“Atypical” chega à 3ª temporada: Confira a entrevista com Brigette Lundy-Paine e Fivel Stewart

“Atypical” é uma das séries mais sensacionais e relevantes dos últimos tempos, não só porque celebra jovens do espectro autista de forma bela e respeitosa, como aborda vários temas relacionados à vida de um adolescente no século XXI.

Eu maratonei a terceira temporada, já disponível na Netflix, em 2 dias. E já estou com saudades desses personagens que contam estórias simples e realistas.

O relacionamento de Casey e Lizzie ganhou um destaque especial nessa temporada. Os diálogos e a trajetória dessas duas personagens são incríveis, assim como as atrizes deram um show de atuação. Nós estivemos com BRIGETTE LUNDY-PAINE (CASEY) E FIVEL STEWART (IZZIE) no ATX Television Festival, em Austin. Não só prestigiamos o painel da série no evento, como batemos um papo com as duas talentosas atrizes. Temos o prazer de compartilhar na íntegra com vocês.

Se você já é fã de “Atypical”, prepare-se para ficar ainda mais obcecado pelo seriado depois de conhecer melhor a família que se dedica para que ele seja tão especial, como cada um de seus personagens. E se você ainda não assistiu, esse é um convite para você se viciar:

Fivel Stewart e Brigette Lundy-Paine

Brigette Lundy-Paine (Casey) e Fivel Stewart (Izzie) falam sobre suas personagens e sobre a importância de “Atypical”

Entrevista: Larissa Alves
Tradução e transcrição: Raquel Zambon

O que a sua personagem faz pelo Sam é um balanço perfeito entre saber o que ele precisa e estar cansada de lidar com ele, tudo ao mesmo tempo. Como você consegue interpretar isso? É muito convincente! Tenho três crianças com necessidades especiais em casa, sendo que duas estão no espectro do autismo. Eu sempre vejo interações entre crianças neurotípicas e as minhas crianças, mas não há ninguém tão próximo quanto um irmão. O que você faz é o que eu espero que as pessoas façam. De onde vem isso?

BLP: Eu tenho um irmão mais novo e muito da nossa dinâmica é similar a do Sam e da Casey, no sentido em que eu quero matá-lo em boa parte do tempo, mas eu nunca deixaria ninguém encostar no meu irmão! Ele é a pessoa mais importante para mim. A Casey cresceu na sombra do Sam mas, de certa forma, também cresceu como sua protetora. Então, eu acho que foi fácil entrar nessa dinâmica. O Keir é um dos melhores atores com quem já trabalhei e ele conhece seu personagem tão bem. Nós entramos no ritmo logo no começo – na primeira temporada, nós tivemos sete cenas em sequência em que eu estava batendo na cabeça dele logo no início. Então, nós desenvolvemos aquele vínculo de imediato.

Alguns tapas aceleram o relacionamento, certo? Risos.

BLP: Sim, realmente tiram as bobagens do caminho! Risos.

Eu represento um site do Brasil e nós postamos sobre o show pela primeira vez depois do PaleyFest, em Los Angeles. Recebemos muitas respostas de famílias mencionando como a dinâmica é representada brilhantemente no show. Assim, pergunto a vocês: qual é o feedback mais emocional que vocês já receberam de alguém que tem conexão com pessoas no espectro?

BLP: Eu estava em um restaurante com meu avô depois da primeira temporada e a garçonete veio me dizer que a dona queria falar comigo. A dona do restaurante me disse que tem um filho de 27 anos com autismo e que nunca havia sido capaz de explicar o conceito de amor ou de relacionamento para ele… Até que ela assistiu ao show.

Mal posso imaginar como você se sentiu ao ouvir isso!

BLP: Essa é a razão pela qual fazemos isso, para poder quebrar uma barreira entre uma mãe e seu filho. Com autismo ou não, quebrar barreiras entre famílias.

FS: Eu acho que também temos resposta de pessoas da comunidade LGBT. Recebo mensagens de Instagram constantemente dizendo que a história do show ajudou pessoas a se assumirem para suas famílias. Saber que eu fui uma influência e que ajudei alguém a contar a verdade para a família é muito importante. Muitas pessoas não fazem ideia de como sentar com seus pais e dizer: “sou quem sou, me aceite ou não”. Eu acho que o show está inspirando e encorajando as pessoas porque elas veem que pode dar certo.

Aquela cena perto do final da temporada, com vocês duas no carro, foi uma das coisas mais doces que já vi na TV.

FS: Essa foi uma das minhas partes favoritas. O relacionamento das duas durante toda a segunda temporada não é sexualizado – é uma questão de amor, independente da aparência. É querer estar perto de alguém. Então, vou segurar sua mão delicadamente para que você saiba que estou aqui por você. Essa foi a minha parte favorita, que demonstrou um amor adolescente, inocente e puro.

Entre isso e Schitt’s Creek, eu realmente expandi meu conhecimento! Risos.

BLP: Se você mergulhar na cena LGBT do entretenimento, verá que é tudo muito especial. Principalmente agora… Eu acho que o amor hétero já foi representado tantas vezes na televisão que ele ficou fechado em um mesmo tipo de história. Tudo se repete de novo e de novo: garoto encontra garota, garoto encontra garota… E existem muitas formas de homossexualidade que a TV pode retratar.

Eu gostei da sua personagem nesta temporada. As interações dela com o Sam foram tão únicas! Ela pareceu entrar na situação sem julgamento e somente conviver com ela. Na minha experiência, pessoas assim são raras. Bom trabalho!

FS: Obrigada!

Tem alguma pessoa na sua vida que traz inspiração para isso?

FS: Eu queria poder contar para o mundo inteiro: a minha irmã tem síndrome de Asperger. Ela é altamente funcional, mas…

Odeio este termo. Entendo o uso, mas odeio o termo…

FS: Sim, eu entendo. Acho que tiro um pouco de inspiração disso. Mas vamos aprender mais sobre a minha personagem na terceira temporada, sobre o histórico dela e sobre como ela aprendeu a ser sensível e a aceitar os outros.

Tivemos menções da família dela, mas nada foi mostrado.

FS: Sim. Ela só quer receber amor de qualquer pessoa que possa amá-la. Eu não posso falar muito sobre isso, mas acho que ela nem olha para o Sam como alguém diferente.

Eu aprecio isso. Meu filho e minha filha não têm muito disso na vida deles.

FS: Mesmo em minha vida pessoal, eu tenho tentado começar todo dia com uma página em branco, sem uma perspectiva ou opinião sobre cada pessoa que encontro. É como se você começasse do zero, com uma nova página e sem julgamentos. Eu estava aprendendo sobre isso quando comecei a filmar e talvez tenha ficado na minha cabeça.

Quando as suas personagens não estão correndo ou evitando a família, o que elas gostam de assistir na TV?

FS: Eu acho que a minha gosta de cultura pop e de hip-hop. Cardi-B ou algo assim, o oposto do que eu gosto!

BLP: Isso é tão engraçado… Será que “Atypical” existe no mundo delas ou que existem programas diferentes no mundo “Atypical”? E a Casey assiste uma versão de “Atypical” dentro do mundo “Atypical” pensando: “É como eu! Estou sendo representada neste programa!”.

Eu nunca considerei um universo paralelo assim!
Especialmente no Brasil, tudo o que temos são novelas. Nós não temos nenhum show como “Atypical” e é por isso que estamos tão empolgadas para escrever sobre isso.

BLP: Eu amo isso. Acabo conhecendo tantas pessoas do Brasil.

Eles sempre pedem para que você vá ao Brasil?

BLP: Sempre!

FS: Eles são tão acolhedores e bacanas no Instagram.

Foi muito bom conhecer vocês. Muito obrigada!

Trailer legendado:

 

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