“Lar é onde o coração está”: Los Angeles traz momentos de introspecção e criatividade

De volta ao aconchego da cidade que tem nome de anjo, celebro os dias de paz na varanda, com uma vista privilegiada, da casa de um velho amigo, que me emprestou seu lar no Canyon de Laurel.

 

Ia completar 1 ano que não vinha a Los Angeles, quando a vida me trouxe de volta para a minha primeira morada nos EUA.

O ano passado foi repleto de desafios, difíceis, como a pandemia e o diagnóstico do câncer da mamãe, e ao mesmo tempo  excelentes, como um novo trabalho e uma temporada inesquecível em Nova York, que me salvou de mim mesma.

Para mim, como acredito que para muitos, tenha sido um ano peculiar e corrido. Muitas coisas acontecendo simultaneamente. Pouco tempo pra encontrar a alma.

De repente, ouvindo o som dos passarinhos, sozinha, converso com Deus e comigo mesma. Faço uma avaliação de tudo que aconteceu nos últimos meses. Desse silêncio surgem ideias criativas e dessa conexão comigo mesma brotam lágrimas e sorrisos.

 

Me dou conta que sentia mais saudades de Los Angeles do que imaginava. Reencontro amigos queridos, bato papos da vida. Logo de cara, sou mimada pela Netflix e Amazon, que mandam entregar em casa um almoço de primeira, durante dois finais de semana, para acompanhar um evento online. Essas coisas que só acontecem em LA, capital do entretenimento, afinal Hollywood é Aqui. E coincidência ou não, estou de frente para a placa que é o marco da cidade.

Mas no fundo, eu sentia mesmo saudades da pessoa que eu me transformei aqui. Quando sai do Brasil em 2009, aos 37 anos, para uma temporada em Los Angeles, eu não tinha ideia de quanto tempo eu ficaria aqui, eu não tinha planos, não tinha o HEA, não conhecia direito a Califórnia e, pra ser sincera, nem a mim mesma.

Ao longo dos 10 anos que morei em LA, tomei champagne no Chateau Marmont, entrevistei inúmeras celebridades, dancei com Lindsay Lohan, encontrei várias vezes as Kardashians e entreguei comida fazendo Uber Eats. Mas o auge da minha temporada, em LA, foi ter tempo para me conhecer melhor, me encontrar, me reinventar.

Alguns dizem que o tempo passa mais devagar na costa oeste do país, por isso que a gente consegue fazer tantas coisas e ainda encontrar com nós mesmos, com uma frequência que não conseguimos em outros lugares. Pode não ser bem assim com todo mundo, mas é assim comigo.

 

Estou em LA há 3 semanas. Já lancei até um podcast sobre o Big Brother Brasil, em parceria com amados amigos, viciados no reality como eu.

Trabalho 9 horas por dia, gravamos o podcast, voltei a escrever matérias pro site. Sofri pela doença da minha mãe. Tomei muitas garrafas de vinho, me diverti e me emocionei com as amigos.

Vejo BBB 24 horas (Benza Deus pela Globoplay) já vi também vários filmes e documentários que estão na corrida do Oscar.

Assisto a estreia do astro rei todas as manhãs, assim como a sua partida no fim da tarde.

 

 

Tive conversas comigo mesma que eu não tinha desde que saí da Burton Way, o apartamento onde morei por 8 anos, em Beverly Hills.

Acho que meu tempo passa mais devagar aqui mesmo.

Não tenho certeza onde o destino vai me levar no final deste mês, quando terminar essa minha estadia aqui. Mas, uma coisa é certa, não demoro a voltar.

A casa do meu amigo tem um astral incrível. Talvez eu nunca consiga explicar para ele o bem que essa temporada está me fazendo. Eu até quis vir para LA, mas eu não tinha ideia que precisava tanto passar esse tempo aqui. Pra me ouvir. Pra pensar. Pra chorar. Pra criar. Pra sorrir. Pra me reencontrar.

Serei eternamente grata a você, MV. Não me surpreende que apesar de termos nascido em Salvador e você ter passado boa parte da sua vida no Rio, onde eu morava, a gente tenha se conhecido nessa cidade, quando fomos vizinhos de porta no que, até hoje, é uma das maiores coincidências da minha vida. Obrigada. Deixarei um pedacinho do meu coração pra sempre no seu lar.

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