O premiado “Parasita” é um convite à reflexão sobre desigualdade social

O filme coreano “Parasita” ganhou a Palma de Ouro em Cannes e é um dos favoritos na corrida do Oscar, tendo sido indicado ao Golden Globes em várias categorias, incluindo melhor filme estrangeiro e melhor diretor, e ao Sag Awards (prêmio do sindicato dos atores nos EUA), na categoria melhor elenco, o que para um filme estrangeiro é um grande passo. Em suma, “Parasita” é o grande sucesso e a grande promessa da temporada de premiações em 2020.

E, sinceramente, o filme merece todo esse reconhecimento. “Parasita”, que já em cartaz nos cinemas brasileiros, acompanha a jornada da família de Ki-taek, que está toda desempregada, vivendo num porão sujo e apertado na Coreia do Sul. Uma obra do acaso faz com que o filho adolescente da família comece a dar aulas de inglês à garota de uma família rica. Fascinados com a vida luxuosa destas pessoas, pai, mãe, filho e filha bolam um plano para se infiltrarem também na família burguesa, um a um. No entanto, os segredos e mentiras necessários à ascensão social custarão caro a todos. Fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-255238/

Para mim é, de fato, um dos melhores filmes do ano, e ao satirizar as diferenças entre classes sociais e os sérios problemas enfrentados pela classe média e classe média baixa, na Coreia do Sul, o aclamado diretor e roteirista Bong Joon Ho mostra a realidade, de forma criativa e imprevisível, de como vive a maior parte da população do seu país, que tem muitas coisas em comum com o Brasil. Além de fazer uma severa crítica à ditadura, na Coreia do Norte.

Estivemos com Bong e com o ator Song Kang Ho, que interpreta o protagonista de “Parasita”, no evento Deadline Contenders, que prestigia os filmes que estão na corrida do Oscar, em NY. Ao conhecê-los pessoalmente e ouvi-los falar sobre o excepcional trabalho que fizeram juntos, descobrimos a origem do humor sarcástico e inteligente que está presente tanto no roteiro, como na interpretação de Song Kang Ho.

O filme tem momentos hilários, outros dramáticos, surreais e muitos surpreendentes. Bong Joon Ho é um cineasta brilhante porque ele sabe usar o humor e o drama para ressaltar as injustiças de seu país, fazendo uma crítica à sociedade aristocrata que, assim como no Brasil, ainda vive o sistema escravocrata disfarçado de proletariado. Diferente dos escravos, as empregadas doméstica, babás, motoristas, professores particulares ganham um salário, mas não o suficiente para bancar uma vida, que não precisa ser luxuosa, como a dos patrões, mas que poderia ser, pelo menos, confortável, o que não acontece. “Parasita” é a versão coreana do nosso “Casa Grande e Senzala.”

Se você ainda não assistiu “Parasita”, vá ao cinema com a mente aberta para absorver as nuances do filme e fazer uma reflexão depois. É o tipo de obra que vai lhe causar mais impacto quando você sair do cinema. E se você já viu, considere assistir novamente, porque é um daqueles filmes que cada vez que você vê, você descobre algo novo e mais espetacular sobre a estória, que você como brasileiro conhece bem, seja como patrão ou empregado.

Muito provável que Bong seja indicado ao Oscar na categoria melhor diretor, e seria fantástico se ele levasse a estatueta, pois em um país cujo o presidente trata os imigrantes como lixo, seria especialmente lindo que um coreano fosse celebrado com o maior prêmio da indústria cinematográfica mundial (na última década, com exceção de Damien Chazelle, que ganhou o Oscar por “LA LA Land”, em 2017, todos os demais premiados foram estrangeiros, sendo que em 2014,2015,2016,2018,2019, o prêmio foi para os diretores mexicanos Alfonso Cuaron, Alejandro Inarritu e Guilhermo Del Toro).

“Parasita” é um tapa na cara, como “Roma” também foi, ao tratar de formas diferentes temas semelhantes. Nem todo mundo vai gostar, porque é um alerta para tudo que tem que mudar, e quem está no poder não quer perder a sua regalia, mas por ser o tipo de filme que incomoda, é uma obra-prima. Imperdível!

Trailer legendado:

 

Data de lançamento: 7 de novembro de 2019 (2h 12min)
Direção: Joon-ho Bong
Elenco: Kang-Ho Song, Woo-sik Choi, Park So-Dam mais
Gênero: Suspense
Nacionalidade: Coreia Do Sul

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