Painel com diretores indicados a filme internacional marca nossa cobertura às vésperas do Oscar

Dois dias antes de “Ainda Estou Aqui” levar o Oscar na categoria melhor filme internacional, tive o privilégio de assistir ao painel que reuniu os diretores e um produtor, indicados ao Oscar na categoria. Para mim esse evento é uma tradição da temporada de premiações, já que eu vou há mais de 10 anos. Mas, esse ano foi especial com a presença do filme brasileiro, de Walter Salles, de Fernanda Torres, que apareceu de surpresa, e estava na plateia, e da família Paiva, os filhos de Eunice, a protagonista de “Ainda Estou Aqui”, que vieram a LA prestigiar o filme e estavam sentados atrás de mim. Quando Salles disse que eles e Fernanda estavam no teatro, o entusiasmado público aplaudiu de pé. Momento inesquecível! Infelizmente não consegui fotografar Fernanda e nem a família Paiva, mas me sinto honrada por ter tido a oportunidade de encontrá-los aqui em LA, nessa corrida do Oscar que entrou para a minha história pessoal e profissional.

 

 

Mas não só o Brasil estava bem representado no belo Museu da Academia. Além dos respectivos diretores e produtores, as fantásticas atrizes do dinamarquês “A Garota da Agulha” também estavam lá, além do competente editor do alemão/iraniano, “A Semente do Fruto Sagrado”, e toda a maravilhosa equipe de “Flow”, um dos meus favoritos do ano, orgulho da Letônia, que estreou na temporada de premiações com duas indicações ao Oscar, melhor filme internacional e melhor animação, levando a estatueta na segunda.

 

 

O diretor e a equipe do francês “Emília Pérez” também tinham sido convidados, mas não puderam participar pois estavam no Cesar Awards (o Oscar francês), em Paris, que foi no mesmo dia do evento. O diretor, Jacques Audiard, mandou uma mensagem que foi lida pelo moderador, agradecendo a Academia e elogiando os filmes indicados.

 

 

O que eu mais gosto desse evento é que um diretor fala sobre o filme de um outro diretor, como cada um representa um país diferente (para concorrer nessa categoria o filme tem que ser falado, majoritariamente, em uma língua não inglesa) o painel é, de fato, uma celebração do cinema internacional.

 

 

O diretor de “Flow”, Gints Zilbalodis, compartilhou o que ele achou sobre “Ainda Estou Aqui”:

“Fiquei impressionado com a química do elenco e com as escolhas que o Walter fez para contar a história, sem exagerar no drama, mas de uma forma realista, que me fez embarcar na jornada da protagonista e de sua família de corpo e alma. O filme também mostrou um período difícil do Brasil, as cenas na prisão foram especialmente chocantes. Foi um filme que me emocionou e é muito importante, graças à situação política do mundo, agora mais que nunca.”

Walter Salles falou sobre “A Semente do Fruto Sagrado”, filme do diretor iraniano Mohammad Rasoulof. Rodado em segredo, por conta da situação política do Irã, o filme foi produzido pela Alemanha. O diretor não conseguiu chegar a tempo para o evento e o filme foi representado pelo produtor iraniano Mani Tilgner, que reside na Alemanha.

 

 

“Vocês fizeram milagre considerando as condições do país e os riscos que vocês estavam correndo para rodar o filme. Senti que nossos filmes tinham muito em comum, ambos centrados em uma família, mas eu contei uma história do passado, e vocês uma história do presente. Achei incrível vocês colocarem as imagens das manifestações que estavam acontecendo no país. Sem contar com a virada no roteiro, que acompanha os acontecimentos da vida real e o impacto de um regime autoritário na trajetória do protagonista. Foi genial!”

 

 

O diretor de “A Garota da Agulha”, Magnus von Horn, emocionou o diretor de “Flow” ao contar sobre a sua experiência vendo a animação:

“Eu vi seu filme com meu filho de 5 anos e foi a primeira vez que, tanto eu, quanto ele, ficamos concentrados no mesmo filme. Geralmente o que ele gosta eu não ligo e vice-versa. Foi um momento especial pra mim porque foi o primeiro filme que conectou eu e meu filho. Você me lembrou que um filme não precisa de diálogo para contar a estória de forma competente, quando se tem personagens tão marcantes. Você falou de temas sérios de uma maneira sensível, divertida e poética. Seu filme é brilhante. Obrigada. Eu sempre vou lembrar como ‘Flow’ marcou a minha relação com meu filho.”

O diretor Jacques Audiard mandou por e-mail suas impressões sobre “A Garota da Agulha”:

“Seu filme é uma experiência cinematográfica sensacional. As atrizes são excelentes e as escolhas que você fez, inclusive usando a fotografia para contar a história, foram assertivas. O filme visualmente é lindo e isso foi muito importante, considerando o enredo impactante. Você faz uma proposta de reflexão com um acontecimento real em um outro século, mas que é muito atual. Eu vou pensar no seu filme durante muito tempo. Isso é cinema de qualidade.”

 

 

Para encerrar, o produtor de “A Semente do Fruto Sagrado” falou de “Emília Pérez”:

“Achei interessante a combinação de gêneros, tem música, aventura, thriller, drama, comédia, para contar a estória. A condução do Jacques foi muito talentosa, pois não é fácil fazer isso. A letra das canções também são incríveis e importantes para entendermos o roteiro. ‘Emília Pérez’ foi um filme revolucionário em vários aspectos cinematográficos e o reconhecimento que recebeu até agora é a prova que o mercado está aberto para inovações. Isso é fantástico!”

Esse ano, a corrida do Oscar termina com uma estatueta para o Brasil e não tem nada mais feliz para uma brasileira cinéfila como eu, que cobre a temporada de premiações há mais de 10 anos.

Agora eu espero que o sucesso de “Ainda Estou Aqui” abra portas para a produção de outros filmes, séries, livros, músicas e a ascensão de artistas brasileiros. O Oscar dá aos cineastas e ao mercado brasileiro mais oportunidades de financiamento e distribuição de seus filmes e mostra a história e o potencial do nosso país na produção de entretenimento de qualidade. Por isso, esse reconhecimento é tão importante. Sigo na torcida pra ver cada vez mais a cultura brasileira brilhar em Hollywood e pelo mundo afora e, claro, já estou ansiosa para reencontrar o trio perfeito: Walter Salles, Fernanda Torres e Selton Mello, nos festivais e eventos da temporada de premiações, em breve, em LA.

 

Quer saber mais sobre os filmes que concorreram com o Brasil na categoria filmes internacional no Oscar? Confira aqui:

 

 

 

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