Preparation For The Next Life traz temas sensíveis com NY como pano de fundo

“Preparation For The Next Life”, o primeiro filme do documentarista Bing Liu, indicado ao Oscar pelo doc “Minding The Gap”, marca também a estreia da atriz Sebiye Behtiyar na telona.

 

 

Impressionante que o trabalho do diretor e da atriz no filme é tão brilhante que não parece que é uma dupla de marinheiros de primeira viagem.

Bing também contou com veteranos nos bastidores dessa produção, entre eles, o premiado diretor, roteirista e produtor Barry Jenkins, que produziu o filme, e a minha amiga Mariana Benevello que faz parte da equipe de edição, liderada por Anne McCabe.

 

 

Sou suspeita, mas quem for assistir o filme pode confirmar que a edição é um espetáculo e ajuda a contar a história que é intensa, realista e mexe com a nossa emoção de várias formas.

Baseado no livro de Atticus Lish, “Preparation For The Next Life” acompanha Aishe (Sebiye Behtiyar), uma mulher uigur, que se muda para Nova York, onde se vê trabalhando nas cozinhas subterrâneas de Chinatown. Ela encontra Skinner (Fred Hechinger), um jovem soldado estadunidense que acaba de retornar de três missões no Oriente Médio. À medida que se apaixonam, descobrem a possibilidade de uma vida melhor juntos do que aquela que acreditavam estar destinados a viver sozinhos.

 

 

Eu tive a oportunidade de assistir ao filme em uma sessão privada, que contou com a presença de Bing Liu e Sebiye Behtiyar em LA. Compartilho abaixo os destaques do papo.

 

 

Bing Liu

“Trabalhar com o Barry foi um sonho realizado pra mim, já que sou muito fã dele e dos seus projetos. Sem contar que muitas portas se abriram graças ao apoio dele.

Além disso, adaptar o roteiro de um livro tão sincero, transparente e profundo, não foi difícil porque a história em si já era cinematográfica. Precisávamos apenas honrá-la, o que foi meu objetivo e maior desafio desde que começo, já que eu tinha o compromisso de fazer um bom trabalho.

O que foi possível graças a nossa equipe, comprometida e talentosa e, ao elenco, especialmente Sebiye Behtiyar and Fred Hechinger que, como vocês viram, são a alma do filme. Eles entenderam os personagens, realmente mergulharam em suas trajetórias, eles passaram a ser aquelas pessoas e, por isso, o filme é o que é e toca tanta gente. Além de tratar de um assunto que está em foco agora, a perseguição aos imigrantes, mas bom destacar que sempre foi assim, agora está mais escancarado.

Eu sou um imigrante chinês e muitas das dificuldades que a personagem passou, eu passei e a minha família e conhecidos viveram situações tenebrosas como a Aishe.

E por conhecer tão bem a temática, eu quis tocar esse projeto que demorou anos, mas graças ao Barry e a dedicação de todos os envolvidos, finalmente está recebendo o carinho de você. Obrigado.”

 

 

Sebiye Behtiyar

“Como Bing, eu também sou imigrante e tenho muitas coisas em comum com a personagem (Sebiye é uigur e fala três idiomas como a protagonista), me identifiquei quando li o livro e o roteiro mas, devo dizer, que não foi um processo fácil pra mim. Eu consegui fazer esse filme graças ao Bing, ao elenco e a equipe que me apoiaram e tiveram paciência comigo.

Foi um desafio porque eu queria que o público se identificasse, entendesse a trajetória do imigrante, que é tão mal visto nesse país por tanta gente. Da mesma forma que o Fred, que é um ator incrível, também estava comprometido com seu personagem, um veterano de guerra com a saúde mental abalada, o que também é a realidade de tantos jovens nos EUA.

A nossa responsabilidade era grande, ainda mais agora. Mas valeu a pena, já que a resposta do público superou as nossas expectativas. O que é uma emoção pra mim.”

 

 

Eu faço parte do público que se identificou e se emocionou profundamente com o filme. Sou uma imigrante privilegiada e a estória não reflete a minha realidade, mas aflora a humanidade de quem tem a consciência da gravidade da realidade dos imigrantes hoje em dia e dos jovens que retornam da guerra. O filme retrata de forma sensível e excepcional a trajetória desses personagens, numa Nova York que pouco vemos no cinema, o que me chamou a atenção positivamente.

 

 

A edição é nota 10 e faz a diferença e isso não é papo de amiga não, é opinião dos cinéfilos e do próprio diretor que elogiou o trabalho de Anne e sua equipe.

Esse é um filme que vai além da poesia do cinema, é sim o retrato de uma grande parcela da nossa sociedade que não vemos com frequência na telona, por isso é tão relevante e necessário.

 

 

Nunca viu “Minding The Gap”? Saiba mais sobre o premiado doc de Bing Liu. Se viu e curtiu como a gente, mate as saudades:

 

 

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