Tive a honra de estar na première do filme “Jay Kelly”, que é sobre um famoso ator hollywoodiano, protagonizado por George Clooney, no Teatro Chinês, em Hollywood

Eu estava ansiosa pra ver o filme que conta com a participação de Riley Keough, minha eterna Daisy Jones, no elenco, e fiquei ainda mais feliz quando Clooney, Adam Sandler e, o diretor/roteirista, Noah Baumbach, entraram para apresentar o filme com a promessa de retornarem para um papo depois da sessão.
O que eu não sabia é que Riley também participaria do Q&A, assim como a diva Laura Dern. Quando o filme terminou e anunciaram o nome dela, eu que estava perto da entrada dos atores, não resisti e gritei Daisy Jones, de tão supresa que eu fiquei na hora. A moça ao meu lado riu e disse, “eu também adoro essa série e a Riley”. Conectamos no vício seriático e nos tornamos melhores amigas naquele momento.





O filme “Jay Kelly” acompanha a jornada de um famoso ator de cinema chamado Jay Kelly (George Clooney) e seu dedicado empresário Ron (Adam Sandler). Os dois embarcam pela Europa numa trajetória intensa na qual são confrontados com suas escolhas do passado, seus relacionamentos e os legados que construíram e deixarão para a posteridade. Comovente e, ao mesmo tempo divertido, o filme transita entre arrependimentos e conquistas.

Eu curti bastante o filme, que é mais profundo e até mais engraçado do que eu imaginava. A mulher da meia-idade que sou, se identificou muito com a cena final. Chorei e, dias depois, ainda me pego, como o personagem, refletindo sobre a jornada até aqui, o que talvez aconteça mais depois dos 50, como colocou o próprio diretor/roteirista, Noah Baumbach, “quando eu escrevo um roteiro de um filme, geralmente, coloco situações que são familiares pra mim, não exatamente uma autobiografia, mas momentos da minha própria vida que cabem na estória. Nesse caso, foi a cena final, que foi a base pra esse personagem. Eu acho que muita gente, depois dos 50, começa a avaliar as conquistas e os arrependimentos da sua própria jornada e que muitos desejam, como eu, assistir um filme da própria vida. Isso pode não ser possível na vida real, mas eu pude realizar esse sonho, através do personagem, no cinema”.
George Clooney complementou, “Essa é uma das cenas que mais marcaram o público que já assistiu ao filme até agora, pelos comentários que o público fez comigo nos festivais. E eu entendo porque, e digo que a cena me tocou bastante também. O mais interessante é que foi a primeira cena que rodamos. O que foi uma escolha excelente do Noah e dos produtores, porque, pra mim, resume toda a trajetória do personagem. Além do que, começar por essa cena facilitou meu trabalho e a minha conexão com Jay,com quem compartilho a mesma carreira, mas temos personalidades e histórias bem diferentes. Então, começar pelo fim foi produtivo pra mim”.





Adam Sandler concordou sobre as vantagens de terem começado as filmagens pela cena final, “acho que essa cena marcou de forma singela e sincera a conexão entre Jay Kelly e Ron, meu personagem e a minha conexão com George, que foi essencial para o restante do filme”.
George Clooney e Adam Sandler estão realmente excelentes e estão cotados, assim como o filme, a receberem indicações ao Oscar na categoria melhor ator e melhor ator coadjuvante, respectivamente.
Laura Dern também deu um show em sua rápida participação como Liz, a assessora de imprensa de Jay Kelly, e Riley, que interpreta Jessica, a filha mais velha de Jay, roubou as poucas, mas significativas, cenas que participou, como Adam Sandler disse, “as cenas da Riley são as favoritas da minha esposa, e eu concordo com ela, pois mostram a raiz da crise do Jay Kelly através da complicada relação dele com a filha. E a Riley tem uma sensibilidade tão grande que corta o nosso coração”.

Clooney acrescenta, “Riley está ótima mesmo, porque ela viveu um desafio pra rodar a cena. A logística foi complicada, ela saía de trás de uma árvore e foram vários takes até a câmera acertar a entrada perfeita, sem sombra, e atingir o objetivo que era a ideia que a cena propõe. Eu e Riley já estávamos rindo, mas focamos porque a cena era muito emotiva. No final, foi uma das mais significativas na telona e divertidas nos bastidores”.

Riley também rindo concorda, “essa cena deu trabalho, mas, realmente, foi interessante ver que os bastidores foram diferentes do resultado final, ainda bem”.
Laura Dern aproveitou e destacou o clima nos bastidores como uma das vantagens desse trabalho, “eu topo qualquer convite do Noah, sem mesmo ler o roteiro. Eu disse sim pra esse filme sem ter muita ideia do que se tratava e da minha personagem. Mas eu confio de olhos fechados no talento do Noah e, com esse elenco brilhante e a equipe nota 10, eu sabia que os bastidores seriam divertidos, como o George e a Riley disseram. A minha participação foi rápida, mas filmar em um trem com esses ícones e o elenco de apoio, que também é fantástico, foi sensacional. A dedicação de todos atrás das câmeras também. Infelizmente, eu não tive a chance de trabalhar com a Riley, mas devo dizer que suas cenas com o George foram as que mais me emocionaram também. Lindo trabalho dos dois e belíssimo texto e direção”.
Riley agradece e fala sobre sua participação no filme e as semelhanças e diferenças dela com sua personagem. “Essas cenas foram muito marcantes pra mim também, e eu fico feliz que vocês tenham gostado. A Jessica, como eu, cresceu com pais famosos (Riley é filha de Lisa Marie Presley, neta de Elvis), mas, felizmente, eu tenho uma relação muito diferente com meus pais e com a minha família, somos muito próximos. Mas eu entendo que crescer nesse ambiente tem muitos privilégios, mas também pode ser desafiador. Durante a minha vida, especialmente quando eu era adolescente, em muitos momentos, eu não curti a super exposição da minha família. Nesse ponto, foi fácil me identificar com a Jessica. Mas eu acho que as cenas tocaram muita gente porque ela é a pessoa que fala a verdade para o pai, no universo que ele vive, isso não é comum. E essa verdade é cruel porque deixa claro pra ele todas as suas falhas e seus erros. Ela não o poupa, como todo mundo envolta dele faz, porque ele, como pai, não fez nenhum sacrifício por ela também. O público se identifica e até fica aliviado que tem alguém no mundo que trata Jay Kelly como pessoa e não como celebridade. Fica claro que a Jessica não depende do pai em nada, nem financeiramente. Isso impacta a relação deles também, já que todas as outras pessoas vivem do sucesso dele, porque são funcionários dele. O diálogo é autêntico e deixa claro em que pé está a relação deles. Cortou meu coração também”.

George concorda, “exatamente, a Jessica é a pessoa que coloca o Jay no lugar dele e diz as coisas que ele não queria admitir, a cena da árvore é o subconsciente dele. Ponto alto da trajetória. Acho que mexe como conceito da culpa, que muita gente carrega. Já eu, pessoalmente, prefiro levar a vida assumindo os erros, consciente das minhas responsabilidades, mas sem peso, porque a culpa enlouquece e não resolve nada, como acho que ficou claro no filme. Sem contar que mundo já está tão pesado que não precisamos viver em crise, pelo menos, eu acho. Melhor encontrar uma forma de seguir em paz”.
Estou com Clooney, deixar a mochila dos erros mais leves, não é ignorá-los, mas enxergar que faz parte do ser humano vacilar, algumas vezes seremos perdoados, outras não, mas é assumir a responsabilidade e seguir em frente sem paranoia. Belo filme que tocou o coração dos atores e o meu. Obrigada AFI Fest, pela première e pela deliciosa oportunidade de rever Daisy Jones.
“Jay Kelly” estreia em cinemas selecionados em 20 de novembro e na Netflix em 5 de dezembro.