Dando a largada na Rota 66: Primeira parada oficial, Chicago, Illinois

Desde adolescente eu sonhava em atravessar os EUA de carro, sair de Nova York, na costa leste e vir até Los Angeles, na costa oeste do país.

Existem muitos roteiros para essa viagem, mas eu também sempre soube que faria a Rota 66.

Algumas pessoas me perguntaram porque eu escolhi esse trajeto. Eu devia ter uns 16 anos quando vi o roteiro da Rota 66 em um folheto de uma agência de turismo, no final dos anos 80, e fiquei curiosa. Sempre fui a louca da geografia e parti pra pesquisar no meu super Atlas. Ali, vi que a estrada passava por estados não muito convencionais para o turismo, se hoje, Missouri e Kansas não são popular entre os brasileiros, imagine há 33 anos.

 

E foi exatamente isso que me chamou atenção, fazer a travessia, por uma rota que é histórica nos EUA, inclusive levando o nome de “Mother Road” (“Estrada Mãe”), cruzando estados menos populares entre turistas, mas que carregam a verdadeira história do país.

Minha viagem demorou mais de 3 décadas pra sair, mas como não desisto dos meus sonhos, acho que rolou na hora certa e, por um motivo ainda mais divertido, trazer minha mudança de carro do Atlântico para o Pacífico. Cliquem nos links abaixo para conferir como foi a primeira parte dessa aventura, que começou em NY, e como chegamos em Chicago, Illinois,(depois de atravessar alguns estados como Ohio), onde demos a largada na Rota 66, justamente na placa oficial de início, que fica na badalada Michigan Avenue, desde 1926.

https://www.hollywoodeaqui.com/pe-na-estrada-atravessando-os-eua-de-leste-a-oeste/

 

https://www.hollywoodeaqui.com/parada-cleveland-ohio-atravessando-os-eua-de-leste-a-oeste/

Voltar a Chicago para embarcar nessa jornada foi especial. Eu tinha visitado a cidade duas vezes, a primeira no verão, pouco antes do atentado de 11 de Setembro, em 2001. E a segunda, quase no outono de 2007, com a minha mãe, que elegeu Chicago como sua cidade cosmopolita predileta nos EUA.

 


 

Realmente, a “Windy City” (Cidade do Vento), a beira do lago Michigan, com uma arquitetura que combina o clássico com o moderno, é belíssima. Faz muito frio e venta bastante no inverno, daí o “apelido” e faz um calor “carioca” no verão.

Futuramente, a gente faz uma matéria dedicada exclusivamente a essa metrópole, que foi cenário de tantos filmes e séries que marcaram a minha vida. Pro propósito do nosso diário de viagem, vamos mostrar os registros da nossa passagem relâmpago por lá dessa vez que, mesmo rápida, foi inesquecível, especialmente porque foi lá que comecei oficialmente a realizar meu sonho de atravessar a Rota 66, rumo à Califórnia, onde moro.

De Chicago, colocamos o pé na estrada e cruzamos o estado de Illinois fazendo paradas estratégicas, os marcos da rota, que eram visitados pelas famílias e pelos aventureiros que atravessavam a rota 66, entre as décadas de 20 e 70.

O primeiro stop foi na Gemini Giant em Wilmington, a apenas uma hora de Chicago.

 

 

Do ladinho, paramos para dar um oi aos ícones da época, Elvis Presley e Superman, em Braidwood, Illinois.

 

Mais 45 minutos de estrada, nos levaram até Pontiac, onde fomos no Route 66 Hall of Fame and Museum. Foi uma visita fantástica, uma viagem ao tempo em que a Rota 66 era o programa de férias predileto das famílias estadunidenses do centro oeste do país e algumas da Califórnia também, que faziam o percurso inverno rumo à bela Chicago.

 

 

Com o calor que fazia a pequena cidade de Pontiac estava vazia e muitas lojas fechadas, apesar de ser dia de semana. O que nos dá um gostinho como é a vida no interior, longe dos grandes centros. Além do museu e de sua arquitetura, oásis miniaturas dos carros conversíveis (modelo ano50/60) que decoram a cidade são uma grande atração.

 

 

Nossa última parada em Illinois, foi em Springfield, a capital do estado, onde saboreamos um corn dog (cachorro quente, ao invés do pão, a salsicha é envolvida em uma massa grossa crocante de milho, levemente adocicada) com roots beer (cerveja sem álcool, popular na rota entre os motorista que por estarem dirigindo não podem consumir bebida alcoólica) no lendário Cozy Dogs, um marco da rota desde 1949 e que até hoje é administrado pela mesma família.

 

 

Dali, partimos pra Saint Louis, no Missouri, e vamos contar tudo pra vocês no próximo capítulo do nosso diário.

Mas, devo ressaltar que os trechos da rota 66 estão em bom estado, assim como as freeways são excelentes para fazer uma viagem de carro com segurança.

Além disso, o estado de Illinois, com seus campos de milho lindíssimos é um cenário perfeito para colocar uma boa música, enquanto atravessa esse gigante país com uma geografia tão diferente de um estado pro outro. Lindo de ver e viver.

Minha adolescente, que viu esse roteiro no folheto da agência de viagem, em 1989, descobriu fazendo uma pesquisa pra essa matéria, que o departamento de turismo dos EUA queria reviver a rota 66, pois com sua desativação alguns anos antes, muitas cidades, que viviam do turismo, tinham quebrado. Funcionou tanto que, mais de 3 décadas depois, cá estou eu realizando meu sonho e contando essa história. Vida longa pra “Mother Road” e todas as cidades que vivem graças ao turismo!

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vvvvv Mas afinal, porque a Rota 66 é considerada uma das estradas mais famosas do mundo?

A estrada conectava o centro oeste, iniciava em Chicago, Illinois, e passava pelos estados de Missouri, Kansas, Oklahoma, Texas, Novo México, Arizona e terminava na cidade de Santa Mónica, na Califórnia.

A rota 66 representava o sentimento de liberdade idealizado pelos jovens estadunidenses das décadas de 50 e 60, que em suas motos Harley Davidson, se aventuravam pelas estradas em busca das praias do Pacífico, deixando de lado os costumes conservadores da costa leste dos Estados Unidos, à procura da ensolarada e liberal Califórnia.

A estrada é berço do primeiro Motel (o conceito de motel nos EUA é diferente do motel no Brasil, aqui é um hotel mais simples e barato, a beira das estradas, para atender aos motoristas que em viagem de carro, seja a turismo ou a trabalho) e do primeiro McDonald’s do mundo, e foi cenário de filmes como Bagdad Café.

Apesar de ter sido desativada oficialmente nos anos 80, (ao longo do percurso, ainda existem trechos da rota 66 original, que tivemos a chance de percorrer), pois foi substituída por freeways que foram construídas para atender ao movimento e ao crescimento do país, ela entrou pra história, sendo considerada um dos grandes marcos do país.

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