Meu coração fica saudoso no Carnaval, minha festa brasileira predileta.
Mas esse ano tive a sorte de curtir a “folia” na companhia de um baiano, um pernambucano, um carioca e uma francesa com alma brasileira, em uma exibição, em LA, de “O Agente Secreto”, que, por sinal, se passa no carnaval



Foi maravilhoso assistir o filme pela segunda vez na telona e ainda ouvir as histórias do protagonista Wagner Moura, vencedor do Globo de Ouro e indicado ao Oscar, na categoria melhor ator, o diretor Kleber Mendonça Filho, a produtora Emilie Lesclaux e o produtor de elenco, Gabriel Domingues, também indicado ao Oscar na categoria casting, que estreou esse ano na premiação.

“O Agente Secreto”, que já levou o Globo de Ouro na categoria filme internacional, também está indicado ao Oscar, nas categorias melhor filme e melhor filme internacional.
Isso sem contar a longa lista de prêmios que o filme, Kleber, Emilie e Wagner já receberam em Hollywood e pelo mundo afora, quebrando recordes de indicações ao Oscar e fazendo história com a indicação de Wagner, o primeiro brasileiro indica o na categoria melhor ator e Gabriel Domingues, o único produtor de elenco indicado por um filme que não é falado em inglês.


Compartilho aqui os destaques do papo com Wagner, Kleber, Emilie e Gabriel, que animou a minha sexta-feira de Carnaval.
Wagner Moura
Sobre a indicação ao Oscar:
“No momento que as indicações foram anunciadas, eu estava em um avião, voltando de Paris, onde participei de eventos pra promover o filme, para LA. Eu geralmente não entro na internet quando estou no avião, aproveito o momento pra ficar off-line, mas a curiosidade foi grande e me conectei, foi aí que vi as mensagens dos amigos, da família, eu queria comemorar, mas estava sozinho. O avião inteiro dormia, eu estava disposto a abraçar um desconhecido, mas resolvi pedir uma taça de champanhe e brindei comigo mesmo. Pra mim é uma honra e uma alegria ver o filme e meu trabalho reconhecido no Brasil e no exterior.”
A última cena do filme:
“Aquela cena foi a última cena que eu rodei também. Minha despedida. Eu estava muito emocionado, aliás, a emoção tomou conta do set naquele dia. Toda a equipe estava presente, foi muito especial. A gente não ensaiou aquela cena, o Kleber queria que fosse tudo muito natural e eu concordei. Lembrei muito do menino Fernando, das minhas cenas com ele como Armando/Marcelo, e tentei imaginar como foi pra ele esperar a chegada do pai, todo arrumadinho, e a frustração que ele viveu naquele momento que a gente não vê, apenas ouve ele contar anos depois. Foi muito profundo tanto para o personagem como pra mim. Inesquecível.”
Kleber Mendonça Filho
A trajetória de O Agente Secreto:
“Eu fico muito feliz com o reconhecimento que o filme tem recebido do público e da crítica, no Brasil e pelo mundo afora. Esse é um momento muito especial para o cinema brasileiro, especialmente porque esse filme se passa na ditadura militar, um período da história do Brasil que muitos querem esquecer, mas que é importante lembrar agora, mais que nunca, para que esse período da história nunca mais se repita.”
As cenas de ação:
“A gente estava rodando com duas frentes, eu dirigindo uma parte e o Leonardo Lacca, outras cenas, pois tínhamos um tempo restrito para rodar o filme. O que ajudou é que eu estava editando o filme na minha cabeça enquanto rodava, ou seja, eu já tinha uma ideia de como a perseguição apareceria no filme e isso ajudou muito no produto final. E o melhor é que o Léo também me entendia, e com isso, conseguimos rodar as cenas de ação com o ritmo certo. É sempre im desafio, mas a mente de editor me ajudou muito.”
Emilie Lesclaux
A cena mais difícil:
“Por incrível que pareça a cena mais complicada foi a do Carnaval. A gente tinha pouco tempo pra rodar, muito figurantes, e não tinha tempo de fazer muitos takes. Nossa sorte é que o Wagner é um excelente ator e deu conta do recado no primeiro take. Foi um alívio do ponto de vista da produção, porque estávamos bem tensos, mas foi um sucesso e é uma das minhas cenas favoritas no filme.”


Gabriel Domingues
Você está indicado só com veteranos de Hollywood. Produtores de elenco que são muito famosos aqui. Como você se sentiu ao fazer parte do grupo, na estreia dessa categoria no Oscar?
“Olha, foi uma honra e uma surpresa mesmo. Agora mesmo a gente estava em um jantar com alguns profissionais indicados. Todos são estadunidenses e trabalham em Hollywood há mais de 20 anos, todos se conhecem, e eu sou o novato do grupo, nunca trabalhei aqui, não conhecia ninguém. Mas fui muito bem recebido por todos. Estou muito feliz e sou muito grato ao Kleber e à Emilie que confiaram no meu trabalho também.”
A escalação de não atores:
“A nossa intenção era encontrar pessoas que pudessem incorporar os personagens de forma autêntica e natural. Eu, particularmente, gosto de trabalhar com não atores quando um ator experiente, como o Wagner, que está sempre disposto a trocar com generosidade e paciência. A liderança dele foi essencial nesse filme, pois criou um ambiente onde os não atores se sentiram confortáveis e confiantes e os atores se comprometeram a interpretar seus personagens com a mesma generosidade proposta por ele. Foi uma experiência muito boa e produtiva para todos nós.”

A escalação mais impactante:
“Na minha opinião, foi a do personagem Clovis, interpretado pelo Robson Andrade. Ele nunca tinha trabalhado como ator. Ele era vendedor ambulante e mandou um vídeo pra gente, que nos chamou a atenção e o chamamos ele para um teste, acompanhado da mãe. De cara, eu sabia que ele era o Clovis que é um personagem que combina inocência e vulnerabilidade. Clovis está fugindo da vida familiar abusiva e cai meio de paraquedas naquela comunidade. Ele não tem nenhuma conexão política, ao mesmo tempo, também está na “clandestinidade”. O Robson incorporou perfeitamente todas as características do Clovis. Foi um achado perfeito! Assim como todos os não atores que conhecemos nesse processo e que agora podem seguir a carreira, se assim desejarem.”

Nada como um encontro com o colírio Wagner Moura e gênios talentosos que nos deram de presente “O Agente Secreto” para matar minhas saudades carnavalescas.
Eu, fã de carteirinha do filme e feliz de ver a diversidade do Brasil tão bem representada no cinema, estou vibrando nesse temporada de premiações. Meu coração cinéfilo não poderia estar mais orgulhoso ao ver “O Agente Secreto” ser tão aclamado.
Enquanto aguardamos ansiosos a cerimônia do Oscar, dia 15 de março, confiram minha carta de amor ao Agente Secreto:
