E o Oscar vai para… Raylane e a busca pela felicidade

Por: Raylane Simões

Oi, gente! Meu nome é Raylane, tenho 19 anos e hoje vim contar um pouquinho de mim pra vocês a pedido da tia Claudinha, o que me deixou muito feliz. Hoje, aos 19 anos, eu vim me convencer de que o que eu realmente amo é a arte, TV, música, dança, teatro, tudo isso que integra o mundo artístico. Mas eu trilhava um caminho totalmente contrário a isso e ia me afastando cada vez mais do que eu realmente amo.

Quando eu tinha 16 anos fui embora da minha cidade, Macapá, capital do Amapá. Vocês devem estar se perguntando “onde fica isso?” (todo mundo pergunta), rs. O Amapá fica bem na ponta do mapa do Brasil, lá em cima. A minha cidade é cortada pela linha do Equador, é um dos poucos lugares do planeta onde você pode estar no Hemisfério Norte e Sul do mundo ao mesmo tempo! Mas voltando ao assunto, aos 16 anos fui embora de Macapá para morar em Brasília morar com o meu tio a fim de estudar, porque lá a educação é melhor do que na minha cidade, como todos devem imaginar. Eu fiz o último ano do Ensino Médio lá, isso foi em 2011. Foi um ano muito difícil por causa da adaptação a uma nova cidade, nova cultura, novas pessoas, nova escola, tudo novo! E sem falar sobre a distância da família, amigos, do meu porto seguro. No início foi um pouco difícil por eu ser uma pessoa tímida e as pessoas de Brasília serem muito fechadas (na minha opinião), mas depois fiz amizades e as coisas começaram a melhorar, amizades que levarei pra vida inteira. Aprendi que aonde quer que você vá você irá encontrar pessoas especiais e incríveis que você amará e lembrará pro resto da sua vida. Sem amigos a vida se torna muito mais difícil (talvez até impossível) de ser vivida.

Naquele ano eu me dediquei única e exclusivamente aos meus estudos, estudava de manhã, à tarde, à noite e de madrugada. O vestibular na Universidade Federal de Brasília (UnB) é um dos mais difíceis e concorridos do Brasil. A minha diversão era durante os almoços, onde eu e meus amigos almoçávamos juntos para depois ir para a aula da tarde. Naquela época, eu não sabia nem qual faculdade queria fazer, mas estudava como se já soubesse. Mas finalmente escolhi o curso que queria: Biomedicina! E adivinhem? Não tinha Biomedicina na UnB. Então resolvi fazer Biotecnologia e tentar Biomedicina na UFG (Federal de Goiás). Fiz o vestibular da UnB do meio do ano e… adivinhem de novo? Não passei! Fui eliminada do vestibular porque zerei a parte de Inglês. Faltava estudar mais. O final do ano chegou e junto com ele aquele período tenso de vestibulares e Enem. Viajei pra Goiânia e fiz a prova pra Biomedicina. Depois fiz em Brasília pra Biotecnologia. O ano acabou e fui passar as férias na minha cidade e esperar os resultados. O resultado da UFG saiu e eu não passei, imaginem a minha frustração. Voltei pra Brasília pra fazer cursinho pré-vestibular e no dia que comecei saiu a 2ª chamada da UFG e eu passei! Não passei na 1ª chamada por causa de 0,7 décimos. No outro dia saiu o resultado da UnB e eu passei também, foi a maior festa. Aquela sensação se dever cumprido me dominava. Escolhi ficar em Brasília e fazer Biotecnologia.

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No início foi só felicidade por ter conquistado aquilo que batalhei tanto. Mas ao decorrer do ano eu fui desanimando e comecei a perceber que não era aquilo que eu queria. O que eu realmente amo é TV, cinema, música, dança, teatro. Sou fascinada por tudo isso. Mas onde estava a coragem de falar pra minha família? Além disso, estava passando por vários problemas: não consegui me adaptar na faculdade (passava a maior parte do tempo sozinha), o que foi complicado porque eu ficava o dia inteiro lá. Passei por problemas emocionais e psicológicos sérios, não saía mais de casa nem pra ir à faculdade, me isolei do mundo, não conversava com ninguém, passava os dias trancada no meu quarto dormindo ou chorando. Fiz vestibular de novo pra Comunicação Social mas não passei. Em uma das minhas conversas com a tia Claudinha pelo Facebook, ela me disse algo que nunca esqueci: “Todas as escolhas que fazemos na vida, em todos os aspectos, sempre têm consequências, a gente tem que abrir mão de alguma coisa para viver outra. A felicidade está em fazer isso e não se arrepender quando olhar para trás”. Apesar de tudo o que eu tinha conquistado eu não estava feliz, por isso cheguei a me arrepender das escolhas que eu tinha feito. Fui a um psicólogo por incentivo do meu tio, mas poucas semanas depois resolvi voltar pra minha cidade, decisão que deixou minha mãe furiosa e toda a minha família decepcionada, afinal, eu era um “exemplo” e o “orgulho” deles. Mas ninguém consegue ver dentro do nosso coração pra saber o que estamos sentindo, só Deus.Até hoje convivo com o julgamento das pessoas pela minha decisão. Voltei pra minha cidade e o que mais ouvi das pessoas, principalmente da minha mãe, era que eu tinha sido fraca e havia desistido. Só que pra mim não era o fim, era apenas o começo e mais uma chance pra eu tentar encontrar a minha felicidade. Quando falei que queria fazer Comunicação Social, mais críticas.

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Eu arrumei um emprego, trabalho como Assistente Administrativo em um hotel, fiz vestibular de novo pra Comunicação Social – Jornalismo, em fevereiro saiu o resultado e eu passei! Agora vou fazer o que eu quero, o que me deixa feliz. Eu também fiz um teste pra uma companhia de dança e passei. Agora sim eu estou feliz, estou encontrando o meu caminho e me encontrando. Você pode ser o que for, ir aonde for, mas se você estiver feliz você terá forças pra enfrentar cada obstáculo que vir de encontro a você. Minha vida agora está uma correria, o trabalho, a dança, saio de casa de manhã cedo e volto tarde da noite, e vocês sabiam que eu nem sinto cansaço? Faço isso com a maior felicidade do mundo. E semana que vem minhas aulas da faculdade vão começar, só vou ter que dar um jeito de conciliar tudo. Quando a gente faz o que ama é assim, sempre tem um jeitinho.

O que eu posso dizer a você é que busque sua felicidade, não se contente com aquilo que não te deixa feliz, não desistam, não tenham medo do que as pessoas vão dizer. Se é aquilo que vai te fazer sorrir, então vá atrás, seja feliz! Ninguém nunca se arrependeu de ser feliz!

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