Respect mostra a dura batalha de Aretha Franklin até se tornar uma das divas do jazz

Aretha Franklin é uma das minhas cantoras favoritas. Infelizmente não tinha conseguido assistir o filme “Respect: A História de Aretha Franklin”, protagonizado pela excepcional Jennifer Hudson no cinema, mas estava na minha lista faz tempo. Para a minha felicidade, o filme estava disponível no voo que fiz do Rio para LA recentemente. Longe do ideal ver uma obra dessas naquela telinha minúscula mas, não resisti, e dei play. Passei 2 horas entretida com a trajetória de vida dessa mulher, que protagonizou a história do jazz e entrou para a história da música.

“Respect” é um daqueles filmes que acabam mas a gente fica cantarolando as músicas e pensando na trajetória, por muitas vezes difícil e tumultuada, dessa diva que, como a maioria das mulheres pretas, passa por poucas e boas até atingir seus objetivos (isso quando conseguem) e mesmo depois de conquistar o estrelato, a gente vê os perrengues e os abusos que Aretha tem que enfrentar na vida profissional e pessoal.

Em “Respect: A História de Aretha Franklin”, acompanhamos toda a carreira da musa Aretha Louise Franklin (Jennifer Hudson), desde sua infância, cantando em corais da igreja, até sua ascensão a ícone musical, defensora dos direitos civis e militante em prol das mulheres. Aretha foi a primeira mulher a entrar para o Rock and Roll Hall of Fame, sendo vencedora de 8 Grammy Awards. Ela começou a cantar após a repentina morte de sua mãe, que a deixou incapacitada de falar até seu pai forçá-la a cantar no coral da igreja. Após anos, ela finalmente fecha um contrato que muda sua vida como cantora de jazz, tanto que recebeu um prêmio honorário do próprio Martin Luther King. Mas, foi apenas com o cover da faixa “Respect” que a carreira de Aretha alavancou para o resto do mundo. Porém, com o peso de ser uma mulher preta com tanto trabalho, não só musical, o filme ainda mostra o período mais desafiador da vida da cantora e deixa implícito os abusos sexuais que a cantora sofreu na infância.

Eu nem preciso dizer que os meus companheiros de viagem me viram derramar muitas lágrimas assistindo a jornada de Aretha. Mas, melhor ainda foi ter tido a oportunidade de ver o bate-papo da Variety com Jennifer, que está tão brilhante interpretando Aretha, que é uma das favoritas para receber uma indicação ao Oscar na categoria melhor atriz, a diretora Liesl Tommy, o produtor musical Stephen Bray e o compositor Jamie Hartman.

Na conversa eles compartilharam detalhes sobre os bastidores do filme que nos fazem entender e apreciar ainda mais a obra. Seguem alguns destaques da entrevista:

Jennifer Hudson (“Aretha”): “A primeira vez que conversei com Aretha Franklin sobre a possibilidade de fazer um filme baseado em sua vida foi há 15 anos. Ela ficou reticente no início e a ideia foi deixada de lado. Uns 5 anos depois voltamos a falar do assunto, ela concordou se eu fizesse o papel dela no cinema, o que pra mim foi uma honra. Mas acabou não acontecendo naquela época. Então quando as conversas sobre “Respect” começaram, eu confesso que não botei muita fé que o projeto fosse sair do papel dessa vez. Mas ainda bem que finalmente aconteceu. Pena que ela não está mais entre nós, mas nosso intuito foi sempre celebrar sua carreira, e apresentar esse talento para as novas gerações, por isso ficamos tão satisfeitos com o resultado e com o feedback do público e da crítica. Foi feito com muito amor e muita atenção a todos os detalhes, especialmente em relação à música”.

 

Produtor musical Stephen Bray: “A gente está mostrando a carreira de uma das maiores e mais talentosas cantoras da humanidade. A música pra gente não é uma trilha sonora, mas o personagem antagonista. Por isso, todas as canções foram gravadas ao vivo, com uma banda e Jennifer cantando. Foram vários pequenos shows dentro do filme. Os figurantes amaram ver Jennifer Hudson cantando Aretha Franklin no Madison Square Garden, em um concerto exclusivo e de graça – na verdade, eles estavam ganhando para estar lá. Foi trabalhoso, mas tinha que ser feito dessa forma e ficou belíssimo”.

Diretora Liesl Tommy: “O filme se passa durante 3 décadas diferentes. Para mim foi importantíssimo atentar para todos os detalhes em relação ao cenário, figurino, produção de arte, caracterização dos personagens. Tudo tinha que estar perfeito, pois qualquer furo nesses aspectos afetaria de forma negativa a história. A gente está falando de Aretha Franklin, interpretada por Jennifer Hudson, não tem espaço para erro. Foi tudo analisado, ensaiado e conversado; e toda a equipe estava comprometida para atingir a excelência. Foi um trabalho memorável mesmo”.

O compositor Jamie Hartman: “Eu já havia trabalhado com a Jennifer antes. Ela me procurou e contou sobre o projeto e disse que os produtores e ela queriam incluir no filme uma música inédita que celebrasse o legado e a carreira de Aretha Franklin. Eu sugeri convidarmos Carole King, um ícone, para compor a música com a gente. Não esperávamos que ela fosse aceitar tão rápido, ficamos surpresos, mas foi uma honra compor “Here I Am” com ela e com Jennifer Hudson. Um marco para a minha carreira como compositor.”

E, assim, eu deixo vocês com essa dica de filme e com o clipe oficial da música inédita cantada por Jennifer Hudson. Impossível não se emocionar e não se apaixonar para sempre por Aretha Franklin cuja jornada é tão excepcional quanto sua voz e suas canções que fazem parte da trilha sonora oficial dos melhores do planeta.

“Here I Am”:


 

Trailer:

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