Sobre raízes e asas: Jornada de 8 anos nos EUA

Por: Claudia Ciuffo

“Durante a nossa vida:
Conhecemos pessoas que vêm e que ficam,
Outras que vêm e passam.
Existem aquelas que,
Vêm, ficam e depois de algum tempo se vão.
Mas existem aquelas que vêm e se vão com uma enorme vontade de ficar…”
Charles Chaplin

Hoje fazem 8 anos que me mudei para os EUA ou, como minha amiga Larissa me lembrou, fazem 252.460.800 segundos, 4.207.680 minutos, 70.128 horas, 2.922 dias, 417 semanas e 3 dias que resido na terra estrangeira.

De todos os muitos sonhos que realizei desde o dia que cheguei aqui, o mais importante foi iniciar meu processo de auto-conhecimento. Li um texto que Camila, ex-rommate e grande amiga me mandou outro dia, sobre as pessoas que têm raízes e as que têm asas. Eu certamente faço parte do segundo grupo, tive que partir do meu maravilhoso Rio de Janeiro pra me conhecer melhor. Admiro quem faz isso em casa, mas eu vim encontrar comigo mesma num lugar onde ninguém me conhecia, ninguém sabia o meu nome e a minha história.

Aos 37 anos cheguei em LA e comecei do zero. Não foi e nunca será fácil porque a vida é fascinante mas cheia de desafios, mas o aprendizado é constante. Especialmente porque aqui tive a chance de conhecer muita gente totalmente diferente de mim. Enquanto no Rio eu estava cercada de amigos que cresceram comigo, participavam da vida da minha família, compartilhavam muitos dos meus hábitos (os saudáveis e os nem tanto), conheciam de cor e salteado meus defeitos e eram generosos em celebrar as minhas qualidades, aqui eu era apenas uma página em branco, que foi ganhando as cores e as formas de acordo com as pessoas que cruzaram meu caminho nesses 8 anos de jornada, agora também trilhada em Nova York.

Pessoas de diferentes idades, culturas e hábitos. Pessoas que vieram morar no exterior por motivos diferentes dos meus, e alguns que estão aqui por razões semelhantes. Amizades seladas rapidamente, já que o tempo na terra estrangeira tem uma intensidade diferente, longe da nossa terra natal temos a tendência de abrir nosso coração mais rapidamente….

Se meus amigos da vida compartilharam a construção do meu sonho e contribuíram com a formação do ser humano que fui até chegar aqui, cada uma das carinhas celebradas neste post teve um forte impacto no que se transformou a minha vida nos últimos 8 anos. Infelizmente, faltou gente, fotos se perdem, mas, sem dúvidas, todas as almas incríveis que passaram pela minha casa e cruzaram meu caminho estão registradas na minha lembrança e são hoje protagonistas da minha história.

Eu confesso que não sinto saudades do arroz e feijão, mas ainda acordo com o cheiro do galeto do Braseiro na Gávea, e escutando o barulho das madrugadas do Jobi, porque o que eu trouxe e mantive na minha bagagem todos esses anos foram as lembranças de uma juventude de festa e grandes amigos na cidade mais divertida do mundo. E nesta segunda etapa da minha vida, às vésperas de completar 45 anos, a minha página nos EUA não está mais em branco, a cada dia o livro vai ganhando novos personagens que me ajudam a ser uma pessoa melhor e que, às vezes, sem saber, me salvam de mim mesma e dos dias difíceis, como aquele que não pude ir ao casamento da minha melhor amiga, de quem eu era madrinha ou estar com ela no dia que sua filhinha nasceu.

É difícil encontrar um balanço entre manter as nossas raízes e usar as nossas asas, e quem me traz isso são os amigos que deixei no Brasil e os que vêm comemorar hoje comigo este aniversário especial na terra do Tio Sam.

A onda da saudade sempre vai bater, engraçado que para mim ela nunca aparece no Natal, ou no aniversário de alguém, como as pessoas pensam, mas ela vem com força numa segunda-feira qualquer, às 15 horas, sem nenhum motivo específico, e aí é na paz que encontrei aqui, nos amigos que faço, nas aventuras que vivo, que encontro forcas para surfa-la, renovo meus votos com meu sonho de morar nos EUA e sigo feliz a minha caminhada, regando as raízes de longe, usando as asas para explorar os prazeres da terra estrangeira que hoje chamo de lar.

Para Carolina, carioca da gema que estreou na vida em agosto, e sua mãe Fê Elisa que estava ao meu lado quando dei o pontapé inicial neste mudança radical, dedico este post e desejo que tendo raízes ou asas, Carol tenha uma vida repleta de grandes amigos, histórias pra contar e mais importante de tudo, sonhos, quaisquer que sejam eles, realizados com a plenitude de quem tem coragem de correr atras da sua própria felicidade.

Para todos os amigos que passaram pela minha jornada nos EUA nesses últimos 8 anos e àqueles que, como o Cristo Redentor, me recebem de braços abertos quando volto pra casa!

Com amor, Claudinha

Um comentário sobre “Sobre raízes e asas: Jornada de 8 anos nos EUA

  1. PARABENS QUERIDA ,FOI UMA LINDA CAMINHADA TENHO CERTEZA POR ONDE VOCE PASSA SEMEIA ALEGRIA,BONDADE E AMIZADE VERDADEIRA.
    CONTINUE REALIZANDO MUITOS OUTROS SONHOS ,VOCE MERECE PELA CORAGEM QUE TEVE.SEMPRE ACHEI QUE SERIA UMA VITORIOSA,CORRE ATRAZ DO QUE QUER, ME SINTO MUITO ORGULHOSA DE SER DUAS VEZES SUA MADRINHA,MINHAS ORAÇÕES SEMPRE TE ACOMPANHARAM.DEUS ESTARÁ AO SEU LADO EM TODOS MOMENTOS DE SUA VIDA BEIJOS COM CARINHO E AMOR DINDA

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