Museu a céu aberto no deserto da Califórnia é um espetáculo de passeio

A Califórnia é um estado abençoado pela natureza. Aqui encontramos o mar, as florestas, montanhas e o deserto. Podemos nadar, fazer caminhadas e esquiar. E ainda temos o Galleta Meadows, um museu a céu aberto, no deserto, que é 100% gratuito e aberto ao público 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Idealizado por Dennis Avery, herdeiro da empresa Avery Label, que fez bom uso da sua fortuna ao adquirir mais de 6 mil metros de terreno no Deserto de Sonora, em Borrego Springs, para preservá-lo do desenvolvimento imobiliário e proporcionar acesso público e gratuito à arte.

 

 

Para tal, o Dennis contratou o artista mexicano Ricardo Breceda que, entre os anos de 2008 e 2012, criou mais de 130 esculturas de metal oxidado em grande escala, às quais Avery se referia como “Sky Art” (Arte do Céu).

Eu já tinha passado de carro pelo local há anos, mas dessa vez, eu visitei a área com as amigas, com calma, depois da Comic Con, pois o local fica a apenas 2 horas de carro de San Diego e a viagem pelas montanhas é linda de viver.

 

 

Para explorar o local é preciso dirigir e ficar atento às estradas de areia, tendo um cuidado extra para não atolar o carro. Com isso, é melhor ir em um dia de clima bem seco.

As meninas e eu ficamos impressionadas com as esculturas que são réplicas em tamanho real ou gigantescas de dinossauros, mamutes, tigres-dentes-de-sabre, preguiças-gigantes e camelos, cujo registros fósseis foram encontrados no local.

 

 

 

As esculturas retratam também carneiros-das-montanhas, escorpiões, gafanhotos, padres espanhóis, freiras, que fizeram parte das missões religiosas que passaram pela área, e figuras históricas, como o Jeep Willys vintage de 1946, empoleirado em uma pilha de pedras falsas e a cabeça de um cacique indígena, que representa os povos que viveram ali.

 

 

 

A obra mais famosa é uma impressionante serpente/dragão de cerca de 107 metros de comprimento, que parece mergulhar e emergir da areia do deserto, atravessando a estrada. A obra é excepcional, assim como o trabalho de Ricardo.

 

 

Apesar do calor que fazia no dia, ficamos boquiabertas com a imensidão e a beleza desse museu, cercado das montanhas do deserto de Anzo-Borrego e com a perfeição das esculturas que, na verdade, relatam a história dos animais e das pessoas que passaram por ali através dos anos.

 

 

 

As esculturas de alguns animais mostrando o momento em que eles duelam são um espetáculo a parte.

Atualmente o Galleta Meadows está sob os cuidados e a gestão da Under the Sun Foundation, que também apoia programas locais de meio ambiente e artes comunitárias, como o Candlewood Arts Festival, e tem como objetivo levar a arte à comunidade local e aos visitantes. A ONG pretende incorporar novas geografias, iniciativas artísticas e formas de interação com o meio ambiente e entre as pessoas nos próximos anos.

 

 

 

 

Claro que não podemos deixar de mencionar a história dos grupos indígenas, Kumeyaay (Ipai, Tipai e Kamia), o Cahuilla e o Cupeño (Kuupangaxwichem) que habitavam a região por milhares de anos antes da colonização. A energia dos povos indígenas, que são os primeiros nativos estadunidenses, continua fazendo do deserto de Sonora um lugar pra lá de especial e um passeio imperdível onde a arte está incorporada à natureza e celebra animais e pessoas que habitaram aquela terra mágica.

 

 

Uma salva de palmas à memória de Dennis Avery, que partiu deixando um belo legado, ao investir a sua herança em cultura grátis, protegendo a comunidade e a natureza da exploração imobiliária!

Muitos turistas pensam apenas em Los Angeles, San Francisco e San Diego, quando planejam uma viagem à Califórnia. Esse passeio é imperdível e sensacional, inesquecível e, sinceramente, diferente de tudo que eu já tinha visto antes. Aproveito para indicar também uma vista a cidade de Julian, onde almoçamos depois da passagem pelo museu a céu aberto e o tour a mina de ouro que fizemos lá. Os links das matérias com todos os detalhes estão no final desse post.

 

Conheça mais sobre os povos indígenas que habitaram a região que hoje fica o museu a céu aberto no deserto:

 

Kumeyaay (Ipai e Tipai): Foram os principais habitantes — tanto permanentes quanto sazonais — das áreas sul e leste do deserto de Anza-Borrego. Estabeleciam acampamentos de inverno e primavera, como em Mine Wash e no Sítio Arqueológico de Morteros, utilizando almofarizes escavados na rocha (*morteros*), pedras de moer (*manos*) e arte rupestre.

Cahuilla: Habitavam as bordas norte do vale e as áreas desérticas circundantes, adaptando seu modo de vida — baseado na caça e na coleta de plantas — ao clima rigoroso do deserto.

Cupeño: Mantinham territórios e redes comerciais estreitamente ligados às comunidades vizinhas Cahuilla e Kumeyaay, situadas em altitudes mais elevadas e nos vales do interior.

 

Para mais informações, acesse:

 

 


Agradecimento especial às amigas Mariana Knabben e Raquel Zambon que compartilharam suas fotos que também ilustraram esse post.

 

 

 

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