Emily The Strange: Os Dias Perdidos

Por: Carl

Rob REGER
Editora GALERA
2011
278 páginas

SINOPSE: Emily é uma menina de 13 anos e poderia pular de prédios muito altos, se estivesse a fim. É mais provável que esteja cochilando ao lado de seus quatro gatos pretos; ou montando rapidamente um acelerador de partículas com fios de algodão, lentilhas e alfinetes de segurança; ou tocando bateria/guitarra/saxofone/cítara; ou pintando um mural furioso no esgoto; ou forçando alguém a dizer “três tigres tristes” treze vezes e bem rápido… Para poder apontar na cara desse alguém e rir.

Enquanto esperava o vendedor buscar um livro que queria comprar, fiquei olhando as prateleiras, e meus olhos bateram na edição caprichada de EMILY THE STRANGE: OS DIAS PERDIDOS.

Reconheço que foi a capa o motivo de folhear o livro, mas foi seu conteúdo que me convenceu a arriscar. Ele é cheio de listas de pistas, desenhos, pontos de interrogação e mais uma série de características que remetem a histórias de bruxas e magia. Para um apreciador desse gênero, a curiosidade foi imensa.

Já adianto que não me arrependi da compra. Tanto, que pretendo comprar o segundo livro.

Emily é uma garota de 13 anos que acorda em uma pequena cidade chamada Blackrock, com um caderno em branco com 11 páginas arrancadas, sem saber seu nome, quem é, de onde vem, por que está ali ou o motivo de não se lembrar de nenhuma dessas informações. E na cidade, também ninguém conhece ela. Assim, Emily começa uma busca pelas pistas que podem resgatar sua memória e explicar toda aquela confusão.

Apesar da personagem principal ser uma garota e da edição ser, visualmente, direcionada para meninas, o conteúdo é totalmente direcionado para meninos. A primeira coisa que me veio à mente durante a leitura foi a similaridade com os extintos jogos do estilo adventure para computador. Nesses jogos, nós controlávamos um personagem, que precisava reunir pistas, através da procura e confecção de objetos e ações, para conseguir avançar no jogo e na história, até chegar ao final.

E é exatamente isso que o autor Rob Reger faz: ele permite ao leitor acompanhar Emily na busca dessas pistas e itens, e descobrir, junto da personagem, o que aconteceu. O mais contagiante no livro é exatamente essa cumplicidade entre a personagem e o leitor. Ela não é mais inteligente do que quem lê, e todas as descobertas e ideias são feitas em parceria com o leitor. Em certo ponto, senti-me parte da história e totalmente satisfeito por pensar nas soluções no mesmo momento em que lia que Emily pensava igual.

Vale um destaque para essas pistas e soluções, tão mirabolantes, divertidas e criativas quanto os jogos de computador. Todas remetendo à magia e tecnologia baseada em magia. Temos de tudo: vestidos com bolsos onde cabem todos os objetos encontrados, robôs, máquinas do esquecimento, gatos misteriosos, veículos equipados com equipamentos fantásticos, materiais que concedem poderes, leitura e pensamentos, desafios e batalhas de poder.

Mas tudo isso poderia ser perdido se a personagem principal não agradecesse. Acontece que Emily é extremamente cativante. As indagações que ela faz no diário, como se estivesse perguntando e desabafando com o leitor, cria uma empatia automática. Suas tiradas cômicas fazem rir na medida certa, e os apuros em que se mete obrigam o leitor a quase querer entrar na história para participar.

EMILY THE STRANGE: OS DIAS PERDIDOS foi uma agradável descoberta. Um livro escondido nas prateleiras das livrarias, que gritou para que eu o encontrasse.

Viva a magia!

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