Oscar 2019: Documentários curta-metragem merecem um olhar especial de quem curte a 7ª arte

Desde de 2014 eu tenho o prazer de ir aos eventos na semana anterior ao Oscar, no teatro da Academia, em Beverly Hills. Desde muito nova, sou fã de carteirinha da cerimônia que premia os melhores do cinema, talvez por isso eu ainda me deslumbre com a oportunidade de conhecer os documentaristas e cineastas indicados ao Oscar em diferentes categorias. Afinal, eles representam as mentes brilhantes que estão por trás de estórias e histórias que me fascinam na telona durante o ano todo.

Mas eu confesso que, apesar de assistir a todos os filmes, filmes estrangeiros e documentários indicados, anualmente, eu acho que nunca tinha visto todos os documentários curta-metragem indicados. Fico feliz de ter cumprido essa meta este ano, especialmente depois que tive o prazer de conhecer os produtores, diretores e roteiristas de cada um deles, na última terça-feira, quando eles apresentaram seus projetos, seguidos de um clipe, no evento em sua homenagem. Todos ressaltaram que era uma honra terem sido reconhecidos pela Academia, até porque quem faz documentário, curtas e longas, geralmente, não visa o retorno financeiro. Apesar desta situação estar mudando nos últimos anos, pois a bilheteria dos documentários têm subido significativamente.

 

Nesta matéria, focarei nos documentários curta-metragem. Amanhã, publicaremos um artigo sobre os documentários longa.

Segundo a própria chefe do departamento de documentários da Academia, este é o grupo de curtas mais especial dos últimos anos. Todos tratam de temas relevantes e atuais, como racismo, doenças terminais, refugiados, radicalismo político, empoderamento feminino, levando ao conhecimento do grande público projetos que transformam a vida de comunidades nos EUA (“End Game”), na Líbia (“Lifeboat”), Índia (“Period. End of Sentence”), assim como mostram as consequências do racismo na Inglaterra (“Black Sheep”) e apresentam um pedaço da história norte-americana que muitos desconheciam (“A Night at the Garden”).

Sinceramente, esses curtas me educaram, além de me emocionarem. Por isso, indico que vocês confiram os detalhes de cada um abaixo, e aproveitem para assistí-los antes de domingo, elegendo seu favorito para torcer por ele na noite do Oscar.

 

Black Sheep

O documentário foi apresentado pelo diretor Ed Perkins, que conheceu seu personagem Cornelius Walker em um café em Londres. Após algumas horas de conversa, Cornelius topou compartilhar sua experiência de vida no curta, que em português se chama “Ovelha Negra”. Tudo mudou para Cornelius Walker em 27 de novembro de 2000, quando Damilola Taylor foi morta. Damilola tinha 11 anos, a mesma idade de Cornelius. Eles moaravam a cinco minutos de distância e tinham a mesma cor de pele. A mãe de Cornelius, temendo pela segurança do filho, mudou sua família para fora de Londres. Cornelius, de repente, se deparou morando numa vizinhança de brancos racistas. Mas em vez de lutar contra eles, Cornelius decidiu se tornar mais parecido com as pessoas que o odiavam. Eles se tornaram sua família e o mantiveram seguro. E, em troca, Cornélio ficou submerso em uma cultura de violência e ódio. Mas, à medida que a violência e o racismo contra outros negros continuavam, Cornélio lutou para descobrir sua verdadeira identidade.

 

 

End Game

Apresentado pelos diretores (e documentaristas veteranos) Rob Epstein, Jeffrey Friedman, que contaram como, apesar de estarem na profissão há anos, este projeto mudou suas próprias vidas pois, ao conviver com pessoas que estavam em estado terminal, lhes deu a oportunidade de repensarem suas próprias jornadas.

“End Game” reúne três histórias de médicos visionários que atendem pacientes que estão em estado terminal, no limite entre a vida e a morte, ajudando-os a mudar a maneira como pensam sobre ambos. Eles se dedicam a aliviar o sofrimento e a ajudá-los a fazer escolhas sobre como vivem suas vidas quando estas estão próximas do fim. Esses momentos emocionais e íntimos entre médicos, pacientes, seus familiares e entes queridos, são mostrados de forma sensível e sincera em “End Game”.

Trailer Original:

 

http://endgame-documentary.com/

 

Lifeboat

Apresentado pelo diretor Skye Fitzgerald, que compartilhou com a plateia a decisão que ele e sua equipe tomaram antes de começarem a rodar o documentário. Eles “quebrariam” a regra do documentarista, que é nunca interferir com o “objeto” do seu filme, e pulariam nas águas do Mediterrâneo para salvar as pessoas, se fosse necessário. Fato que aconteceu diversas vezes durante as filmagens, e que para ele e sua equipe foi o grande presente deste projeto. Em um ambiente político cada vez mais hostil aos imigrantes e refugiados, documentar a situação da vida real, daqueles que fogem da guerra e da opressão, é mais vital e importante do que nunca. “Lifeboat” mostra refugiados desesperados o suficiente para arriscar suas vidas em barcos de borracha que saem da Líbia no meio da noite, apesar de uma alta probabilidade de afogamento. Com poucos recursos, mas certos de que a sociedade civil deve intervir, voluntários de uma organização sem fins lucrativos alemã arriscam as ondas do Mediterrâneo para tirar refugiados de jangadas afundadas. Em um contexto da vida real com terríveis conseqüências, “Lifeboat” coloca um rosto humano em uma das maiores crises globais contemporâneas do mundo, mostrando como a sociedade civil pode intervir de forma significativa na crise dos refugiados.

Trailer original:

 

https://www.lifeboatdocumentary.com/

 

A Night at the Garden

Apresentado pelo diretor Marshall Curry, o curta mais curto dos últimos 50 anos nasceu graças a uma conversa que ele teve com um amigo durante um jantar em NY. Ele duvidou quando seu amigo lhe contou sobre a convenção nazista que tinha acontecido no Madison Square Garden, em 1939, fato histórico em sua cidade, que ele desconhecia completamente. Da sua pesquisa, nasceu “A Night at the Garden”. Em 1939, 20 mil americanos se reuniram no Madison Square Garden, em Nova York, para celebrar a ascensão do nazismo – um evento amplamente esquecido da história americana. O curta documental, “A Night at the Garden” foi feito inteiramente com imagens de arquivo filmadas naquela noite, e transporta o público para essa convenção arrepiante, que mostra claramente o poder da demagogia e do antissemitismo nos Estados Unidos.

 

https://anightatthegarden.com/

 

Period. End of Sentence

Apresentado pela produtora Melissa Berton e pela diretora Rayka Zehtabchi. Melissa contou que foi graças aos seus alunos que ela conheceu a ONG “O Projeto Absorvente” e daí nasceu a ideia do documentário, cuja diretora jovem e super talentosa, recém-saída de uma prestigiada universidade, teve seu trabalho aclamado com a indicação ao Oscar e seu filme é o favorito para levar a estatueta pra casa.

Numa aldeia fora de Delhi, na Índia, as mulheres lideram uma revolução. Por gerações, essas mulheres não tinham acesso a absorventes. Mas quando uma máquina é instalada na aldeia, elas aprendem a fabricar seus próprios absorventes. Esta oportunidade foi conquistada graças a estudantes do ensino médio na Califórnia, que levantaram o dinheiro inicial para a máquina e criaram uma organização sem fins lucrativos chamada “The Pad Project” (O Projeto Absorvente).

Trailer:

 

 

https://www.thepadproject.org/

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