Cindy Lauper leva sua turnê de despedida ao Hollywood Bowl e nós fomos vibrar e cantar com ela

O show de Cindy Lauper, no Hollywood Bowl, que fechou o verão em LA, me transportou direto para a minha adolescência no quarto do apartamento dos meus pais, na Tijuca, Rio de Janeiro, nos anos 80.

 

 

Ao subir ao palco, a cantora, esbanjando simpatia, já foi logo avisando que a playlist da noite incluiria seus maiores hits, uma homenagem aos fãs que sempre a apoiaram, nessa que é sua turnê de despedida.

 

 

 

Promessa cumprida, Cindy abriu com “The Goonies “R” Good Enough” onde começou minha deliciosa viagem ao passado, exatamente até o cinema, onde assisti “The Goonies”, na Praça Saens Peña, em 85.

 

 

Já ao ouvir Cindy cantar “Time After Time” lembrei de curtir uma fossa gigante por causa de um crush da escola, que não correspondeu a minha paixão.

 

 

Aos 72 anos, com a mesma energia e voz de 40 anos atrás, Cindy Lauper me emocionou aos 53, como me emocionava quando eu tinha 15 anos.

Eu já tinha visto a cantora pessoalmente, na Pride de West Hollywood, quando ela foi a convidada de honra, ano passado, mas eu nunca tinha ido a um show dela. Foi mais marcante do que eu poderia imaginar.

 

 

 

A produção foi espetacular, com telões que ilustravam com arte a trilha sonora e a jornada desse ícone que entrou para a história da música pelo seu timbre de voz, suas performances fora da caixinha, seu visual colorido e as bandeiras que levantou ao longo de sua carreira. Em suas canções, Cindy falou sobre a empoderamento feminino – anos antes do termo ser popular – sobre racismo e, especialmente, sobre a comunidade LGBTQIA+, a quem dedica “True Colors”, lindas como o arco-íris, por sinal um dos momentos mais marcantes do show. Cindy lançou essa música em 1986, quando um amigo querido faleceu por causas relacionadas à AIDS. A música que foi número 1 na Billboard, é um dos hinos da comunidade LGBTQIA+, assim como Cindy uma das suas rainhas.

 

 

Para acompanhar a performance dos hits no show, Cindy usou vários figurinos incríveis, e penteados arrojados, que, aliás, sempre foram sua marca registrada. Inclusive, a cantora mostrou ao vivo uma das trocas de roupa em uma live direto do seu camarim, com a sua maquiadora e camareira trabalhando a todo vapor.

 

 

 

Aliás, achei o máximo que Cindy apresentou sua banda e sua equipe logo no início do show, agradecendo a sua trupe pela companhia ao longo de sua trajetória.

Falante e divertida, Cindy contou histórias de sua família e compartilhou suas fontes de inspiração para seus grandes hits. Uma que me chamou a atenção, foi a da música “I Drove All Night” (Eu Dirigi a Noite Inteira), Cindy disse que resolveu gravar essa canção porque ela tinha começado a dirigir e tinha percebido que não tinha nenhuma música sobre mulheres no volante, em pleno anos 80. Eu, que passo grande parte do meu tempo hoje dirigindo, seja na cidade ou colocando o pé na estrada pelo país afora, me identifiquei ainda mais hoje, do que quando ouvia a canção na juventude.

 

 

Aliás, Cindy também lembrou que até 1974 mulheres não podiam abrir conta bancária ou ter seu próprio cartão de crédito, sem a assinatura de um homem, nos EUA. E, pior, até 1988 (a música foi lançada em 89), mulheres não podiam ter sua própria empresa sem a participação de um homem na sociedade. Em suma, quando a própria Cindy começou a sua carreira, era ainda mais difícil do que é hoje ser uma mulher independente. Sua arte abriu caminho para as próximas gerações, inclusive a minha!

 

 

 

A cantora também celebrou os povos indígenas e os imigrantes, trazendo ao palco convidados especiais do continente africano e dos povos originários, com quem cantou Iko Iko, do Dixie Cups, a banda de mulheres pretas de Nova Orleans que conquistou o mundo nos anos 60, que, por sinal foi delas o primeiro album que Daisy Jones comprou com seu próprio dinheiro, como ela mesma conta no episódio 5 da série “Daisy Jones & The Six”. Sigo obcecada por Daisy, como sou por Cindy e pirei com a sincronicidade das divas na ficção e na realidade!

 

 

E uma noite inesquecível dessas só podia terminar com o hino “Girls Just Want To Have Fun”, a música que eu dançava nos anos 80, faz ainda mais sentido pra mim hoje; e percebo na meia-idade que foi uma das inspirações para que eu me libertasse de algumas amarras ao longo da minha caminhada.

 

 

Viva Cindy Lauper, a diva de cabelos coloridos, que é uma das autoras da trilha sonora da minha vida, me proporcionou uma noite em LA em que a realidade foi melhor que os meus sonhos no meu quarto na Tijuca. Épico define!

 

 

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