Do criador de “This is Us”, drama “A Vida em Si” trata sobre percalços em nossa existência

O filme “A Vida em Si”, com roteiro e direção de Dan Fogelman, criador de “This Is Us”, estreia em dezembro no Brasil. Conta a estória do relacionamento amoroso vivido por um casal (Oscar Isaac e Olivia Wilde), através de diferentes décadas e continentes, desde as ruas de Nova York até a Espanha, e mostra como diferentes pessoas acabam se conectando através de um evento marcante que acontece em sua trajetória.

As críticas do filme não estão boas, mas eu fui assistir mesmo assim, em Los Angeles, numa sessão que contou com um bate-papo com Dan depois da exibição do filme.

Para ser bem sincera, eu curti bastante e, sim, me acabei de chorar. Não tem nenhuma relação com “This Is Us”, mas foi um trabalho que Dan fez em homenagem a sua mãe, falecida há 10 anos por conta de uma cirurgia que, aparentemente, era simples e que o próprio Dan ajudou a planejar, mas que, infelizmente, resultou em sua partida prematura.

Segundo ele mesmo contou no dia do nosso encontro, o filme não é uma biografia da sua família, mas, de certa forma, aborda as dificuldades que um tragédia causa, como lidar com um imprevisto, como seguir a caminhada e se reconstruir depois de um trauma. Apesar de triste, a mensagem do filme é positiva e mesmo realista.

A maioria avassaladora de nós já viveu situações em que teve que lidar com as surpresas boas e desafiadoras da caminhada, talvez por isso eu tenha me identificado com os personagens em diversos momentos e isso me tocou e me emocionou profundamente.

 

 

O que me espantou mesmo não foi o filme em si, nem o fato de que eu discordo das críticas negativas, mas, sim, foi o que aconteceu na sala de cinema, após o término do filme, quando o moderador do Q&A abriu a sessão para o público presente fazer as suas perguntas, um homem se levanta e começa a humilhar o cineasta e seu trabalho, dizendo que ele era terapeuta e que a maneira como Dan descreveu a terapeuta no seu filme, muito bem interpretada por Annette Bening, era inconcebível.

O cinema estava cheio para uma tarde ensolarada de domingo, e não se ouvia um pio enquanto o cidadão insistia que as péssimas críticas ao filme tinham sido, na verdade, super generosas, pois o mesmo era uma bela porcaria.

Dan respondeu gentilmente que lamentava ele ter se sentido desta forma ao ver o seu filme, e ainda afirmou que ele teve a consultoria de profissionais da área para construir seu personagem. Mas o melhor mesmo foi o que ele disse, com muita educação, no final: “em um mundo onde as pessoas julgam e se comportam de uma forma tão agressiva, seja nas redes sociais ou em público, eu escrevi este filme para celebrar os valores que realmente importam na vida, como o amor, acho que a forma como o senhor colocou a sua opinião publicamente só me prova que precisamos de mais filmes como ‘A Vida em Si'”.

O cinema veio abaixo, aplausos para Dan que deixou claro que não é a crítica em si que incomoda, mas sim a forma como ela foi feita. O homem foi embora nos deixando boquiabertos com a sua agressividade gratuita.

Ninguém é obrigado a gostar ou a concordar com ninguém, mas estamos cada dia mais carentes de pessoas que façam isso com educação e respeito.

Aliás, este é um tema que abordamos com frequência no Hollywood é Aqui, as redes sociais criaram um ambiente de discórdia ainda mais nocivo, que muitos insistem em levar para seu dia-a-dia.

Mas Dan tem razão, quanto mais as pessoas insistem em colocar seus monstros pra fora, sem papas na língua, mais os artistas devem produzir trabalhos interessantes que são a luz no fim do túnel para aquela parte da sociedade que, como noós, tem esperança em criar um mundo melhor.

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