Não se fazem mais seriados como antigamente…

Todos meus companheiros viciados em seriados vão concordar comigo que nos últimos 5 anos nós vivemos uma revolução com a chegada das novas plataformas como Netflix, Hulu e Amazon, que movimentaram o mundo “televino” e não só produzem muitas das melhores séries no ar hoje em dia, como trouxeram grandes nomes do cinema para a telinha, vide o elenco estrelar de “House of Cards”. A concorrência só fez bem para os canais de TV aberta e a cabo, que se mexeram e melhoram muito a sua grade de programação, com séries premiadas como “How To Get Away Of Murder”, “The Affair”, “Homeland” e “The Leftovers”, só para mencionar algumas poucas.

O que não falta é opção, muita comédia, séries médicas e policiais bem produzidas, aventura, suspense,fantasia, drama, ficção científica, muitos super-heróis, e até terror, afinal quem diria que um dia o filme “O Exorcista” estrearia na televisão.

tv_series

O progresso é necessário e positivo, e as gerações tendem a evoluir e têm gostos diferentes em relação ao que assistem na TV, por isso talvez muitos de vocês vão achar que estou melancólica no auge dos meus 44 anos, mas sinto saudades do tempo que a Warner (atualmente o canal The CW) produzia séries simples, românticas, divertidas, sem efeitos especiais, sem lutas, sem locações espetaculares, focadas apenas na trajetória de seus personagens, muitos deles que viviam numa cidade do interior, como Dawnson, Joey, Pacey e Jen em “Dawson’s Creek”, Lori e Rory em “Gilmore Girls” e o quarteto fantástico Seth, Summer, Ryan e Marissa em “The O.C.”.

O roteiro não era complexo e essas séries nunca receberam uma indicação ao Emmy Awards (o Oscar da TV) mas refletiam muito a nossa realidade. Apesar de na época morar no Brasil, eu me identificava com muitos dos questionamentos de “Felicity”, estrela da série de mesmo nome e de Brooke Davis. E por sinal eu tinha um grupo de amigos tão interessante quanto o dela em “One Tree Hill” e isso só me fez acreditar durante muitos anos que um dia eu ainda ia passar o Thanksgiving na casa de Nathan e Haley com eles.

One_Tree_Hill

Eu sei que o drama adolescente às vezes ia um pouco além da conta, Ephram Brown e Amy Abbott que o digam, mas vamos combinar que nossos relacionamentos amorosos nesta época da vida também têm altos e baixos, como andar de roda-gigante, às vezes estamos no topo outras meio pra baixo, aliás metáfora muita bem utilizada pelos criadores de “Everwood”.

Everwood

Claro que hoje podemos assistir todas essas séries no Netflix e no Hulu (nos EUA) e os fãs de carteirinha, como eu, tem os boxes de todas as temporadas, mas seria interessante se novos seriados do mesmo gênero fossem produzidos. Temos “The Royals” e “The Fosters” e seremos premiados em breve com quatro episódios inéditos de “Gilmore Girls” no Netflix, o que já aquece o coração na hora que bate saudade de ligar a TV e ver uma história que lembre a nossa própria história, um episódio que faça a gente chorar ou gargalhar, ou mesmo pegar o papel e caneta para anotar alguns diálogos que você vai certamente repetir no próximo papo cabeça com o namorado (a) ou melhor amigo (a).

Os seriados que estão no ar atualmente são brilhantes, verdadeiras aula de roteiro, direção, atuação e fotografia. Cada episódio de “Game of Thrones”, por exemplo, mais parece um filme, e isso só mostra o talento de todos os profissionais envolvidos nestes projetos, o que é louvável. Eu vejo mais de 30 séries simultaneamente e coincidentemente Felicity (Kerry Russell) é a protagonista da minha favorita “The Americans”, mas às vezes eu só queria ligar a TV e relaxar escutando as músicas incríveis das trilhas sonoras dessas séries épocas enquanto acompanho a jornada desses jovens que estão aprendendo, às vezes as duras penas, a enfrentar os desafios da vida.

Felicity

Não se fazem mais séries como antigamente, hoje em dia elas são melhores e muito mais bem produzidas, mas se a gente tem que aprender a simplificar a vida, seria um presente e tanto fazer isso em Stars Hollow com as Gilmore Girls ou atravessando um riacho com Joey Potter ou numa cabana nas montanhas do Colorado perto de Everwood.

Dawsons_Creek

Pode parecer loucura, mas a verdade é que “The O.C.” foi a série que inspirou minha mudança para a Califórnia. Sinceramente mudou a minha vida em muitos aspectos, e na prática! Talvez por isso eu ainda esteja apegada ao passado recente onde eu encontrava respostas para os meus dramas pessoais na telinha, mesmo sem o luxo e a beleza das cenas, figurinos, que assisto hoje em dia, tinha muita verdade na fala dos personagens que mais pareciam nossos amigos da vida.

The_OC

Desejo que os seriados sejam cada vez mais bem elaborados, mas torço para que a simplicidade de uma história sobre um grupo de jovens na universidade volte a ganhar espaço na TV pra nos entreter e inspirar na nossa dura jornada na vida real.

2 comentários sobre “Não se fazem mais seriados como antigamente…

  1. Que felicidade em ler esse texto! Minhas séries preferidas estão ali. Algumas não assisti, mas pretendo!
    Estou indo pra California na próxima semana e aquela música não me sai da cabeça!

  2. Nunca assisti nenhuma dessas que você comentou. Para mim, série boa mesmo era Magnun, ilha da fantasia, esquadrão classe A, coisas do tipo, que divertiam, porém sem criar essa expectativa de próximo episódio. Aquela sim era época de bons seriados.

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