Pé na estrada em Porto Rico: Curtindo bares com clima de boteco brasileiro

No meu primeiro dia em San Juan, quando fiz o tour histórico a pé pela cidade antiga, fizemos uma parada na Calle de la Tanca, uma pequena rua repleta de botecos com cadeiras e mesas de plástico, comidinhas típicas, cerveja gelada, Piña Colada (drink inventado em Porto Rico) povo animado e vista pro mar. Um canto democrático que reúne locais e turistas que curtem brindar a vida, em frente ao mar, especialmente numa ensolarada tarde de domingo.

Nosso guia nos ofereceu uma Medalla, cervejinha local, e, naquele momento, me senti em um domingo de verão, na mureta do Bar Urca, no Rio de Janeiro, nos inúmeros botequins que frequentei em Copacabana e em uma tarde no Pelourinho, em Salvador.

 

 

Tomei a minha cerva gelada, na antiga San Juan, como se tivesse no Brasil e, ali, eu percebi que brasileiros e porto-riquenhos são parecidos fisicamente e compartilham a mesma energia. Falamos idiomas diferentes, mas temos muito mais em comum do que imaginamos.

Segui meu incrível passeio e aprendi muito sobre essa ilha que pertence aos EUA, mas não é um estado do país. Abaixo compartilho os capítulos onde contei os detalhes dessa aula de história.

Mas, verdade seja dita, como uma botequeira de carteirinha, eu tinha que retornar àquele paraíso de botecos e viver a experiência por completo.

 

 

Na mesma noite, eu fui jantar no La Vergüenza PUERTORRICAN CHINCHORRO, onde degustei um prato de carne de porco típico porto-riquenho, sentada na “laje”, sentindo a brisa noturna do atlântico, o aroma da maresia e admirando o mar e o bairro La Perla.

Tive a sensação de estar em casa, diferente da sensação de casa que tenho em LA ou NY, que também são lares na minha jornada. Em Porto Rico eu tive a sensação de casa que temos na infância. Uma paz absoluta.

 

 

Eu gostei tanto da Calle de la Tanca, que retornei ao La Vergüenza com a amiga que veio do México, onde tinha passado o natal com a família, e se juntou a mim na aventura de réveillon em San Juan.

Comemoramos nosso reencontro com petiscos, cervejinha e Piña Colada, enquanto ela me contava todos os detalhes do show do Bad Bunny, que ela foi na Cidade do México. Um papo da vida pra lá de animado.

 

 

No dia seguinte, eu e a amiga estávamos comprometidas em provar a bebida ilegal, que representa a ilha e ganhou de Benito uma música em sua homenagem: o Pitorro, um destilado de cana-de-açúcar artesanal de Porto Rico, famoso por ser produzido clandestinamente e ter altíssimo teor alcoólico.

O pitorro é um símbolo de resistência em Porto Rico por ser um rum artesanal, historicamente, produzido à margem das leis e altos impostos, representando a autonomia cultural e a sobrevivência econômica contra imposições externas. A bebida simboliza a identidade e a tradição camponesa, mantida viva em festas familiares, especialmente no Natal.

 

 

Foi um parto acharmos o pitorro. Passamos por vários bares da antiga San Juan até encontrarmos o drink, em um bar de donos pretos, que se orgulham em oferecer a relíquia, como um símbolo de resistência.

A dose não foi barata, mas fizemos questão de experimentar o pitorro de coco, em homenagem à canção de Bad Bunny. O pitorro é uma combinação de cachacinha com batida, bem saboroso por sinal. Valeu demais a experiência.

Na nossa baratona, além do pitorro, aproveitamos para tomar algumas cervejinhas em homenagem ao ano de 2025, que se encerrava, e ao ano novo que estava para começar.

 

 

No muro de um dos bares, encontramos o “Sapo Concho” que é um personagem de animação, que serve como mascote do álbum DeBÍ TiRAR MáS FOToS, de Bad Bunny. O personagem é baseado no sapo-cristado-de-porto-rico (Peltophryne lemur), uma espécie ameaçada de extinção endêmica de Porto Rico. Bad Bunny utiliza o personagem como um poderoso símbolo da identidade porto-riquenha, do patrimônio cultural e da necessidade urgente de conservação ambiental diante de ameaças como a gentrificação e as mudanças climáticas.

 

 

Claro que seguimos à risca a dica do mestre Benito e tiramos muitas fotos com seu parceiro que ficou ainda mais famoso quando participou do show do popstar no Super Bowl. Um sucesso!

E nessa vibe de botecos, cadeiras de plástico, cervejinha na mureta, petiscos fritos, shots de drink proibido, fotos com o Sapo Concho e muita música revolucionária e animada de Benito, me senti completamente à vontade em Porto Rico. Achei um novo lar, no mesmo oceano onde nasci e cresci, mais um canto no mundo onde minha alma cigana encontrou alegria e paz.

 

 

Curiosidades sobre o Pitorro:

Por que é “proibido”: A produção é ilegal porque escapa aos impostos (arbitrios) do governo, sendo frequentemente produzida em alambiques caseiros sem regulação.
Origem e Cultura: Tradicional do interior de Porto Rico, representa a resistência cultural contra a comercialização oficial de rum.
Características: É um rum de altíssima graduação alcoólica, apelidado de cañita.
Popularidade: Ganhou destaque na cultura popular, sendo mencionada até pelo artista Bad Bunny. Embora o termo “proibido” refira-se à sua produção não oficial, ele permanece um elemento central nas celebrações da ilha.

 

 

Os capítulos do meu diário de viagem a Porto Rico, que foram uma aula de história:

 

 

 

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