O Fim de Good Trouble e o Legado Adams-Foster

Eu precisei de um tempo para administrar as minhas emoções ao me despedir de Good Trouble. O fandom ainda está abalado com cancelamento da série pela Freeform, que, pelo menos foi anunciado com antecedência, dando tempo para os roteiristas e produtores finalizarem decentemente (se tivessem renovado para, pelo menos mais 1 temporada, sem dúvidas seria melhor) o seriado, que é um spin-off de The Fosters.
 
 
Para quem não lembra, The Fosters estreou em 2013 e, durante 5 temporadas, acompanhou a vida da família Adams-Foster liderada por um casal de lésbicas, Stef Foster, policial, e Lena Adams, vice-diretora de escola, que criam um filho biológico e quatro adolescentes adotivos em San Diego, Califórnia.
 
Quando a série chegou ao fim em 2108, seu fiel e entusiasmado fandom, do qual eu orgulhosamente faço parte, foi surpreendido com a notícia do spin- off que nos salvou, pois nos deu a oportunidade de continuar acompanhando as irmãs adotivas Callie Adams Foster (Maia Mitchell) e Mariana Adams Foster (Cierra Ramirez), enquanto elas embarcam na próxima fase de suas vidas de jovens adultos trabalhando em Los Angeles. (Essa mudança pra LA me aproximou ainda mais da série, já que moro na cidade).
 
 
E ai vieram mais 5 deliciosas temporadas acompanhando as meninas e novos personagens, que aprendemos a amar, no prédio chamado “The Coterie”, no centro de LA. Sem contar que, ao longo dos anos, as mães e os irmãos visitaram as meninas em vários momentos, inclusive na última temporada, nos permitindo matar as saudades da família Adams-Foster.
 
The Fosters marcou a vida de muita gente pelo mundo afora, pois foi uma série revolucionária em muitos sentidos, especialmente há 10 anos atrás, antes do movimento METOO e até do casamento entre pessoas do mesmo sexo ser legalizado nos EUA.
 
 
Para a época, um seriado produzido para o público jovem que tinha como protagonistas um casal interracial de lésbicas, filhos adotivos e outros tantos personagens que nunca tinham recebido destaque na TV antes, além de abordar temas como as falhas no processo de adoção nos EUA e os abusos em lares temporários, entre muitos outros assuntos relevantes, mexeu positivamente com a indústria do entretenimento e com a audiência.
 
O trabalho continuou em Good Trouble, com personagens bissexuais, trans, interpretados por atores trans, o que não acontece com frequência, discussões importantes, como o problema da gentrificação (processo de transformação de áreas urbanas que leva ao encarecimento do custo de vida e aprofunda a segregação socioespacial nas cidades) e dos moradores em situação de rua no centro de LA, estão na longa lista de tópicos abordados pela série, que muitos outros seriados de TV a cabo (a Freeform é um canal a cabo do grupo Disney), nunca tinham falado antes.
 
 
Com isso, uma parcela do público se identificou com os personagens e os enredos desenvolvidos com seriedade e respeito pelos roteiristas e interpretados com talento por um grupo de atores que são a fotografia da diversidade (pretos, asiáticos, latinos, indígenas) pra lá de comprometido. Ouvi relatos de muitos jovens que inspirados e encorajados pela série saíram do armário para os pais e relatos de pais que, influenciados pela família Adams-Foster, contaram para seus filhos que eram adotados, por exemplo. Eu acredito que a função de seriados e filmes não é só entreter, mas também educar o público sobre assuntos que são tabus na sociedade, pois a informação correta é a forma mais certeira de esclarecer a população e derrubar o preconceito. The Fosters e Good Trouble cumpriram brilhantemente seu papel social.
 
Tanto, que os fãs das séries hoje formam uma comunidade, servindo de rede de apoio uns para os outros. Isso é mágico e acontece tão raramente como a a amizade verdadeira do elenco, que hoje é uma grande família.
 
 
Eu tive a honra de entrevistar Maia Mitchell, Cierra Ramirez e Joanna Johnson, produtora executiva de The Fosters e uma das criadoras e produtora executiva de Good Trouble, no ATX Film Festival, em 2019 e garanto que o amor entre as atrizes, que se consideram irmãs, é tão real como todos as questões abordadas nos seriados.
 
A química, o carinho e o respeito que os atores, produtores e a equipe de The Fosters e Good Trouble tem uns pelos outros transcendem as câmeras, posts em redes sociais e vão além dos bastidores de uma forma tão genuína que o público consegue sentimos a vibe positiva quando assistimos os episódios e isso torna as estórias ainda mais autênticas.
 
 
E a gente sabe que a forma de fazer seriados e minisséries está mudando drasticamente. Embora muitas toquem em temas relevantes e similares aos que vimos em The Fosters e Good Trouble, a maneira de contar a estória não é mais a mesma, e essa conclusão abala ainda mais o coração dos fãs de carteirinha, pois sabemos que o fim de Good Trouble marca o fim de uma década de jornada da família Adams- Fosters e, também, o fim de uma era seriática em Hollywood.
 
Mas, me consola saber que nosso fandom é uma família tão unida como os Adams-Fosters e que o nosso “Coterie” não vai acabar jamais, estaremos sempre juntos nos grupos das redes sociais.
 
Já está com saudades de Good Trouble? Confira as entrevistas que fiz com as queridas Maia Mitchell, Cierra Ramirez e Joanna Johnson, produtora executiva e uma das criadoras dessa série que tanto tocou nossos corações.
 
 
 
Em homenagem a nossa familia Adams-Foster, o primeiro post que publicamos sobre The Fosters em 2013:
 
 

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