Atores de “3%” comentam sobre a série em coletiva de imprensa realizada pela Netflix

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foto: Pedro Saad/Netflix

Por: Matheus Fabbris

Em um mundo distópico, cruelmente dividido entre progresso e devastação, a população só tem uma chance de melhorar a sua sorte – e somente 3% conseguirão.

A Netflix convidou o HEA para participar da coletiva de imprensa de “3%” realizada em São Paulo. A série é a primeira produção original e brasileira da plataforma. Incrível, né?

Eu já comentei algumas vezes na coluna Hollywood Brasileira que desde o anúncio da série, eu fiquei muito ansioso. Já acompanhava até mesmo quando lançou o episódio piloto e independente no Youtube – e logo após veio todo o desenvolvimento do novo projeto.

Aliás, a Netflix liberou para a imprensa o primeiro episódio de “3%“, que está sensacional. Logo nas primeiras cenas já conseguimos ver referências de obras e adaptações que amamos. Desde as antigas (“Admirável Mundo Novo” e “1984”) até as mais recentes (“Jogos Vorazes” e “Divergente”). É uma série DISTÓPICA e BRASILEIRA. Que aborda personagens fortes e muita diversidade.

Na coletiva, Viviane Porto (Aline), Michel Gomes (Fernando), João Miguel (Ezequiel), Pedro Aguilera (Roteirista), Bianca Comparato (Michele), Rodolfo Valente (Rafael), Vaneza Oliveira (Joana) responderam perguntas e respostas dos jornalistas. Confira tudo o que rolou:

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Como será representar o Brasil em um projeto de distopia?

Bianca: Eu sempre falo que o Brasil é uma grande distopia. Foi muito bem pensado, no olhar do Pedro [roteirista] de se basear em obras distópicas como “1984” e “Admirável Mundo Novo”. Em adaptações recentes, vemos que é tudo muito clean, muito cinza, e em 3%, temos um teor mais brasileiro e colorido. Isso é um diferencial.

Viviane: Não só a responsabilidade de representar o Brasil, mas também um orgulho de colocar uma obra de ficção que representa signos tão universais no mundo, em língua portuguesa. É de uma importância imensa.

Pedro: Sempre tivemos em mente o fato de estar no Brasil e isso é muito importante. Apesar de ser do futuro, se passa no Brasil. A questão também é que o Brasil é muito desigual, e dentro da série, essa desigualdade está totalmente cristalizada no sistema.

Bianca, participar de uma produção grande acaba engajando a carreira da atriz, temos aí a Jennifer Lawrence e Shailene Woodley como exemplos, então, como você está se preparando para lidar com o grande público?

Bianca: O que eu gostei desse projeto foi uma das coisas que eu priorizo sempre, que é ter bons personagens. Me senti motivada e desafiada. O projeto me alimentava artisticamente com a minha personagem, Michele, e o tema da série. Eu sempre busquei isso, de falar com o grande público. Consigo ver um crescimento na carreira, além de trabalhar ao lado de profissionais que eu admiro.

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Todos os personagens têm personalidade muito forte, principalmente a Joana, interpretada por Vaneza, que é fantástica. Como foi encarnar os personagens?

Vaneza: Quando eu fiquei sabendo que seria a Joana, veio a primeira camada, de uma mulher forte e resistente. Nos ensaios, fui entendendo mais essas camadas. É uma personagem muito forte? É. E no decorrer da história você vai entendendo mais a sua luta. Ela é forte mas ao mesmo tempo tem sensibilidade, uma menina que procura sempre se adaptar, procura entender como são as pessoas. O desafio era se eu conseguia alcançar todos os elementos da personagem. Eu sempre digo que cada diretor queria um pedaço do bolo, tinha diretor que queria uma Joana mais doce e eu ficava imaginando como seria. Então foi uma delícia descobrir tudo isso.

Rodolfo: Foi importante também o tempo que ficamos juntos. Nós, atores aqui no Brasil, não estamos acostumados a ficar juntos, principalmente em linguagem televisiva, onde o tempo é muito curto. Mas na série, tivemos semanas de trabalho para descobrir quem eram esses personagens. Isso é fundamental.

Bianca: Também é muito bom ter duas mulheres na linha de frente, o cadeirante que é um dos protagonistas… A ideia é mostrar a força dos personagens aparentemente frágeis.

Viviane: Um assunto importante presente na discussão é sobre o feminismo, questão de gêneros, transgêneros e cor. É essencial pautar isso. Ver mulheres negras ocupando espaço na sociedade, mas em lugares que cada um tem sua força. A série retrata os seres humanos de uma forma multifacetada.

João Miguel: É interessante que a fragilidade está em todos os lugares, inclusive no poder. O personagem fica cada vez mais obsessivo na medida em que se fragiliza. Essa metáfora é conducente como um todo na série. Como isso reflete na sociedade sempre me interessou.

Michel: Também acho que é muito envolvimento. Foi tudo tão intenso, nos afastamos um pouco mais da família e amigos e começávamos a conviver mais esse período. Durante uma das cenas que fizemos no Itaquerão, me peguei em frente ao espelho com uma cara de mau e não entendia muito bem. A gente acaba se doando muito.

A série tem bastante diversidade como um cadeirante, mulheres marcantes, etc. Inclusive as minorias em posição de poder, que perpetuam em como o autoritarismo ainda existe no Mar Alto. Pedro, por que você fez essa escolha de colocar essas pessoas oprimidas?

Pedro: Uma coisa interessante que a gente sempre quis fazer na série, era retratar a diversidade do Brasil. Sempre buscamos isso nos personagens independente da posição de poder que eles estivessem. Mas como a gente estava vivendo em um futuro e focar em opressão específica, achamos que serra interessante que apesar de coisas horríveis estarem rolando nesse universo que é no futuro, algumas outras coisas deram uma agilizada e as pessoas superaram nesses últimos 100 anos. Não queríamos que o Mar Alto fosse racista e machista, que são questões que já existem atualmente. Focamos em questões de desigualdade. É importante ter algumas camadas que não estão no poder hoje em dia, estarem no poder na série.

A série está com seu lançamento marcado para o dia 25 de novembro na Netflix. Vale a pena conferir!

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