Eu assisti o trailer de “Bob Trevino Likes It” quando fui ver “Um Completo Desconhecido”, em fevereiro. E já chorei ali.
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“Bob Trevino Likes It” é inspirado na amizade entre a escritora e diretora Tracie Laymon e um estranho que conheceu ao procurar seu pai online. |
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Torci para que rolasse uma sessão especial do filme, logo após a temporada de premiações esse ano. Os anjos cinéfilos me ouviram e o Film Independent realizou meu sonho mais rápido e melhor do que eu imaginava, não só com exibição do filme, mas também com um papo pós-sessão com a roteirista/diretora, Tracie Laymon, a protagonista, Barbie Ferreira, que interpreta Lily Trevino e Laura “Lolo” Spencer, que interpreta Daphne.

Mais animada do que nunca, lá fui eu para o “QG” do Film Independent em LA. Cheguei fui recebida com drinks e com a simpatia de Tracie e seus produtores que agradeciam a presença de todos que foram prestigiar seu filme.
Eu sabia que tinha que levar um lencinho mas, sinceramente, eu deveria ter levado um lençol para assistir a essa obra-prima que fala sobre a importância e o amor da família que a gente escolhe. O que conheço bem desde que me mudei para os EUA, eu construí com amigos, que conheci aqui, uma relação tão ou mais próxima que tenho com alguns familiares.

E, tendo em vista que praticamente todo mundo no cinema se emocionou profundamente, creio que muitos se identificaram com a ideia de um estranho (a), que você conhece na internet, mudar a sua vida e preencher lacunas que suas relações familiares deixaram vazias.
O roteiro é de uma sensibilidade e de uma autenticidade tão grande, que parece que somos nós mesmos numa sessão de terapia ou batendo um papo com o espelho.
A química entre o elenco salta da tela, especialmente entre Barbie, que está excepcional e, John Leguizamo, em um dos melhores momentos de sua fantástica carreira.
A produção é muito caprichada e mostra como é possível fazer um filme primoroso, de baixo orçamento, quando se tem um ótimo roteiro, um excelente elenco e uma diretora competente que, acompanhada de uma equipe comprometida, fez um trabalho que é bonito de ver na telona. O filme foi rodado em Kentucky em locações que nos transportam para a vida daquele grupo de pessoas, suas dores e suas alegrias.
No papo, Tracie contou mais sobre esse projeto que, fiquei surpresa ao saber, é o seu primeiro longa.
“O filme é baseado na minha amizade com o Bob, que faleceu há alguns anos. Não é exatamente a nossa história, mas é verdade que eu tinha uma relação complicada com o meu pai e que mandei uma mensagem pro Bob no Facebook. Ele realmente respondeu e ficamos amigos. Isso foi nove anos antes dele falecer, mas é fato que ele mudou a minha vida em poucas semanas, como acontece com a Lily no filme.
Eu continuo próxima da esposa e da filha dele, que faz uma participação no filme (ela é a atendente da loja de construção). Fico feliz que elas abraçaram esse projeto desde o início.”

Emocionada, Tracie confessa porque fez o filme, nos fazendo chorar em pleno Q&A, “quando meu Bob se foi, eu me arrependi muito de não ter falado pra ele como ele tinha mudado a minha vida. Eu não tinha agradecido a ele tudo que ele fez por mim. O arrependimento me consumia e eu fiz esse filme para agradecer a ele. Me sinto melhor agora, especialmente com a recepção calorosa que esse projeto tem recebido aqui nos EUA e pelo mundo afora. A gente faz um filme desses e espera que o público responda bem, se identifique, mas não sabemos o que vai acontecer. A resposta foi melhor que eu poderia ter sonhado. Eu agradeço ao meus produtores, elenco, minha equipe, dei muita sorte de me cercar dessas pessoas maravilhosas (apontando para as atrizes e os produtores que estavam presentes), agradeço vocês por estarem aqui, todo mundo que assistiu e, principalmente, ao Bob que foi minha inspiração e minha salvação numa hora que eu precisava tanto. Hoje eu tenho ele e sua família, como a família que eu escolhi e que me acolheu. E esse filme me fez me sentir menos arrependida pois é meu agradecimento a ele por tudo que ele representa na minha vida”.
Vai confessa, escorreu uma lágrima, né?! Você não está sozinho(a)!
Eu já amava a atriz Barbie Ferreira, que interpreta minha personagem favorita na série “Euphoria”, mas fiquei ainda mais encantada ao conhecê-la na sessão de “Bob Trevino Likes It”.

Além de ter dado um show no filme, Barbie tem uma energia ótima e contagiante. Divertida, ela confessa, “eu falo demais”, arrancando risos da plateia que estava ansiosa para ouvir tudo que Barbie tinha a dizer sobre esse projeto.
“Quando eu e Tracie nos encontramos para conversar sobre o filme, eu vi que a gente tinha muitas coisas em comum, me senti muito confortável para contar a ela coisas da minha vida, e a Lily acabou sendo uma combinação entre a minha experiência e a da Tracie. Felizmente, eu também tenho pessoas na minha vida que são importantes pra mim como o Bob.
Algumas cenas e momentos foram intensos emocionalmente. Eu nunca tinha me envolvido tanto com uma personagem mas, ao mesmo tempo, foi catártico. Uma terapia mesmo. Um projeto que também mudou a minha jornada. Até porque trabalhar com o John, a Lauren foi um presente. Eu aprendi tanto com eles todos, com a Tracie também, aliás, eu fiquei impressionada desde que li o roteiro, estava tudo ali nas páginas. Nesse sentido foi um trabalho tranquilo porque a Lily já estava pronta.”

Tracie observa, “o John é tão generoso quanto o Bob, essa é uma característica dele como ator que contribuiu não só para o personagem como para todos nós. Ele é espetacular e abraçou esse filme com a gente”.
Barbie, “esse filme foi um show de generosidade. Você também é muito generosa. Eu me senti muito segura para fazer as cenas que foram emocionalmente difíceis, e eu me senti segura justamente por estar cercada dessa generosidade por todos os lados.
A gente chorou no set também, mas se divertiu tanto fazendo esse filme, com a nossa pequena família escolhida, lá em Kentucky. Como é especial saber que o filme foi tão longe, já ganhou um monte de prêmios, toda vez que a Tracie fala com a gente tem um prêmio novo. É tão incrível isso e tão lindo ouvir como as pessoas se identificam e se emocionam com a trajetória da Lily, do Bob, da Daphne que tem um pouco de todos nós. Essa experiência me marcou pra sempre. Espero que mais gente assista agora no cinema”.

Lauren “Lolo” Spencer também falou da sua experiência incrível interpretando Daphne no filme.
“O que eu mais gosto da Daphne é que ela não é perfeita, muito pelo contrário, ela é meio escrota com a Lily. Risos. E isso é bom, especialmente quando é um personagem com deficiência física. Geralmente os portadores de deficiência física são os coitados e tudo gera em torno da deficiência, mas não nesse caso. Foi isso que me chamou a atenção ao ler o roteiro e me fez querer participar desse filme.
A Daphne, diferente de mim, ainda está aprendendo a lidar com a deficiência física, é algo novo em sua vida. Então tudo é novo, até a sua relação com a Lily que é a sua cuidadora, ao mesmo tempo sua amiga também. Não é fácil traçar a linha entre a amiga e a profissional. Isso já aconteceu comigo também. Já tive amigos que foram meus cuidadores, na época da faculdade, e, em várias situações, eu tive que dar um toque neles, tipo, agora eu realmente preciso da sua ajuda, não é só como amiga. Mas quando a gente aprende a comunicar, a relação tende a fluir bem. Aconteceu na minha vida e vejo no filme também.”
Barbie complementa, “a Lily tinha medo de se abrir para novas amizades, mas ainda bem que a Daphne insistiu, porque só fez bem a ela. Aliás, a relação com o Bob e com a Daphne salvaram ela”.

Lauren, “às vezes, estamos tão vulneráveis que é realmente complicado dar uma chance para novas pessoas entrarem em nossas vidas. Mas, ao mesmo tempo, isso pode mudar tudo pra melhor, que foi o que aconteceu. Presentes da vida. Aliás, como vocês e esse filme foram pra mim”.
“Bob Likes It” vai impactar a sua vida, assim como o filme impactou os atores e o Bob da vida real impactou a vida da roteirista/diretora Tracie Laymon; mas só pra garantir, leve um pacote de “Kleenex”, que é tão fundamental nesse caso que vale até a propaganda gratuita do lenço de papel.
Saiba mais sobre “Bob Likes It”, que estreia em seletos cinemas em NY e LA, dia 21 de março e dia 28 de março em outras cidades do país. Se você mora ou está nos EUA, garanto que esse vale a pena conferir:
