Pratique o desapego. Para refletir….

Acordei na aconchegante casa de um roteirista de uma série famosa e uma empresária, nas montanhas de Hollywood, graças ao convite de uma amiga em comum.

O que mais me impressionou no lar do casal, pais de dois filhos, não foram suas glamourosas credenciais profissionais, mas a simplicidade com que vivem.

A casa é charmosa, mas não é grande, dois quartos, tamanho ideal para uma família de quatro pessoas.

O que muitos esperam de uma dupla tão bem-sucedida no entretenimento é que tenham uma vida luxuosa. Mas ao contrário de muitos, essa dupla tem uma filosofia semelhante à de Shailene Woodley. Nos poucos armários espalhados pela casa, eles guardam pouquíssimas roupas, sapatos e quase nenhum acessório. Inclusive das crianças que, por sua vez, também não têm muitos brinquedos. Acho que, como Shai, tudo que eles possuem cabem em duas, no máximo, três malas grandes.

Em contrapartida, para onde você olha você vê livros, muitos livros, de todos os gêneros, cores, tamanhos, livros de drama, poesia, mistério. No quarto das crianças, mais livros e revistas e objetos de arte feitos pelos pequenos com sucata.

Nas gavetas, não existem óculos, bolsas, roupas ou sapatos de marcas famosas, mas dentro daquele lar você respira criatividade e você se sente em paz.

Eu me inspirei em Shai para doar tudo que tinha e colocar todo meu armário (roupas, sapatos, acessórios) numa mala grande. Eu consegui, e confesso que fiquei extremamente feliz em ver que uma família inteira compartilha meu estilo de vida.

Eu sei que cada um pensa como pode e deve mesmo ter a vida que imaginou, mas acordar neste ambiente simples, cercada de livros coloridos, árvores, onde cada objeto tem um significado especial que vai muito além do seu valor material, para mim foi e será sempre uma injeção de energia.

Este casal é muito bem-sucedido e financeiramente poderiam criar os filhos com todas as superficialidade da vida da classe A gargalhada de Los Angeles. Eles também têm acesso aos eventos glamourosos que o trabalho na indústria do entretenimento lhes proporciona. Mas, como poucos, eles optaram por ensinar aos filhos o valor de ter conhecimento, de ser uma pessoa que se destaca no ambiente que vive, não pelo que tem, mas pelo que é.

Num mundo onde, em geral, as pessoas de classe média e média alta, se rendem ao consumismo desenfreado, essa família é um refresco, que me dá esperanças de encontrar mais jovens menos preocupados com as roupas que vestem, maquiagem que usam, menos preocupados em colecionar coisas e mais focados em colecionar histórias, aventuras, em consumir cultura.

Você pode ser super popular, de chinelo e camiseta, se você for uma pessoa com conteúdo. Já o contrário, pessoas emperequetadas, fazendo caras e bocas e exibindo sua pseudo vida luxuosa nas redes sociais, não deixam no meu mundo a marca que essa família deixou. Porque a verdade é que quando partimos, nem a roupa do corpo levamos, mas a nossa bagagem emocional vai com a gente, assim como a diferença que podemos fazer na vida de alguém quando somos nós mesmos. E eles são. Feliz que nossos caminhos se cruzaram, e pra mim, que vivo mergulhada nesta indústria onde aparência e posse importam mais que caráter e personalidade, eles serviram de fonte de inspiração.

Me fazendo lembrar de uma frase do meu mestre John Green, outro exemplo, que é possível levar uma vida simples, mesmo quando você poderia investir todos os seus recursos financeiros no consumo de superficialidades. Outro, que como Shai e este casal, valoriza mais o SER do que o TER. O tipo de gente que sempre deixa saudade quando cruza a minha jornada.

“É natural que as pessoas se importem umas com as outras. É bom quando alguém significa alguma coisa para você; é bom sentir falta de alguém quando ele vai embora.” – O Teorema de Katherine

 

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