Ética é fundamental em qualquer área de atuação


Muita gente escreve resenhas e críticas de livros, filmes e séries, entrevista atores, atrizes, cantores e celebridades e faz cobertura de eventos, representando seus blogs, sites, canais de youtube e demais veículos de entretenimento.

Hoje em dia, é permitido exercer as funções da profissão de jornalista sem ser formado em Jornalismo. O que eu, particularmente, acho um absurdo. Da mesma forma que eu encorajo todo mundo a começar uma página no Tumblr, um blog, ou mesmo lançar um site, um canal no Youtube e uma conta no Instagram, acho primordial, uma vez que seu veículo alavancou, que você vá buscar o conhecimento necessário para exercer a profissão. O ideal é um curso universitário, mas se não for possível, já vale um curso de extensão ou ainda ler sobre a ética jornalística.

Eu digo isso porque fico passada ao ver como alguns blogueiros, influencers, organizadores de evento e donos de sites e portais de entretenimento se referem ao seus entrevistados em suas redes sociais. A falta de profissionalismo é tamanha, tanto pelo lado positivo como pelo negativo.

O que as pessoas que se propõem a trabalhar com entretenimento têm que entender é que um jornalista têm que ter uma postura profissional não só durante o momento que conduz uma entrevista quanto depois que a pública.

Em muitas coletivas de imprensa, ou mesmo, entrevistas individuais não é permitido tirar fotos, o que o jornalista deve respeitar e não insistir e, disfarçadamente, tentar driblar os assessores de imprensa, e tirar fotos do seu celular, pois fica feio e amador. Outra questão importante, são as perguntas em relação à vida pessoal do entrevistado, para fazê-las o jornalista tem que obter autorização prévia da equipe da celebridade.

Alguém tem que avisar aos blogueiros, donos de sites e influencers que, durante uma entrevista coletiva, você tem que permanecer em silêncio sepulcral e só deve se manifestar na hora de fazer a sua pergunta. Conversas paralelas atrapalham os participantes, tanto atores como os colegas ao seu redor. Ou você anota os comentários, ou fala depois. Jornalista profissional SEMPRE tem um bloco e uma caneta na mão e usa um gravador profissional, não seu celular. Em tempo, uma sala de entrevista coletiva deve ser tão silenciosa como uma sala de cinema.

Ninguém deve puxar o saco de nenhuma celebridade, muito menos elogiar gratuitamente um pessoa porque ela é famosa. Mas, pelo AMOR DE DEUS, se você moderou um painel ou fez uma entrevista e não curtiu o entrevistado, como jornalista profissional, você é obrigado a ser discreto. Faz parte da sua profissão. Ou seja, não saia postando nas suas redes sociais que a pessoa que você entrevistou é antipática, fria, sem sal ou sem graça. Isso e antiético e é a prova de quão amador você é. Guarde a sua opinião para os seus amigos e familiares, se for o caso. Publicamente, um jornalista de entretenimento sério tem que ser imparcial e não fazer comentários pessoais sobre o entrevistado. Escrever uma resenha apontado os pontos fortes e fracos, inclusive o que não gostou sobre um filme, uma série, uma música, um videoclipe, é o trabalho de um crítico, pode e deve ser feito. Mas denegrir a imagem de uma pessoa, que você conheceu por cinco minutos (ou até meia hora) porque você não foi com “a cara dela” ou ela foi “grossa”, entrega a falta de profissionalismo do entrevistador.

Eu já entrevistei milhares de celebridades nos EUA e no Brasil. Algumas eu adorei, outras não tanto, mas a minha opinião pessoal não interessa aos meus leitores, guardo pra eles a obrigação de reportar a notícia, como aprendi nas aulas de ética no Jornalismo, na Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

Até porque, nos EUA, se algum assessor de imprensa me ver esculhambando gratuitamente um de seus clientes nas minhas redes sociais, eu posso até ser processada e, lógico, nunca mais entrevisto nem o ator em questão, e nem ninguém em Hollywood.

Infelizmente no Brasil, pelo que já li nas redes sociais de moderadores de painéis em eventos de prestígio no país, não há este acompanhamento. Todo mundo pode falar o que quiser, como bem entender, com a desculpa que “temos que ser sinceros com nossos leitores”, ou pior, vivemos numa “democracia”. Eu confesso que, quando leio alguns absurdos, vou logo na biografia no entrevistador. Na maioria avassaladora das vezes, o cidadão (ou cidadã) não é formado em Jornalismo, ou seja, não tem nem educação e, muito menos, preparo para exercer uma profissão que requer tanta responsabilidade.

Acho triste que isso aconteça no meu país, e fico aliviada por exercer a profissão em outro país, onde não só fiz o curso para me tornar uma profissional habilitada, depois que o Hollywood é Aqui decolou, como tenho orgulho e fico honrada de ser lembrada por atores como Colam Domingo e Alycia Debnam Carey, protagonistas da série “Fear The Walking Dead”, que em recente visita ao Brasil perguntaram por mim a uma amiga da AMC Brasil. Ela os lembrou que, na verdade, eu moro nos EUA, por isso não estava lá para entrevistá-los em São Paulo, coisa que nos EUA fiz diversas vezes, desde antes do seriado estrear. Lógico que nossos repetidos encontros fizeram com que os atores me reconhecessem, mas acho que a ética profissional foi o que fez a AMC nos EUA a continuar me convidando a participar das coletivas de imprensa. Porque a primeira coisa que a gente aprende na faculdade de Jornalismo é como aplicar em nossa profissão a educação e a ética que, na verdade, deveríamos ter aprendido em casa.

 

 

Então para aqueles que querem seguir a carreira, sem formação, fica a dica de usarem em dobro as lições de bom senso que deveriam aprenderam ou deveriam ter aprendido na infância.

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