Bad Apples com Saoirse Ronan surpreende em sessão no AFI Fest 2025

Uma das maiores vantagens do AFI Fest é a oportunidade que temos de assistir a filmes internacionais. Alguns que estão na corrida do Oscar e outros que ganham visibilidade por conta do festival.

 

 

“Bad Apples”, estrelado pela super talentosa Saoirse Ronan, foi um presente do AFI Fest para os cinéfilos. O filme combina os gêneros de comédia e suspense e foi dirigido por Jonatan Etzler.

 

 

Baseado no romance “De Oönskade”, de Rasmus Andersson e escrito por Jess O’Kane, a história acompanha uma professora primária que, frustrada com um aluno indisciplinado, toma uma série de decisões ruins que a levam a trancar acidentalmente a criança em casa.

Olha, eu não imaginava que fosse gostar tanto de ver a Saoirse Ronan, de quem sou muito fã, ser tão cruel na telona. Realmente é um personagem diferente de todos que ela interpretou até hoje. Mais uma vez, ela arrasou.

 

 

Agora, o sucesso do filme se deve muito muito aos dois atores mirins, Eddie Waller, que interpreta o antagonista Danny e Nia Brown, que deu um show como Pauline.

 

 

Mas não só o elenco está incrível, como o roteiro é muito bom e nos coloca pra pensar, fazendo uma crítica severa ao sistema educacional e a forma como a sociedade trata pessoas com necessidades especiais. Uma reflexão proposta pelo diretor, que contou mais sobre a produção e os bastidores no papo que rolou depois da sessão. Compartilho os destaques da conversa abaixo:

 

Sobre a estória sueca ser passada na Inglaterra:

 

“Esse filme é baseado em um livro sueco escrito por um amigo meu, mas quando eu tentei produzir na Suécia, as pessoas não queriam que eu trancasse o menino no porão, queriam amenizar a estória. Aí eu fui vender o filme na Inglaterra, que tem a tradição de comédia sombria. Eles queriam mais era deixar a criança trancada mesmo. Por isso, adaptei o roteiro para que se passasse na Inglaterra. E o sistema educacional lá é parecido com o da Suécia, o que também ajudou.”

 

 

O foco do filme:

 

“Esse filme é sobre pessoas com necessidades diferentes, mal compreendidas pela sociedade, que não sabe o que fazer com elas e as colocam em caixinhas onde elas não pertencem, a gente vê isso no sistema educacional público, que não tem recursos. E queríamos chamar a atenção pra esse tema.”

 

A escolha de Saoirse Ronan

 

“Saoirse Ronan é uma das melhores atrizes da geração dela. Eu já era fã. Ela não é só uma excelente atriz dramática, como faz comédia muito bem também. Mandamos o roteiro pra ela e já estávamos preparados pra receber um não, mas ela respondeu em 1 semana, que queria encontrar, e ela estava ansiosa em interpretar um personagem que nem sempre faz a coisa certa. Foi ótimo trabalhar com ela.”

 

A ambiguidade da professora:

 

“A ambiguidade da personagem vem muito da Saoirse porque todo mundo simpatiza com ela, mesmo quando ela está fazendo coisas horríveis e isso foi importante pro personagem. Era algo que eu queria.”

 

 

A escalação do elenco infantil:

 

“A atriz que faz a Pauline, achamos rápido, mas o processo de escalação do Danny foi longo. Nós testamos muitos atores incríveis, mas foi difícil encontrá-lo, até porque muito do filme depende dele. Mas quando rodamos a primeira cena na sala de aula, eu fiquei aliviado, porque aí eu vi que realmente funcionou. Nossa elenco infantil é incrível.”

 

Improvisação:

 

“A gente ensaiou por 2 semanas, mas uma coisa que percebi, com atores jovens, é que era importante deixá-los improvisar. Teve muita improvisação no filme. A cena que eles estão jogando videogame é totalmente improvisada. E funcionou. A Saoirse também improvisou bastante. Rodávamos sempre 1 take das cenas totalmente improvisado para decidir na edição e usamos muitas dessas cenas improvisadas.”

 

A mensagem do filme:

 

“Tem muitas ‘bad apples’ nesse filme, não só a professora, o que mostra nossas falhas como ser humano. Isso foi importante pra mim. Ninguém é totalmente bom ou ruim, temos um pouco de tudo. Eu quero que as pessoas se olhem no espelho e vejam como são cúmplices desse sistema tóxico, e façam uma reflexão de como podemos viver nesse mundo com tanta gente sofrendo, eu queria abordar esse assunto, através do entretenimento, esse era meu objetivo. Espero que consiga através desse filme.”

Devo dizer que a proposta do diretor funcionou pra mim, saí bem reflexiva do cinema e indico “Bad Apples”.

 

Confira a nossa cobertura do AFI Fest:

 

 

 

 

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