O ponto alto de cobrir o AFI Fest, em Hollywood, é assistir tanto a filmes de estúdio e serviços de streaming, como Jay Kelly, que estão na corrida do Oscar, como filmes indies do mundo inteiro.
Tive a chance de ver “Bugonia”, que está cotado pra receber indicações em várias premiações. O filme é mais um projeto incrível, fruto da parceria de sucesso do diretor Yorgos Lanthimos e Emma Stone, que ganhou seu segundo Oscar de melhor atriz por “Pobres Criaturas”, dirigido por Yorgos, em 2024 (o primeiro foi por sua atuação em “LA LA Land”).

Os filmes do Yorgos são definidos pela expressão “ame-os ou deixe-os”. Eu faço parte da turma que adora o trabalho fora da caixinha dele. Mas, conheço muita gente que não curte, o que é bastante natural, eu, por exemplo, não gosto de filme de fantasia e só assisti “Wicked” porque faz parte do meu trabalho. Nada contra o filme, tem a ver com meu gosto pessoal mesmo.
Fato que adorei “Bugonia” que é uma comédia/sátira que envolve a dupla conspiracionista Teddy (Jesse Plemons) e Don (Aidan Delbis), que sequestra a empresária de uma grande companhia (Emma Stone) com a crença de que ela é uma alienígena que planeja destruir o planeta.

O filme tem cenas hilárias, surreais, chocantes e tensas. Tem aventura, perseguição, tiro, sangue e morte, tudo bem escancarado. Confesso que fechei o olho de nervosinho em algumas cenas, o que demonstra o talento dos atores e a perfeição da caracterização, que dá mais autenticidade ao enredo.

Inclusive, “Bugonia” me lembrou, em alguns momentos, o clássico “Kill Bill”, de Quentin Tarantino. “Bugonia” tem uma pegada anos 90, início de 2000, e, como toda sátira, faz uma crítica severa à sociedade, de forma criativa e bizarra, que são as características do gênero.

Os atores estão excepcionais. Jesse Plemons está hilário e Aidan Delbis, que faz sua estreia na telona, também deu um show.
Emma Stone achou em Yorgos sua alma gêmea profissional mesmo e está de volta a corrida do Oscar, como uma das favoritas a receber uma indicação à estatueta, na categoria melhor atriz. O filme também está cotado para receber uma indicação, na categoria melhor filme.

Bugonia pode não agradar a todos mas, quem gosta do gênero pode dissecar em várias camadas as mensagens da obra que, em suma, mostra como os bilionários estão acabando com o nosso planeta (crise climática, concentração de renda, corrupção, exploração da mão de obra e por aí vai), um retrato autêntico do mundo de hoje.
Saiba mais sobre o AFI Fest, o maior festival de cinema de Los Angeles:

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