Sempre em Frente & Pequena Mamãe: Longas indicados ao Spirit Awards são imperdíveis

Algum fã de filme indie na área? Já conferiram o nosso podcast sobre a temporada de premiações que decolou com o anúncio dos indicados ao Spirit Awards, que celebra o cinema independente?

Corre aqui: Verdade seja Dita: Papo sobre o Spirit Awards – a premiação que valoriza o cinema independente

https://www.hollywoodeaqui.com/verdade-seja-dita-papo-sobre-o-spirit-awards-a-premiacao-que-valoriza-o-cinema-independente

Dois dos meus filmes favoritos de 2021 foram indicados na premiação, “Sempre em Frente” (C’mon C’mon) na categoria melhor filme e “Pequena Mamãe” (Petite Maman) na categoria melhor filme internacional.

Em “Sempre em Frente”, Johnny (Joaquin Phoenix,) é um jornalista de rádio que viaja pelo país entrevistando várias crianças sobre seus pensamentos a respeito de seu mundo e seu futuro. Até que ele fica encarregado de cuidar de seu jovem sobrinho Jesse (Woody Norman). Jesse traz uma nova perspectiva e, conforme eles viajam de um estado para outro, logo Johnny começa a olhar o mundo de outra forma. (Fonte: Adoro Cinema)

A química entre Phoenix e o pequeno Norman é tão excepcional que tem momentos em que acredito em estar assistindo um documentário. A fotografia do filme, rodado em preto e branco, é de uma maestria que eu não via há tempos. A forma como o diretor (Mike Mills) optou por mostrar cidades como Los Angeles, Nova York e Nova Orleans também me impressionou. Mas o grande destaque do filme é realmente a relação entre “tio” e o “sobrinho”.

Johnny já é um entusiasta na arte de ouvir crianças e adolescentes em sua vida profissional, mas foi a convivência com seu sobrinho Jesse que mudou a sua vida. O filme é de uma sensibilidade ímpar. Eu, que tenho sobrinhos, fiquei imaginando o quanto uma viagem com as crianças, sem os pais, pode ser especial para uma troca profunda, sendo que no filme, como na vida, nós adultos aprendemos muito mais com os pequenos do que com a gente.

O menino Woody Norman é brilhante e já é considerado um dos melhores da sua geração e uma grande promessa em Hollywood. E Phoenix, que já é um ator consagrado, dá um show. Na minha opinião essa é uma de suas melhores performances.

Esse é o tipo de filme que aquece o coração e dá vontade de conviver mais com os jovens para alimentar a criança que ainda mora dentro da gente.

“Sempre em Frente” tem estreia prevista nos cinemas brasileiros para o dia 17 de fevereiro.

 

 

Eu precisava assistir “Pequena Mamãe” e nem sabia, até que acordei com um áudio de Mariana Benevello, minha amiga cinéfila, editora, e que conhece bem meu gosto, dizendo que se eu não tivesse visto o filme ainda eu teria que ver imediatamente, “o fio condutor do filme é o encontro do passado, presente e futuro, aquela teoria do tempo que você ama”, disse ela.

Eu respondi dizendo que não tinha assistido ainda, mas tinha recebido o filme online (do Film Independent, pois o filme foi indicado e eu voto no Spirit Awards) e assistiria imediatamente. Foi o que fiz e me encantei de uma forma que não consigo nem explicar. A jovem atriz Gabrielle Sanz interpreta as duas protagonistas com um brilhantismo, isso sem contar o show de fofura, que a gente se derrete por ela na primeira cena que protagoniza.

Em “Pequena Mamãe” (Petite Maman), depois de sua avó falecer, Nelly (Gabrielle Sanz) é levada para a casa onde sua mãe cresceu e morou. Ao chegar lá, Nelly explora o local enquanto seus pais arrumam a casa. Ela encontra Marion (Gabrielle Sanz), uma menina igual a ela, com a mesma idade, e com quem se parece. Elas se tornam melhores amigas, construindo uma tenda juntas, dividindo lanches e conversando sobre as transições de vida e corpo que estão prestes a ter. Ao passar dos dias, as similaridades entre as garotas começa a ficar mais evidente, passado e presente se misturam. (Fonte: Adoro Cinema)

O filme fala sobre luto e renascimento de uma forma extremamente criativa. O plot, aparentemente clichê e simples, ganha uma complexidade quando a linha do tempo desaparece e o passado, presente e futuro se encontram. Eu sou fascinada pelo tema, desde a adolescência, e acredito mesmo que essa divisão do tempo não existe e as nossas realidades acontecem paralelamente. Por isso, “Dark”, a série alemã da Netflix, é uma das minhas favoritas de todos os tempos.

Mas o filme não é só sensacional por conta disso, o talento da atriz mirim, aliado ao olhar da diretora francesa Céline Sciamma (considerada uma das melhores da atualidade, especialmente depois do seu filme “Retrato de uma Jovem em Chamas”, um dos top 10 na minha vida cinéfila) que sabe como ninguém emocionar o público, torna a obra uma daquelas que fica com a gente pra sempre. Eu, que acabei de perder a minha mãe, encontrei conforto em “Pequena Mamãe”, que aqueceu meu coração, me fazendo acreditar ainda mais que pessoas que amamos partem, mas elas permanecem no nosso tempo, porque na verdade, em alguma realidade paralela, elas ainda vivem.

Esse filme é imperdível e a boa notícia é que tem estreia prevista nos cinemas brasileiros dia 3 de março.

Agora contem vocês pra gente quais foram seus filmes prediletos em 2021? E quem mais aí está ansioso pro Oscar?

 

 

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