Vamos dizer adeus para Rectify

Por: Luan Menezes e Claudia Ciuffo

Olha a gente aqui outra vez e dessa vez com um clima de despedida… a estrela dessa semana na “Só Seriados” é Rectify!

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Produzida pela Sundance a série foi criada por Ray McKinnon. Acompanhamos a história de Daniel Holden, que foi libertado do corredor da morte após 19 anos quando uma prova de DNA muda os rumos da investigação da morte de sua namorada na adolescência.

Aí você deve está se perguntando qual o diferencial de uma série dessa? Investigação está na TV faz tempo. Rectify tem como objetivo acompanhar os eventos e o impacto que a liberdade poderá causar Daniel e em toda sua família. Muitas coisas mudaram durante o tempo que ele esteve preso e nas duas primeiras temporadas observamos bastante o que mudou e as dificuldades de todos em se adaptar a volta de Daniel. Na terceira temporada, não tivemos uma visão clara do que realmente aconteceu na vida de Daniel no passado e isso se tornou algo que agora na quarta e última temporada será abordado e muitas dúvidas irão ser esclarecidas.

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Em clima de despedida, o HEA teve a oportunidade de entrevistar o grande ator Luke Kirby (sou fã, muito fã rs), Adelaide Clemens e Clayne Crawford que já entraram também no clima de despedida desse show incrível, contaram um pouquinho sobre o que podemos esperar desse final e como vai ser dizer adeus para essa história e elenco maravilhoso, confere aí!

Luke Kirby (LK)

HEA: Eu adoro este show e fiquei triste quando soube que essa será a última temporada. E um pouco triste pra você que o show vai acabar?

LK: É um pouco triste sim, mas acho importante você estar ciente que esta possibilidade sempre existe. Mas nós estamos definitivamente saindo na hora certa. Dito isso, é um ótimo show pra se trabalhar, estar junto das pessoas que eu amo.

Você imagina um final perfeito para o seu personagem?

LK: Eu acho que pessoas com este tipo de trabalho são ótimos advogados e poderiam estar fazendo mais dinheiro do que estão, também estão longe de casa quase 80% do tempo. Meu senso de final perfeito seria a continuação da luta. Eu estou muito comovido pela dedicação deles ao trabalho. Pessoas que fazem isso na vida sempre me comovem, porque há um grande senso de injustiça. As pessoas que escolhem esse caminho são lutadoras, porque muitas vezes terminam sem ter respostas. Então, eu não vejo como um final, o que eu vejo com o Jon, e que ele vive o conflito de continuar na luta ou não.

Não é fácil tomar esta decisão mesmo. Eu assisti a todos os episódios, e chorei muito em vários momentos. Como foi pra você como ator passar por essa montanha russa de emoções?

LK: Nada específico vem a minha mente, mas o trabalho é sempre desafiante porque te faz pensar, te deixa cansado, chateado, mas quando chega no fim do dia você sente que você fez por merecer, você se sente realizado. Eu assisto a outros atores no set e vejo como eles se portam, muita histamina é liberada.

A razão pela qual eu estou triste que o show está acabando é por que reflete a realidade mundo. Você concorda?

LK: Sim, eu concordo. Nós ainda estamos fazendo entretenimento, mas eu concordo que o assunto é muito maior, e é encorajante que estamos falando disso num mundo tão corrupto, é um ótimo sinal.

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O que vem depois do fim da série na sua agenda de trabalho?

LK: Ainda não sei, estou aberto a vários projetos, mas nada específico.

Você já esteve em muitos shows de drama. Você gosta do gênero?

LK: Muitos mesmo, mas é coincidência, na verdade, e de onde as ofertas vêm, e se eu estou trabalhando, estou feliz. Vou aonde o vento me leva. Eu gosto de trabalhar, gosto que trabalho com pessoas interessantes, histórias imaginárias. E o trabalho é gratificante.

Não é uma área fácil de trabalhar, mas é divertida.

LK: Não é mesmo, mas é divertido sim, não sempre, mas há momentos em que a gente aproveita. Muitas vezes me pergunto “por que estou fazendo isso” 90% do tempo, mas os outros 10% são recompensantes e eu tento não esquecer porque comecei nesse ramo.

Engraçado você mencionar isso, pois eu escrevo para os adolescentes e jovens no Brasil, e eles estão longe de Hollywood, e tudo o que vem é o Globo de Ouro, o Oscar, então é fácil para eles pensarem no lado glamoroso da indústria do entretenimento, e eu tento dizer a eles que não e só isso, e muito difícil. Foi muito bom ouvir de você que não é fácil.

LK: É parte da ilusão que é passada, e de alguma forma nós, atores, contribuímos para isso, mas quando eu vejo essas premiações, tudo o que vejo é trabalho e mais trabalho.

Eu concordo, e como membro da imprensa também contribuo um pouco pra isso.

LK: Para a grande ilusão… eu não sei se tem alguma ciência por trás disso, mas é importante acreditar e sonhar que existem lugares assim, glamourosos, acho que isso ajuda as pessoas a enfrentarem seus problemas de alguma forma.

 Tem razão. Aliás, um grande fã seu brasileiro pediu que eu te perguntasse como foi fazer “Mambo Itália” e como foi interpretar Ângelo? O Luan adora este personagem.

LK: Nossa foi há quase 15 anos atrás, um dos meus primeiros trabalhos. O tema daquela história é o que tem acontecido no mundo, é muito comovente para mim. Igualdade no casamento, entre pessoas do mesmo sexo é muito importante. Ver crianças crescendo num mundo mais aceitativo, e por ser assim, mais dinâmico é mais interessante também. É bonito de se ver. Não estou dizendo que o filme fez alguma coisa por eles, mas por ter sido produzido foi importante. Temos que ser eternos vigilantes, por isso eu acho que as pessoas que trabalham em ONGs, que se dedicam a isso são admiráveis. Há um advogado incrível aqui nos Estados Unidos chamado Brian Stevenson, que trabalhou com pessoas no corredor da morte, ele também trabalha com pessoas que cometeram crimes. Ele é tão inteligente que mudou a história, e ele explica muito bem as falhas do sistema penitenciário nos EUA, de maneira inteligente, clara e dolorida, mas de forma real e verdadeira. Eu o conheci assistindo uma entrevista sua na TV, num intervalo das temporadas do nosso show e pesquisei mais sobre ele. O que me ajudou muito na composição do meu personagem.

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Quando eu mudei pra cá, eu me assustei com o sistema de penitenciário no país, mas assistindo à série podemos entender um pouquinho melhor como as coisas funcionam, ainda assim e assustador.

LK: Os números são assustadores, e quando você compara com 30 anos atrás, o número de pessoas encarceradas cresceu muito mais que o número da população em si do país, então você não consegue evitar de pensar que alguma coisa está errada aí. É muito claro que existe um sistema que faz com que a justiça americana seja alimentada de forma mais fácil, corrupta e mais pessoas são encarceradas. E em geral são pessoas pobres, negros, e isto está muito claro. Nós precisamos tomar atitudes concretas para melhorar isso, não podemos só dizer que somos um pais desenvolvido e celebrar a nossa cultura. Temos muito o que melhorar.

 Eu concordo com você e espero que de alguma maneira uma série como Rectify possa contribuir positivamente na conscientização da sociedade em relação a este assunto, afinal, a função do entretenimento também e informar. Obrigada pela entrevista e pelo seu excelente trabalho.

Adelaide Clemens(AC)
Clayne Crawford(CC)

HEA: Eu estava falando com o Luke a respeito do show que está acabando, e eu adoro o show. Vocês estão tristes que o show está encerrando?

CC: É triste sim que o show está acabando, por que você passa 4 meses todos os anos com as mesmas pessoas, e passa por tantos desafios, tanto crescimento, é difícil ver tudo chegar ao fim.

AC: Eu entendo a decisão do Grey, ele investiu muita energia em todas as temporadas, todos os dias, ele ainda está atuando. Também para manter a integridade do show, e as histórias, eu acho que estão completas.

CC: E eu tenho que concordar com o que a Adelaide falou, foi muito bom participar desse projeto. E foi o tempo certo para contar a história que o Grey queria contar, da forma como ele queria contar e pra mim foi uma honra poder participar de tudo, porque eu certamente não gostaria de fazer parta de uma história ruim, só por dinheiro ou mais uma temporada.

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Falando em finais, você tem um final perfeito para o seu personagem?

CC: Eu achei ótimo como acabou pra mim, e o final da jornada do Daniel também. E com o final da jornada dele na prisão, agora a gente vê o que veio depois, essa foi a trajetória dele que nos pegamos carona. E para todos os outros personagens, é interessante pensar em que mundo eles vai acabar e o que vem depois e quem eles no final desta história.

AC: Eu sempre considerei confiei no nosso público, as opiniões sobre o show são tão valiosas, quanto seguir em frente. Pra mim, eu não foco no final do show, mas vejo como uma situação continua. Essa última temporada, o que Tawney viu Daniel fazendo diz muito sobre quem ela é. Ela descobriu a verdade. Daniel fez muita coisa pela família, mesmo sendo quem ele é. E agora Tawney pode se conhecer mesmo e ela está num lugar seguro com ela mesma.

Foi o melhor triângulo amoroso que eu vi, porque era profundo, pelo menos pra mim e as pessoas podem se identificar com ele e com o que acontece no mundo. E entretenimento é divertido, mas nos precisamos de mais shows como esse, certo?

CC: Sim, nos precisamos. Aliás, tem no Reino Unido, só precisam trazer pra cá. E televisão de qualidade, mas atualmente as pessoas estão muito ocupadas e para assistir um show como o nosso, e as pessoas não podem estar ocupadas, você tem que se concentrar nele.

Como foi para você trabalhar com o triângulo amoroso, porque tecnicamente não é, mas é!

AC: O que foi maravilhoso foi como foi calculado, porque na vida real, a gente se encontra nessas situações vulneráveis, você não tem como calcular isso, mas nos precisamos ter essas conversas a respeito disso, as emoções e tudo mais. Eu acho que foi bem interessante.

CC: Eu acho que com esse roteiro, você não precisa interpretar muito, você só vive cada momento da maneira mais real possível. Tinha um humor não previsível, que surgiu ao longo do show.

AC: O humor que saiu foi ótimo, porque passamos por situações pesadas, e às vezes, só o humor salva, um pouco de risada para tirar o peso do momento e fazer as pessoas esquecerem o que aconteceu naquela hora.

Eu estava assistindo ao show outro dia com uma amiga e é muito desafiante, você passou por uma montanha russa de emoções. Como foi isso pra você?

AC: É interessante, pois você só precisa aprender suas falas, e somos muito sortudos porque se é um ótimo elemento do show. Em minha experiência, eu confio em Clay e nos outros, e quando fazemos a cena pela primeira vez, eu não tenho ideia de como vai sair. E tudo em conjunto, então eu não posso saber como vou responder aquele momento.

CC: Parece tudo muito simples, mas você precisa aprender suas falar, pesquisar o material que você recebe e aparecer aberto. E nos como atores, muitas vezes, chegamos ao set com as nossas escolhas e tentamos implementar elas, e você tem que desaprender esses métodos. Você tem que vir trabalhar aberto ao momento, porque muitas vezes a cena não sai do jeito que esperamos, às vezes ate nos pequenos detalhes, fazem a diferença e muita a cena toda.

AC: A gente espera que todos os atores fossem assim, mas nos somos assim. Isso é diferente, nos somos encorajados a cometer erros, a explorar o que e verdade e honesto.

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É por esse motivo que o show é fascinante e eu sou uma grande fã. Eu assisti o final da temporada três vezes, e você estava sozinha, questionando sua relação. Foi fascinante, não foi somente dizer suas falas, não vemos isso muito na TV. Bem profundo.

CC: Não é sobre o que você diz. Na nossa história, o material ajuda a audiência a acompanhar nossa jornada. A nossa história é o que você está sentindo, o que está nas estrelinhas, e isso é muito bonito.

De alguma maneira, você questiona a relação da personagem com Deus nessa última temporada?

AC: Absolutamente. Eu sempre achei que Tawney era muito curiosa e inteligente. Ela não teve uma forte base na família, mas ela entra na igreja muito nova. E isso é parte dela hoje, e ela precisou dar um passo pra trás e questionar isso com tudo que Daniel fez. Ela só quer aprender.

O que podemos esperar do seu personagem na última temporada?

CC: Eu acho que Ted está tentando descobrir quem ele e o que ele quer da vida, está revendo conceitos que ele antes julgava ser importantes. Está aprendendo que ele não precisa de trabalho ou outra pessoa pra ser feliz, que ele tem tudo o que ele precisa.

O que vocês têm planejado para fazer depois do fim da série?

AC: Clay vai gravar um filme.

CC: Eu vou fazer uma serie na Fox, um pouco diferente de Ted. Vou ser um policial.

AC: Eu vou gravar um filme na Austrália, estou animada pra voltar pra casa, passar um tempo lá.

Que ótimo! Vou continuar acompanhando o trabalho de vocês e estou ansiosa para assistir a última temporada. Obrigada por conversarem comigo.

A quarta temporada de Rectify foi ao ar no dia 26 de outubro no Sundance TV. Um grande abraço e até a próxima pessoal.

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