptar à cultura de um país, que por mais que eu ame, não foi onde nasci, não é minha língua mãe e não é aqui onde estão as pessoas que cresceram comigo e me conhecem do avesso, que pescam meus mais profundos pensamentos mesmo quando estou em silêncio.

Mas na terra estrangeira encontrei outras pessoas que compartilham comigo uma realidade que meus amigos da vida, por nunca terem deixado a pátria, desconhecem.

Aqui tive tempo suficiente para descobrir coisas sobre mim mesma que nunca imaginei, enfrentei demônios que também desconhecia e tenho aprendido a lidar com tudo que desgosto em mim, assim como as características que gosto na minha personalidade.

A vida no exterior me deu a oportunidade de passar mais tempo comigo mesma e descobri na prática o prazer de ficar só, e percebi que solidão eu tinha sentido mesmo quando estava cercada de gente.

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Engraçado que a maioria das pessoas acham que a gente leva uma vida glamourosa e luxuosa quando nos ouve dizer que moramos em Los Angeles, com razão pois este é o conceito que a indústria do entretenimento vende. Especialmente quando falo que moro em Beverly Hills, é inevitável ouvir o “que chique”. Mas verdade seja dita, morar aqui é mais barato (muito mais) que no Rio de Janeiro, especialmente no Leblon.

Além do custo de vida ser mais em conta nos EUA, meu estilo de vida mudou muito quando vim pra cá. Faço programas fantásticos, mas vivo com muito menos dinheiro do que tinha no Brasil. Os meus valores também mudaram. Nunca fui lá muito consumista, mas viver no país do consumo me fez menos ainda. Inspirada em Shailene Woodley, consegui reduzir meus pertences (roupas, sapatos, acessórios) a uma mala grande. Só tenho o que realmente uso e uso absolutamente tudo que tenho.

No Brasil eu dirigia um carro caríssimo, aqui tenho um Ford Focus de 2005 (aliás estou pensando seriamente em fazer uma festa de aniversário de 10 anos para o meu fiel escudeiro). Ele me dá menos dor de cabeça que muitos carros novos que tive, e olha que encarou já duas tempestades de areia no deserto, neve e muitas idas e vindas nas freeways da cidade.

Troquei as muitas garrafas de champa nos restaurantes de luxo no Rio de Janeiro, por noites regadas a vinho de menos de US$ 5,00 e muita cantoria aqui mesmo no meu apartamento. E por mais que eu ame viajar de classe executiva e dormir em uma cama confortável de um hotel 5 estrelas, descobri o prazer e o glamour de fazer uma road trip e acampar num parque nacional, um tipo de viagem que nunca tinha arriscado fazer quando meu limite do cartão de crédito era maior.

 

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Isso não quer dizer que eu não aprecie o valor do dinheiro e o mundo de possibilidades que ele traz, mas como diz Norman Vincent Peale, uma coisa que aprendi nesses últimos 6 anos e que “bolso vazio não nos impede de fazer nada, mas uma mente e um coração vazios podem fazer isso.”

Eventualmente posto nas redes sociais que encontrei uma celebridade num restaurante, outro dia mesmo foi Leonardo DiCaprio, mas isso não quer dizer que o local que eu estava custa milhões, ao contrário da Zona Sul carioca, os points que os famosos frequentam em LA, qualquer um pode pagar, nem que seja para tomar um drink, os preços são razoáveis, eu garanto.

Mas é graças à paz que sinto hoje que me dei a chance de rever os meus conceitos e mudar mesmo a forma de olhar a minha própria vida. Não foi assim desde que cheguei aqui não, os primeiros três anos foram de festas e deslumbres, e a chegada dos 40 anos veio com crise que por minha culpa abalaram ate amizades de longa data. Já os últimos três anos (faço 43 dia 18 deste mês), foram absolutamente revolucionários. E, não posso deixar de dar os créditos a John Green e seus livros pra lá de maravilhosos que também me ajudaram a enxergar por outro ângulo a minha própria jornada.

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Devo à Luana Mattos o fato de ter conhecido o John (eternamente grata, Lu!) e à Tais que escreveu sobre “A Culpa é das Estrelas” para o Hollywood é Aqui. Mas não conheceria essas queridas amigas se não tivesse o site e não teria o site se não tivesse um dia vindo morar na California, seguindo o conselho do poeta Henry Thoreau que diz pra gente seguir confiante em direção ao nosso sonho e ter a vida que a gente imaginou. Graças a Deus e aos meus pais eu tenho uma vida melhor que imaginei. Com todos os seus desafios, a lista de pendências a serem resolvidas, com todas as suas imperfeições, com tudo que tive (e tenho) que abrir mão emocionalmente para estar aqui, eu acordo com o frio na barriga de quem vive um grande amor e agradeço a Deus pelo privilégio de enxergar a luz no fim do túnel, mesmo nos dias de céu cinzento e acreditar na voz dos anjos que dão o nome a esta cidade, dizendo que a luta vale a pena, e tudo sempre vai dar certo no final.

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Taí, nestes 6 anos, uma das maiores lições que aprendi foi que podemos enxergar em todas as nuvens uma luz prateada, é só querermos ver.

Para você, Valente, uma Silver Lining na minha vida em LA!

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Para a minha amiga Cel Lisboa, que sabe muito bem a dor e a delicia de morar há mais 1 ano e meio na bela Tailândia.

Para todos os sonhadores de plantão, corram atrás da sua realização, onde quer que ela esteja!

A primeira vez que publicamos uma matéria sobre “A Culpa e das Estrelas” no HEA merece um destaque num dia como hoje:

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